Preço é problema para o Fiat Argo

Nas lojas desde o final de maio, o Argo ainda arranca olhares curiosos por onde passa. A Fiat apostou no espaço interno e na ampla gama de motores para o recém lançado modelo e reservou para as versões top de linha o motor 1.8 litro, que encontra na configuração Precision sua melhor relação custo/benefício, o que não significa necessariamente se dar melhor que os principais concorrentes nesse ponto. O Argo Precision tem preço que já começa em R$ 61.800, mas essa conta sobe R$ 6.000 ao se escolher a transmissão automática de seis velocidades, trunfo que seus rivais diretos também adotam.

O que o modelo tem de melhor em relação aos concorrentes é o motor, que rende 139 cv de potência e 19,3 kgfm de torque máximo quando abastecido com etanol. Em relação ao Chevrolet Onix, que rende apenas 104 cv com seu 1.4 litro, a diferença é até grande. Mas quanto ao HB20, seus 128 cv do propulsor 1.6 litro do modelo não chegam a destoar tanto.

O propulsor consegue se destacar tanto no tráfego na cidade, com boas arrancadas e retomadas, como na estrada. Para as grandes metrópoles, onde costuma-se pegar longos engarrafamentos, o sistema start/stop ajuda a diminuir o gasto de combustível e atua de maneira pouco incômoda, religando o motor de maneira suave.

Por dentro, o bom acabamento se destaca. O Argo Precision não abusa de cromados e os tons escuros adotados no interior criam uma atmosfera interessante para o habitáculo. Com os bancos em couro ecológico opcionais, essa sensação fica ainda mais presente. A tela de sete polegadas pode até parecer um tanto exagerada, no início, mas a alta definição dela chama bastante atenção. Principalmente quando se conta com a câmara de ré, também paga à parte, que traz junto sensores de estacionamento traseiros. O espaço é bom, o entre-eixos de 2,52 metros favorece o espaço para os passageiros de trás, e o porta-malas de 300 litros garante o transporte das compras de supermercado ou alguma bagagem para viagens de lazer.

A lista de itens de série é boa para o segmento em que atua, mas não chega a impressionar. Recursos como ar-condicionado e direção, travas, vidros e retrovisores elétricos vêm pelo preço inicial, assim como a central multimídia com tela de sete polegadas e compatibilidade com Android Auto e Apple Car Play. Computador de bordo, controle eletrônico de cruzeiro, rodas de liga leve de 15 polegadas e até sistema start/stop – que desliga o motor em paradas rápidas, como nos sinais de trânsito – também entram no pacote.

Mas como se trata de uma variante recheada de opcionais, a conta final pode subir bastante e chegar até R$ 78.800. Casos dos sensores de luz e chuva, airbags laterais, quadro de instrumentos com tela de sete polegadas, chave presencial para travas e ignição, câmara e sensor de ré, retrovisor eletrocrômico e revestimento em couro vegetal, além de rodas de liga leve aro 16 polegadas, além das cores metálicas ou o branco perolizado disponível no catálogo. De maneira geral, o Argo é um carro interessante e capaz de entregar uma boa dose de conforto, espaço e até desempenho. Mas o alto preço que a marca cobra – R$ 74.700 na unidade testada – pode desestimular alguns possíveis consumidores. (Márcio Maio/AutoPress)

Ponto a ponto – Fiat Argo Precision
Desempenho – O Fiat Argo Precision se movimenta com uma agilidade que impressiona. Arrancadas, retomadas e ultrapassagens são feitas de forma rápida e sem ter de necessariamente “esgoelar” o motor 1.8 de 139 cv. A transmissão automática de seis velocidades é suave e trabalha em boa sintonia com o motor, priorizando a eficiência energética quando se alivia o pedal do acelerador ou o desempenho, quando se pisa forte com o pé direito. Nota 9

