Sem saída

Acompanhando o noticiário, os debates e as entrevistas, principalmente quanto a estas últimas, com os políticos da esfera federal, nota-se que as possibilidades que se aventam para o País sair da crise são: 1) a presidente dar uma guinada em sua postura para obter apoio, principalmente, popular; 2) ser cassada pelo TSE por defeito na prestação de contas da campanha eleitoral; 3) sofrer afastamento e processo de impeachment, como consequência de reprovação das contas pelo TCU, cuja deflagração depende da Câmara dos Deputados e 4) renunciar ao mandato.
No primeiro caso, a maioria dos especialistas parece acreditar que é o que vai acontecer, mas afirmam que há uma tendência a demorar por causa da índole da própria presidente que, como é consabido, tem personalidade forte afetada por uma imensa dificuldade em aceitar que errou, o que se somaria, possivelmente, a excessivo cuidado em não desagradar o seu próprio partido que ainda sonha com a continuidade do projeto de poder por, no mínimo, mais uma décadas a contemplar, novamente, Lula. Esta é, com efeito, a previsão com maiores possibilidades de ocorrer.

No segundo caso, os especialistas, especialmente entre eles os seus mais ácidos críticos, consideram que dificilmente a justiça eleitoral vá enfiar a colher nesse angu, até porque, essa solução é o sonho hesitante, do hesitante tucanato, os componentes do partido que não se decide, nem que a vaca tussa. Basta lembrar do último vacilo do atual tucano-mor que só no day-after da derrota nas eleições para Presidência da República, percebeu que poderia ter vencido e começou a discursar raivosamente como se tivesse ganho. Esta seria a saída mais difícil de ocorrer.

No terceiro caso há uma quase unanimidade de que esse caminho é o que quer o momentaneamente líder, mas tresloucado presidente da Câmara dos Deputados, considerando-se que talvez ele consiga o intento de fazer aprovar naquela casa do Congresso Nacional a autorização para a abertura do processo objetivando o impeachment, admitindo uma acusação para esse fim, segundo o que dispõe a Constituição. No entanto, o processo de julgamento transcorreria no Senado Federal, a outra casa do Congresso, na qual a presidente está tratando de ter guarida e, por isso, considera-se muito difícil que ocorra esta saída para a crise.

Na quarta hipótese, de novo a argumentação pela qual se chega à conclusão de que é uma saída inviável, baseia-se na índole renitente da personalidade da presidente, que não aceitaria algo que a seu ver só a apequenaria, logo ela que ostenta o galardão de guerrilheira (apesar de que ultimamente os bordões de seus poucos seguidores foi modificado para guerreira). É mesmo muito difícil, senão impossível, que uma pessoa que chegou ao cúmulo de expedir decreto (isto é, uma norma jurídica) para obrigar que a tratem por “presidenta”, um vocábulo que não existe na língua portuguesa, concorde em renunciar. Renúncia não é sempre ato de golpista (como o fujânio), ou de covarde (como o tal Collor), mas, em alguns casos se reveste reconhecidamente de grandiosidade, diante, por exemplo, de clamor social – que ora ocorre – como ocorreu com Raul Alfonsin. Não é, pois, de se esperar que, sem meta, esta saída ocorra.

Enquanto isso, a inflação aumenta e a vida – principalmente a mesa –, das pessoas fica mais vazia, mais pobre e nós todos ficamos como ela, a presidenta, sem saída, nem saída.

Redação

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