Trajetória de 60 anos - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDITORIAL

Trajetória de 60 anos

Editorial

Começamos a publicar hoje, e sempre aos domingos, uma série de reportagens sobre o ano em que O Diário celebra seu 60º aniversário de fundação. O mais longevo dos jornais que já circularam por esta Cidade tem, ao longo desses 21.900 dias que se completarão em 13 de dezembro, perseguido um único ideal: o de honrar a confiança de Mogi e seus cidadãos.

Há 60 anos, o retrato das Comunicações era outro. Ante a incipiência do novo meio que apenas engatinhava – a televisão –, o rádio exercia domínio sobre a interação comunitária. À imprensa escrita, jornais e revistas, restava disputar o interesse do que fosse possível em 70% da população: esse era o índice de alfabetização em Mogi, então com 60 mil habitantes.

Não à toa, o descrédito pairava em boa parte de nossos possíveis leitores. Não havia, por trás da empreitada, qualquer interesse se não o de fazer jornalismo. Sem compromissos políticos – ontem, como hoje e sempre; sem respaldo de capital; sem nada além de um ideal: entregar à Cidade jornalismo ético e qualificado.

Foram difíceis os primeiros meses, agravados apenas algumas semanas após a primeira edição, quando um temporal colocou abaixo o telhado da precária garagem alugada e adaptada, na Rua Barão de Jaceguai, 388. Sob telhas e madeirame restaram máquinas danificadas. E lá foi o jovem Tirreno Da San Biagio, então com 26 anos de idade, fundador do jornal ao lado da noiva Neid, para São Paulo. Em busca de peças que recuperassem as máquinas. Tomou a composição da Estrada de Ferro Central do Brasil, puxada por locomotiva a vapor. Na viagem, lembrou-se que a primeira edição do seu jornal trazia, como manchete, a defesa da eletrificação da ferrovia.

Na Capital, correu vários fornecedores e de nenhum recebeu crédito para o que precisava; dinheiro não tinha para a compra à vista. Estava a ponto de desistir, quando se lembrou de um estabelecimento no Bairro do Bom Retiro. Ainda tinha algum tempo até a partida do trem da volta. Foi até lá.

Por toda a vida, encerrada em outubro de 2015, aos 83 anos de idade (quase 58 à frente do jornal), Tote, como era chamado, se lembraria desse dia. No último fornecedor foi recebido com água, café e conversa amistosa. “Leve o que precisar”, disse-lhe o comerciante.

Isso costuma acontecer às boas causas.

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