Sobrevivente não consegue aceitar morte do namorado - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           QUADRO DESTAQUE

Sobrevivente não consegue aceitar morte do namorado

QUADRO DESTAQUE, TRAGEDIA KM 84

Gabriela e Daniel se formaram juntos no ensino médio e cursavam engenharia na mesma classe. (Foto: Gabriela Braz/ Arquivo Pessoal)

Gabriela e Daniel se formaram juntos no ensino médio e cursavam engenharia na mesma classe. (Foto: Gabriela Braz/ Arquivo Pessoal)

“Estou esperando eles aparecerem a qualquer momento”. É com este sentimento de esperança que a sobrevivente do acidente na Mogi-Bertioga, Gabriela Leite Braz, de 18 anos, está há um mês. Sem acreditar na tragédia, ela espera o namorado Daniel Bertoldo e os amigos aparecem para desmentir que eles não estão entre as vítimas fatais do acidente. “Quando eu tive alta e vim para casa, tudo já estava amenizado, por isso a ficha não cai”, conta.

Encaminhada ao Hospital de São José dos Campos, Gabriela foi diagnosticada com fratura de crânio, lesão no tendão da mão direita, mancha no pulmão e um rasgo na orelha. Ela permaneceu na unidade por oito dias e só na véspera de receber alta médica ficou sabendo da morte dos amigos e do namorado, que chamou a atenção por ter postado a seguinte frase do livro ‘A Culpa é das Estrelas’, de John Green, dias antes da fatalidade: “Eu sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim”.

Para realizar as atividades do dia a dia, como tomar banho, escrever ou segurar algum objeto, ela depende da ajuda da mãe, em férias do serviço até este domingo. Isso porque os dedos da mão direita de Gabriela só devem voltar a se movimentar com a ajuda de tratamento fitoterápico. Já a lesão na cabeça está recuperada, e afetou somente as lembranças do momento do acidente. “As pessoas falam que eu fiquei acordada, mas a única lembrança que tenho é de antes do ônibus tombar”, explica.

“Nós já gastamos mais de R$ 3 mil desde o acidente. O nosso dinheiro está acabando. Estamos esperando a ajuda do seguro ou da empresa (União do Litoral), porque precisamos manter o tratamento da nossa filha”, conta o pai de Gabriela, Gilberto Cardoso Braz, de 45 anos, ressaltando que precisa levá-la às consultas médicas até duas vezes por semana, se deslocando por cerca de 350 quilômetros – ida e volta – de Barra do Una até São José dos Campos.

Apesar da dependência atual, a tentativa de aceitar toda a tragédia e o tratamento médico necessário para ter de volta uma vida normal, Gabriela pretende continuar a faculdade de Engenharia Civil na UMC. Entretanto, planeja ficar em Mogi durante a semana, para não reviver, todos os dias, o trajeto da Mogi-Bertioga.

NATAN LIRA

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