Zé Louco e a Entrada dos Palmitos

 Zé Louco, 61 anos, participa da Entrada dos Palmitos desde a infância / Foto: Eisner Soares
Zé Louco, 61 anos, participa da Entrada dos Palmitos desde a infância / Foto: Eisner Soares

Apaixonado por cavalos e fiel devoto do Espírito Santo, José Benedito Lafuente Costa, o Zé Louco, de 61 anos, é um dos personagens conhecidos da Festa do Divino. Durante o ano inteiro, ele atua como servidor público do Município, mas tudo muda nesta época, especialmente no dia da Entrada dos Palmitos, que acontece hoje (14), a partir das 8h30. Considerado o “padrinho dos cavaleiros”, ele faz questão de sair no cortejo todo vestido de branco, lenço vermelho no pescoço, bandeira em punho, chapéu adornado com muitos broches e cheio de estilo. A cada ano se apresenta com uma nova bandeira, confeccionada de acordo com o tema do evento, que em 2016 é “Derramai sobre as Famílias a Graça da Misericórdia”.

A Entrada dos Palmitos, na avaliação dele, é um dos pontos altos da festa, pelo lado folclórico que representa. Zé Louco participa do cortejo desde os 8 anos, quando ele ainda acontecia na Avenida Voluntário Fernando Pinheiro Franco, com a presença de Nhá Zefa. A quermesse era no estacionamento da Rua José Bonifácio.

Falante, contador de histórias e bem-humorado, ele é casado há mais de 30 anos com Eneida Albert Lafuente Costa e conta que ganhou o apelido quando participou de uma Festa do Peão, em Arujá e, devido a um problema no brete, acabou entrando na arena montado em um boi do lado contrário.

Sua paixão por cavalos vem desde criança, motivo que o levou a trabalhar em um sítio, na Volta Fria. Saía no cortejo com o cavalo do patrão. Em 1992, foi ao Império e questionou o Divino: “Se o Espírito Santo é mesmo capaz de fazer milagre, por que não pode arrumar um cavalo para mim também?”. Ele lembra que, depois disso, saiu de lá e foi para o trabalho, quando chegou um carro daForça Tática, com policiais e disseram que tinham ido buscá-lo. “Fiquei surpreso porque não havia feito nada de errado, mesmo assim me levaram até um sítio em Arujá. Quando cheguei, me deparei com vários animais e o dono falou ‘o seu cavalo está aí, pode escolher um deles’. Escolhi um que se chamava Apache. A partir daí, minha fé e devoção só aumentaram e já consegui muitas graças”, acrescenta, sem dizer o nome do seu benfeitor. Ele afirma apenas que ganhou o presente do Divino.

Depois de Apache, em 2006, veio Mustangue, que o acompanhou até 2009. Os dois animais já morreram e, a partir daí, ele começou a sair a pé. Zé Louco garante que todos que tocam sua bandeira recebem as bênçãos e conseguem as graças do Divino. (Silvia Chimello)