Teatro da Neura estreia 'A Última Virgem – Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio' - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
Fechar

           CADERNO A - CAPA

Teatro da Neura estreia ‘A Última Virgem – Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio’

Caderno A - Capa

A direção do espetáco é de  Antônio Nicodemo. (Foto: Divulgação)

A direção do espetáco é de Antônio Nicodemo. (Foto: Divulgação)

LUCAS MELONI
Inspirado na obra do escritor Nelson Rodrigues, o grupo Teatro da Neura, de Suzano, estreia, em 3 fevereiro, a peça “A Última Virgem – Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio”, baseada no Carnaval, que fica em cartaz até o dia 19, no Espaço N de Arte e Cultura, no Jardim Imperador. O texto é uma adaptação de “Os Sete Gatinhos”, do autor e dramaturgo pernambucano. Coletivo planeja um bloco carnavalesco para dia 25 do mês que vem.

A produção literária do chamado “escritor maldito” é uma das vertentes da pesquisa do Teatro da Neura. Os espetáculos idealizados e montados são baseados nos conceitos de realismo fantástico, teatro político e na obra de Rodrigues.

O fundador do grupo e diretor da peça, Antônio Nicodemo, explica que esta produção surgiu a partir de uma leitura encenada em 2015. “Houve uma pesquisa suburbana que resultou numa leitura encenada em 2015, mas que foi feita em cima do funk. Havia uma vontade, não apenas minha, mas do grupo, de transformar esta leitura em um espetáculo porque são duas expressões completamente diferentes. No final de setembro do ano passado, nós nos reunimos e chegamos a conclusão de que era possível fazer uma produção que retratasse o universo do samba. A peça mantém o subúrbio carioca e boa parte da história se passa dentro de um barracão de escola de samba. A partir daí, a gente amplia todos os pontos que constroem o enredo”, comentou.

Os pontos aos quais Nicodemo refere-se são o machismo, o tabu da virgindade, a instituição família, o fanatismo religioso e o empoderamento das mulheres. Esses assuntos entram à tona numa adaptação muito contemporânea de uma história escrita há mais de 50 anos.

A peça traz quatro irmãs que se prostituem para dar à irmã caçula o casamento “dos sonhos”. O pai delas, que é vidente e muito ligado aos deuses que segue, trabalha na Câmara Federal, servindo café aos deputados, e acredita que a virgindade da filha mais nova é “sagrada”. A mãe das garotas é uma personagem que representa aquelas mulheres que “se anulam” em prol de todos da casa, numa crítica à tradicional família brasileira. A produção tem muitas representações e bate na tecla de trazer ao claro a participação das mulheres.

“O elenco feminino do Teatro é muito forte. Com esta obra, cujo objetivo é ressignificar o sagrado e o profano neste conceito da obra do Nelson, a mulher transita muito bem. As personagens femininas do Nelson são fantásticas. Ele escrevia mulheres fortíssimas”, acrescentou o fundador do Neura.

Por intermédio de um historiador da Arte chamado Leandro Santana, que faz parte da diretoria cultural da X-9 Paulistana (tradicional escola de samba da zona norte de SP), parte do elenco visitou ensaios e conferiu a rotina da vida de uma agremiação do tipo. Isso ajudou a dar ainda mais particularidades à produção que entra em cartaz no próximo dia 3. As sessões às sextas e sábados (às 20 horas) e domingos (às 19 horas), até 19 de fevereiro.

O nome do espetáculo ainda tem uma referência ao falecido carnavalesco João Clemente Jorge Trinta, o Joãosinho Trinta, figura lendária da folia carioca. Ele dizia que o Carnaval era uma ópera de rua quando o povo virava rei. O quarteto Os Sambistas (Cauê Drumond, Denise Linz, Fernandes Junior e Lígia Berber) canta músicas autorais de samba na encenação.



O elenco é composto por 25 pessoas. O ingresso custa R$ 12,00. O Espaço N fica na Rua José Garcia de Souza, 692, no Jardim Imperador, em Suzano.

Em 2017
Para este ano, o Teatro da Neura pretende trazer adaptações já encenadas de volta ao Espaço N de Arte e Cultura e levar espetáculos a outras cidades do Alto Tietê. Para o final de fevereiro, haverá um bloco carnavalesco inspirado na nova produção do grupo.

Em março, o coletivo deve reapresentar a produção “A Serpente”, inspirada na obra de Nelson Rodrigues. Em abril, volta à cartaz “Viúva, porém Honesta”, cujo elenco é formado por alunos da oficina de teatro do grupo. Depois, “O Menino Gigante” e o “Que a Terra Há de Comer” serão encenadas, em data ainda a definir.

Certo é que dia 25 de fevereiro, o Neura põe para circular um bloco carnavalesco inspirado em “A Última Virgem – Uma Ópera Rodriguiana do Subúrbio”. O grupo quer fazer várias ações neste dia, como rodas de samba, apresentações teatrais, além de música ao vivo no bairro. O objetivo é que a ação entre no calendário oficial do coletivo e passe a acontecer todos os anos. 

Compartilhe nas redes sociais...Share on LinkedInTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone