Reserva de mercado

No dia de hoje, terça-feira 26 de maio, enquanto escrevo, no Congresso Nacional é posta em discussão plenária uma proposta de modificações do sistema político-constitucional que tem sido referido no meio político e jornalístico, como “reforma política”.
Não é o caso de se dizer que os políticos, principalmente os detentores de mandatos eletivos, não tenham sempre em mente alguma alteração do sistema eleitoral, pois que, em verdade, é comum que no seu cotidiano eles aventem mecanismos que venham a lhes garantir favorecimento na renovação de mandatos, numa clara e objetiva forma de se perpetuarem como representantes do povo.

No caso das propostas que hoje estão a ser discutidas, elas pretendem ser uma resposta, é dizer, uma satisfação a ser dada àqueles que em junho de 2013 foram às ruas demonstrar sua insatisfação com o rumo das coisas no país. E não só aos manifestantes que mostraram sua cara nas passeatas, como também, aos que os apoiaram pelas redes sociais – agora, sabidamente influentes – e nas pesquisas de opinião pública, feitas ao longo desses quase dois anos e que dão mostra desses anseios por mudança.

As propostas foram logo apresentadas e por causa de certa vigilância da mídia e das academias, tinha, pode-se dizer, boas intenções, boas ideias e boa estruturação. Dá-se que, uma vez apresentadas ao órgão próprio a discuti-las e aprová-las, elas passam pelo exame das diversas correntes de pensamento político-social que compõem o órgão – no nosso caso o Congresso Nacional, nosso parlamento. Esse período é o momento, segundo os tratadistas da teoria do estado, do aperfeiçoamento das propostas.

Assim é que, pelo noticiário, sabemos que as propostas dizem respeito, principalmente, a: mudança do atual sistema de eleições para os órgãos legislativos; mudança no financiamento das campanhas; manutenção ou não da reeleição para chefia dos executivos e do prazo do mandato para esse cargo; unificação das eleições a cada quatro anos; acabar com as coligações partidárias e com o voto obrigatório.

Dá-se que desde a apresentação dessas propostas e sem que a sociedade, que como dito antes, as impulsionara, pudesse a tudo acompanhar pari passu, o pensamento político dominante, utilizando-se do tal momento do aperfeiçoamento e aproveitando-se da falta de interferência de oposição eficiente, descaracterizou as propostas, desconsiderou o trabalho da relatoria da reforma, sequer colocando-o em votação, estando prestes a aprovar, um monstrengo, um verdadeiro “frankenstein”.

É que a arrogância do presidente da Câmara dos Deputados, coadjuvado por maioria que com ele é bem afinada, porque almejam só proveitos próprios, quer fazer do impulso dado pela população do país inteiro, mas, desvirtuando os anseios dessa mesma população ao “aperfeiçoar” os frutos da sua luta, sua motivação para, no sossego da Capital longínqua, dar uma rasteira no povo e em todos quantos tenham veleidades políticas, porque mais e mais, essa atividade estará coberta pelo manto da reserva de marcado aos que já a exercitam.

 

Redação

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