Sugestão para Plano Diretor de Mogi é devolver espaços urbanos aos pedestres - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Sugestão para Plano Diretor de Mogi é devolver espaços urbanos aos pedestres

Cidades, DESTAQUE

A legislação que orienta o crescimento e o desenvolvimento deverá definir os instrumentos para o planejamento urbano e a reorganização da vida na Cidade, e modernizar o texto atual, concluído em 2006. (Foto: Arquivo)

A legislação que orienta o crescimento e o desenvolvimento deverá definir os instrumentos para o planejamento urbano e a reorganização da vida na Cidade, e modernizar o texto atual, concluído em 2006. (Foto: Arquivo)

ELIANE JOSÉ
Reuniões abertas e encontros temáticos buscam ideias e sugestões para a revisão do Plano Diretor de Mogi das Cruzes, lançada nesta segunda-feira (13) no palco do centenário Teatro Vasques. A legislação que orienta o crescimento e o desenvolvimento deverá definir os instrumentos para o planejamento urbano e a reorganização da vida na Cidade, e modernizar o texto atual, concluído em 2006.

Planejadores apostam nesse momento de discussão para o encontro de soluções e caminhos para se construir uma Cidade plural, saudável, inteligente, sustentável, com menos muros e mais mobilidade. Uma Cidade para as pessoas. Eles defendem uma Cidade para as pessoas. Como? Com a criação de mecanismos legais que permitam que o espaço público preze pela convivência de diferentes pessoas e promova saúde, riquezas, segurança.

Esses conceitos foram usados pelos convidados a instigar as lideranças sociais e de bairros a participar desse processo democrático que somente se dará, como tal, se houver a participação popular.

“As cidades sabem o caminho que elas querem seguir”, disse o prefeito Marcus Melo (PSDB), em breve apresentação onde buscou destacar o desejo de construir um Plano Diretor com o respaldo da população. “As novas gerações querem viver com mais qualidade, não querem riqueza, querem viver bem. E a Cidade deve atender ao que as pessoas querem. Os gestores tomam decisões quando necessário, mas quem decide o que a Cidade será, é a população. Muitas vezes, vemos pessoas pensando apenas com o próprio umbigo, não entendendo que os interesses individuais devem ceder aos interesses coletivos”, considerou.

Alguns dados do documento chamado “Penso Mogi”, divulgado por O Diário, em setembro passado, foram detalhados pelo arquiteto mogiano Claudio de Faria Rodrigues, secretário de Planejamento Urbano.

O novo ordenamento será focado em temas como educação, saúde, tecnologia e segurança, mas tratará de um item que conecta todos os demais: a mobilidade urbana.

O principal drama das médias e grandes cidades é oferecer uma maneira saudável e segura para as pessoas se deslocarem entre a casa e o trabalho, a escola, o lazer, o hospital. O tempo gasto dentro do carro ou do transporte público adoece as pessoas, reduz o tempo de vida.

Um dos objetivos deve ser o de melhorar o deslocamento das pessoas. Para isso, observa Rodrigues, a Cidade caminha para ser mais compacta, cria novas centralidades (em distritos) a tal ponto que, numa pesquisa de origem e destino, o cidadão leve 20 minutos para sair de casa e trabalhar, fazer compras, desfrutar das atividades culturais e esportivas. De preferência, caminhando.



É tendência no planejamento urbano das cidades o modelo Walkability aportuguesado para Caminhabilidade por Mauro Calliari, administrador de empresas e pos-graduando em Arquitetura e Urbanismo da USP. “Há vantagens econômicas na caminhada. Quem anda mais, adoece menos”, disse.

Foram apresentados vários exemplos de cidades como Nova York, São Paulo, Moscou e Seul, que estão redesenhando as ruas, apresentando novas alternativas de mobilidade (como o uso da bicicleta e a melhoria do transporte de massa) e mudando a relação entre a pessoa e a rua. A predominância do uso do carro será cada vez mais combatida.

Outra meta desse processo de revisão será determinar meios de desenvolver a conectividade, a integração socioeconômica, a mobilidade urbana, a competitividade (com a geração e retenção de inteligências das novas gerações).

É meta valorizar e preservar os patrimônios histórico e ambiental (Rio Tietê e as Serras do Itapeti e do Mar), com a integração desses atores para promover a qualidade de vida.

Nesse particular, destaque para a recuperação do Rio Tietê, hoje sujo e menosprezado, e o esforço para manter as regiões verdes de interconexão entre as Serras do Mar e Itapeti, enfatizado pelo professor Ricardo Sartorello, da Universidade de Mogi das Cruzes. A reabilitação desses recursos naturais garantirá a qualidade ambiental de Mogi e pode abrir uma fonte de geração de riquezas por meio do turismo, agricultura, piscicultura, etc.