Estabilidade – A suspensão não chega a privilegiar a esportividade – um ajuste mais firme fica exclusivamente para a topo de linha HGT -, mas encara bem as curvas e tem de série controle eletrônico de estabilidade. Mas, de maneira geral, é bem difícil ver a tecnologia em funcionamento. O compacto consegue manter bem a aderência nas quatro rodas mesmo quando se exagera um pouco na direção. Nota 8

Interatividade – A comunicação entre motorista e veículo se dá de maneiras bem funcionais e tecnológicas para a faixa de preço em que atua. Há comando vocal e uma tela sensível ao toque de sete polegadas situada no console central que parece um tablet inserido ali. Ela acessa a central multimídia, que espelha smartphones Android e iPhones. O volante é multifuncional e traz botões para informações de computador de bordo e som, além de aletas atrás do volante para trocas manuais de marchas. Todos os comandos ficam bem posicionados e basta um contato rápido para aprender a mexer em tudo. Nota 9

Consumo – Na avaliação do InMetro, o Argo Precision automático conquistou médias de 7,1/9,5 km/l com etanol no tanque na cidade/estrada e 10,1/13,2 km/l com gasolina, nas mesmas condições. Ganhou notas C e B no geral e na categoria em que atua, respectivamente. É pouco, principalmente considerando que se trata de um carro totalmente novo, mas com motor antigo, apenas retrabalhado. E convém lembrar que o carro conta com sistema start/stop, que normalmente melhora os resultados nesse quesito. Nota 6

Conforto – A suspensão absorve com certa eficiência as imperfeições do pavimento para os passageiros. Bancos têm boa ergonomia e acomodam bem o corpo. O isolamento acústico também se sai bem, já que só é possível escutar o motor quando se pisa bem fundo no acelerador. Nota 8

Tecnologia – O Argo tem uma nova plataforma, que utiliza aços especiais e tecnologia embarcada atualizada. Ele traz recursos eletrônicos de auxílio dinâmico, como controle de tração e estabilidade, mas essa é uma realidade que já vem sendo inserida nos novos projetos de modelos compactos no Brasil. A conectividade é realizada de forma comum à categoria, mas com tela de alta definição. Há sistema strat/stop, mas o motor da versão Precision é velho conhecido da marca no país, já que foi apresentado em 2010. Nota 8

Habitabilidade – O espaço interno é um dos pontos altos do Argo. Há espaço para as pernas no banco traseiro sem que isso dependa da boa vontade dos ocupantes da frente. Porém, o caimento acentuado da coluna traseira faz com que seja necessário baixar um pouco mais a cabeça para entrar no carro. O porta-malas carrega bons 300 litros. Nota 8

Acabamento – Este é um ponto no qual a Fiat vem se destacando cada vez mais em seus lançamentos. Todas as superfícies trazem materiais rígidos, mas com textura e revestimentos agradáveis e interessantes. Opcionalmente, é possível ter os bancos revestidos em couro ecológico. Nota 8

Design – O desempenho do Argo mistura alguns elementos que exprimem certa robustez, mas aliada a traços elegantes e modernos. A frente segue a assinatura digital da marca e traz grade encorpada e faróis afilados. Vincos e linhas de perfil bem marcados dão uma personalidade mais esportiva, que até combina com o trem de força adotado na versão Precision. A traseira traz o nome da marca em grafia avantajada e lanternas em alto relevo que invadem a tampa do porta-malas. Nota 8

Custo/benefício – Desde o lançamento, a Fiat deixou claro que seus principais concorrentes eram o Chevrolet Onix e o Hyundai HB20, que lideram as vendas de hatches compactos no Brasil. Mas completo, chega a custar R$ 78.800. Sem airbags laterais, o preço cai para R$ 74.700, que ainda é bem superior aos R$ 61.950 cobrados por um Chevrolet Onix LTZ ou os R$ 66.830 do Hyundai HB20 Premium com bancos de couro. A diferença é alta demais e não chega a se justificar pelos equipamentos adotados. Nota 5

Total – O Fiat Argo Precision AT6 somou 77 pontos em 100 possíveis.

Auto Press

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