Previsto novo terminal de ônibus - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Previsto novo terminal de ônibus

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A prioridade é otimizar as operações de terminais já existentes e o sistema das linhas locais e intermunicipais / Foto: Eisner Soares

A prioridade é otimizar as operações de terminais já existentes e o sistema das linhas locais e intermunicipais / Foto: Eisner Soares

LUCAS MELONI

Já tramita na Câmara Municipal o projeto do novo Plano de Mobilidade de Mogi das Cruzes (PlanMob-Mogi) que propõe uma série de medidas a serem implantadas pelos próximos 10 anos. Um dos principais pontos da proposta é a descentralização dos fluxos de coletivos – com a possibilidade de construção de novos terminais urbanos – e a integração física, operacional e tarifária entre ônibus e composições da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), algo pedido há muito tempo pelos usuários do sistema de transporte público local. A expectativa é que a matéria, encaminhada pelo Executivo, seja votada pelos vereadores em até três meses.
Há pelo menos dois anos a Secretaria Municipal de Transportes esquematiza alterações na mobilidade urbana da cidade. Os tópicos que constam no documento direcionado ao Legislativo tratam de melhorias no sistema de transporte municipal (como a reorganização de linhas municipais), melhorias viárias e de fluidez na região central, otimização de espaços, ações educativas de trânsito, incentivo às ciclovias e desestímulo ao uso de veículos. A proposta substitui o Plano Municipal de Transportes e Trânsito Rural Integrado, de setembro de 2009, que ainda vigora. O conjunto de propostas apresentado é baseado na lei federal 12.587, de janeiro de 2012, com as diretrizes para o Plano Nacional de Mobilidade Urbana.
Em resumo, o documento lista uma série de ações que podem ser tomadas em busca da diminuição das ocorrências de acidentes e vítimas no trânsito e modernização do sistema de transporte público local. Com este PlanMob, a Prefeitura quer transformar a região central numa área de acesso prioritário a pedestres, usuários do sistema de ônibus/trens e ciclistas (saiba mais sobre o capítulo que trata de ciclovias nesta página).
O Departamento de Trânsito de Mogi pretende reduzir o tráfego de veículos pela região central por meio da construção de anéis viários perimetrais (não há detalhamento de quais), além de iniciar um processo de incentivo à criação de estacionamentos bolsões nas entradas do Centro para receber os veículos que vêm das extremidades da Cidade.

Transporte
É na área do transporte que há as propostas mais impactantes do PlanMob. É a primeira vez que a Prefeitura ensaia um processo de integração tarifária, operacional e física entre o sistema de ônibus urbanos municipais, intermunicipais e trens da CPTM. Outro ponto é a proposta de construção de quatro novos terminais em áreas muito populosas (Jundiapeba, Braz Cubas, César de Souza e Santo Ângelo).
“Ao que parece, o projeto está adaptado as demandas da Cidade na questão da mobilidade. Um ponto importante do plano é a questão da integração das operações dos serviços municipal e metropolitano. Há muito se discutia e agora algo concreto pode ser feito. É um projeto complexo e que não pode ser discutido com urgência (até 45 dias) como pedido pela Prefeitura”, analisou o presidente da Comissão de Transporte e Segurança da Câmara, vereador Claudio Miyake (PSDB). Na quinta, a Câmara enviou ofício ao prefeito Marcus Melo (PSDB) por meio do qual pede a retirada do pedido de celeridade na tramitação. Desta forma, a proposta deve passar por quatro comissões (Justiça e Redação, Transportes, Finanças e departamento jurídico), com prazo mínimo de 15 dias para cada.
O engenheiro civil José Roberto Albrecht, professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) especializado em sistema viário e transporte, avalia que 10 anos é um prazo bom para aplicar os projetos, mas eles requerem recursos. “O governo federal há alguns anos incentivou a compra de veículos após a queda de impostos, mas depois aprovou uma lei, com apoio do Congresso Nacional, que diz para as pessoas deixarem os carros em casa. Nem todos respeitam essa sugestão e isso gera problema. As ruas de Mogi são estreitas e gera grandes congestionamentos. O básico do projeto trata do estímulo ao uso de transporte público e acesso a pedestre ao Centro. O caminho mais fácil para isso é criar bolsões (como previsto no projeto) e a mudança de ruas em áreas de trânsito para pedestres, como o feito na Rua Professor Flaviano de Melo. Isso poderia ser adotado, por exemplo, na Coronel Souza Franco e Senador Dantas”, disse.