A repaginação do Distrito do Taboão, que possui 15 km², dos quais 11,6 km² estão disponíveis para a indústria e negócios também terá capítulo próprio no futuro Plano Diretor.

Tendência
São Paulo, quem diria, o túmulo do samba na concepção ruidosa de alguns, está atraindo milhares de pessoas com os blocos de rua durante os dias do Carnaval. Gente que viajava para o Litoral, agora fica na Capital. O que isso tem a ver com o futuro das cidades, com a Cidade Plural, defendida por Mauro Calliari, administrador de empresas e autor do blog “Caminhadas Urbanas”? Tudo.

A apropriação das cidades está derrubando muros e criando espaços coletivos mais gentis porque as pessoas estão voltando para as ruas. Esse comportamento foi percebido por grandes metrópoles que investem em soluções que tornem as cidades para as pessoas. Antigas linhas de trem dão lugar a pistas de caminhada e convivência. Valorizam o entorno.

A medição dos resultados da “reapropriação” do espaço público pelos moradores aponta para benefícios sociais e financeiros. E para que isso aconteça há de se cuidar da identidade do passado, dos edifícios símbolos (a Igreja, o Mercado, o comércio antigo), e da identidade das pessoas, com as suas diferenças e particularidades.



Citada por Calliari, uma frase do sociólogo americano Ricardo Semett traduz esse espírito: “A Cidade é um lugar onde estranhos podem se encontrar cotidianamente”.

Calliari indica quebra de rotinas para melhorar o futuro das cidades, como a urgência de se repensar a predominância dos carros (a frota de Mogi está a caminho dos 250 mil veículos) e dos muros. “A construção dos centros empresariais, dos shoppings e dos condomínios, no passado, fizeram as pessoas terem medo da rua”, reforçou.

A Cidade Plural, obtida com a redução da segregação espacial, promove a segurança pública. “Nós já começamos a ter a re-significação de espaços que não conversam com a rua, e os resultados são positivos”.

Essas mudanças feitas em pontos como Nova York, que remodelou a Times Square, estão sendo medidas metricamente e apontam um aumento de 50% no faturamento do comércio e a valorização imobiliária – que amplia o valor do IPTU, revertido posteriormente aos cofres públicos.

Calliari caminhou por Mogi no final do domingo, e destacou inovações positivas, como o calçadão da Rua Professor Flaviano de Melo, e construções novas, como o Patteo Mogilar, que interagem com a rua. “A convivência de pessoas diferentes gera segurança”. Por isso, projetos com bancos e árvores costumam agradar as pessoas, a ter retorno. Quem caminha, uma hora, precisa sentar, para descansar”. Árvores embelezam, eliminam ilhas de calos, melhoram a saúde mental das pessoas. O futuro é uma cidade mais gentil.

Pontualmente, sobre o processo que se inicia em Mogi, o especialista destacou a necessidade de as discussões terem foco, edição de temas, e incentivou processos eletrônicos, como a votação de medidas. “Com a clareza na comunicação, a Prefeitura tem condições de ser a grande mediadora de conflitos. Usem a tecnologia, o telefone, para que o processo ouça o cidadão, e tenha resultados”.

Público pede melhorias e compensação por obras
Ao final dos painéis, que também abordaram os temas Cidade para as Pessoas (apresentado pelo advogado Caio Congonhesi), e Mogi, Cidade, Inovação e Tecnologia (Rodrigo Garzi), a abertura para perguntas deu oportunidade ao público comentar os assuntos.

Destaques para os pedidos pontuais, como o feito por um morador que cobrou melhoria para a Volta Fria, em especial, a reconstrução da velha e perigosa ponte de madeira. Outra participante alertou para os dramas do crescimento vividos hoje por César de Souza, como o tráfego pesado, nos horários de pico.

O arquiteto Paulo Pinhal chamou atenção para a preservação do patrimônio histórico e a participação popular. Ana Sandim, do Conselho do Patrimônio Histórico de Mogi das Cruzes (Comphap) defendeu maior rigor na compensação ambiental de empreendimentos que tiram a visão de bens históricos, como ocorreu com a construção de prédios em frente à Igreja Nossa Senhora do Socorro e outros. “Que essas empresas paguem projetos como a limpeza do Rio Tietê e a preservação de outros patrimônios”, sugeriu.

As rodadas de encontros e reuniões seguirão durante o ano que vem. E no site da Prefeitura é possível acompanhar o passo a passo do processo de Revisão do Plano Diretor. (www.mogidascruzes.sp.gov.br).

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