Que fazer de mim?

Cabe aqui uma reflexão que normalmente redunda em um clássico nada, isto porque raramente um de nós viventes aporta no equacionamento linear de seus instintos, seus sentimentos e suas emoções. Isto quer dizer que o eixo em torno do qual gravita este compêndio de sensitividades necessariamente atravessa o campo minado da vida, sua acepção ser o Planeta Terra, o Planeta Escola.
Se a relação com o próximo é sempre uma troca, por vezes eivada de sincero afeto, mas normalmente carregada de materialidade, esta última uma barganha de vantagens cujo objetivo vai tributar mais dinheiro àquele que em um certo instante dispõe do que todos almejam e se faz o melhor negociador, ao menos no que diz respeito a planejamento estratégico de marketing.

Que fazer de mim se bem me agasalhava o ventre de mamãe e dele fui expelido ao fim de uma odisséia intra uterina ao cabo de uma gestação de 9 meses? Que fazer, então, de mim se nem bem nascido e o mundo já cobrava os primeiros passos, os apelos vindos de quem meramente capaz quando muito de sondar o terreno, na verdade um espaço microscópico de uma jaula dia a dia cedendo a um maior vislumbre do mundo?

Que fazer de mim? Que fazer de mim? Que fazer de mim? Pode perfeitamente ter lugar em um discurso talhado a granjear fácil endosso, mas pode também, como em meu caso, levar ao desvario quando o entrechoque de estímulos sensoriais acossa em especial a mente, todos no entorno colhidos de surpresa diante de uma mostra de pronto entendida por fraqueza, quando aquele em tal contexto ciente da postura reta que deve ter acaba invariavelmente se tornando mais robusto do que fora.

Que fazer de mim pode perfeitamente passar a pertencer ao escopo de alguém consciente de sua responsabilidade enquanto cidadão deste planeta azul, algo à perfeita maneira de uma ligeira distorção em truque pregado pelo malabarismo das palavras, mas que melhor se encaixa como saga de um conjunto de ações messiânicas.

Se, entretanto, nos vem na esfera do pensamento ou nos vem em abordagem praticamente verbalizada o espelho do que socialmente refletimos, fica, então, denotado o egocentrismo de quem nada vê além de si.

Por outro lado, podemos usar mais proveitosamente o tal estereótipo do Que fazer de mim aproveitando o sono que já vem chegando para o debate íntimo em torno desse tema, pouco eficaz como pregação mas que cai como uma luva a título de reflexão.

No sacrossanto da alma, só a trazendo da quase quietude, nos veremos em silente responder.

Natan Lira

Natan Lira

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