Conclusão da Via Perimetral  é prioridade

O projeto enviado à Câmara Municipal traz pontos relevantes que devem ser aplicados pelos próximos 10 anos no sistema de mobilidade urbana de Mogi das Cruzes. O mais relevante deles é a integração operacional entre os modais de transporte.
“No que se refere à integração tarifária entre o transporte municipal e os modais estaduais, já existem conversas entre a Prefeitura, a Câmara Técnica de Mobilidade Urbana do Condemat e os órgãos estaduais responsáveis em busca de alternativas técnicas para que esta medida possa ser adotada, mas ainda não há definição. Sobre os anéis viários, há dois projetos. Um deles é a finalização da via Perimetral, ligando as rodovias Mogi-Guararema, Mogi-Salesópolis e Mogi-Bertioga. Neste caso, a Prefeitura está concluindo o projeto básico de engenharia do Corredor Nordeste, que compreende desde a avenida Dante Jordão Stoppa até a avenida Francisco Rodrigues Filho, passando por uma via paralela à Ricieri José Marcatto. Com o término deste trabalho será possível iniciar a captação de recursos para a execução dos projetos executivos e obras, o que deverá ser a próxima etapa da via Perimetral. Outra intervenção para aliviar o trânsito na região central é o desenvolvimento de um anel viário próximo do centro, utilizando vias já existentes, que receberiam sinalização e pequenas intervenções. A conclusão das obras para a transposição da linha férrea na região central, prevista para o final deste ano, também consta no plano como uma ação para melhoria da mobilidade urbana na região central”, trouxe nota da Secretaria de Transportes.
Apesar de constar projetos para a construção de quatro novos terminais (Jundiapeba, Braz Cubas, César de Souza e Conjunto Santo Ângelo), a prioridade é otimizar as operações de estruturas já existentes e o sistema das linhas locais. “as intervenções nos terminais do transporte coletivo buscam oferecer melhores condições para a utilização pelos usuários. Ainda no transporte coletivo, a Prefeitura busca incentivar a adoção de novas tecnologias para regular o sistema e oferecer aos passageiros mais informações, contribuindo para uma racionalização do tempo dos passageiros na utilização do sistema”, acrescentou.

Espaço também para os ciclistas

Por fim, Mogi das Cruzes terá um conjunto de ações, definidas a partir do Plano de Mobilidade Urbana, para o sistema cicloviário. A medida acontece depois que quase todas as capitais brasileiras já têm algo neste sentido, de modo a priorizar a convivência entre ciclistas e motoristas de veículos leves e pesados no trânsito, além de estabelecer espaços exclusivos aos primeiros em pontos de grande movimento.
O professor de Engenharia Civil da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) José Roberto Albrecht, especializado em transportes, afirma que a medida chega para a adequação ao Plano Nacional de Mobilidade.
“Sem um plano do tipo, a Cidade fica com muitas dificuldades para a obtenção de verbas federais voltadas para a infraestrutura e mobilidade. Os pontos do transporte cicloviários chegam a Mogi muito depois de já terem sido discutidos em outros lugares. Contudo, é fundamental dizer que é bom que exista uma normatização para isso, já que a tendência é que daqui para frente as pessoas passem a adotar cada vez mais o transporte sobre duas rodas”, comentou.

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