Quase três mil alunos deixaram o ensino particular em Mogi

Crise levou estudantes à rede pública de ensino. (Foto: Arquivo/O Diário)
Crise levou estudantes à rede pública de ensino. (Foto: Arquivo/O Diário)

DANILO SANS
Mesmo sendo considerada item de primeira necessidade, a educação também tem sofrido os efeitos da crise econômica. A inadimplência no setor chegou a 25% e o movimento de alunos que migram de escolas particulares para instituições públicas é quase quatro vezes maior que os que fazem o caminho contrário.

Segundo dados do Censo Escolar divulgados pela Secretaria de Estado da Educação, a pedido de O Diário, 2.956 alunos saíram de escolas particulares e se matricularam em escolas públicas entre 2015 e 2016. No caminho inverso, 826 estudantes deixaram a escola pública e começaram a estudar na rede particular no período.

O número de alunos que migraram para a rede particular caiu em 2016. Entre 2014 e 2015, 1.196 alunos passaram a estudar em instituições privadas em Mogi das Cruzes, enquanto 3.112 estudantes partiram para a escola pública, ainda de acordo com o Censo. Os números referentes a 2017 não foram contabilizados, porque as matrículas ainda estão ocorrendo.

A coordenadora do Núcleo Empreender de Escolas Particulares da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), Erika Franz, diz que as instituições particulares estão criando iniciativas para manter os alunos matriculados.

Ela é proprietária da escola Amor ao Saber, de educação infantil e ensino fundamental, e diz que optou por segurar o reajuste entre os anos de 2015 e 2016. Em 2017, o aumento foi de 10%. “Não adianta diminuir o custo e deixar de ofertar a mesma qualidade. A gente sempre busca um valor menor, para não onerar os pais”, ressalta.

Ela diz que em 2016 a situação estava pior. “Neste ano, eu já tenho salas sem vagas. Vejo que as coisas estão melhorando”, revela. Além disso, pais que optaram por tirar os filhos da escola particular retornaram depois de um tempo. “Antigamente, escola particular era vista como artigo de luxo. Hoje, os pais percebem que educação é um investimento que dá retorno”, avalia.

O ACMC chegou a organizar reuniões específicas com proprietários de escolas particulares da Cidade. Algumas das ideias discutidas pelo grupo, segundo Erika, era a de reunir diversos compradores para reduzir o custo com insumos, além de ampliar investimentos em propaganda.

A oferta de atividades que mantenham as crianças dentro da escola durante o dia todo também passou a ser uma estratégia adotada pelas unidades de ensino para diminuir os deslocamentos dos pais. “Antes, o pai tinha que pegar o filho na escola e depois levar para a aula de balé, de música, de taekwondo. Agora, ele faz tudo na escola”, diz Erika.

O economista Fernando Barão, da Corus Consultores, diz que as escolas particulares passaram por um refreamento no desempenho da demanda pelo setor. Desde o início da década passada, diz, até os primeiros anos da década atual, as escolas passaram por um período longo e sustentável de crescimento no número de alunos, que “arrefeceu” a partir de 2014. Para ele, o que mais afetou o setor durante a crise não foi uma possível migração de alunos da rede particular para a rede pública – essa “dança das cadeiras”, com escolas ganhando e outras perdendo alunos, é comum no segmento -, mas a perda de receitas, em especial nos indicadores de bolsas e inadimplência.