Praças de Mogi sofrem com ação de vândalos e má conservação

Praça São Sebastião está com mato alto e estrutura deteriorada. (Foto: João Ricardo Santo)
Praça São Sebastião está com mato alto e estrutura deteriorada. (Foto: João Ricardo Santo)

LUCAS MELONI
Espaços destinados ao lazer, as praças públicas têm função importante no recorte urbano de Mogi das Cruzes, sobretudo, para arborizar pontos centrais, mas algumas delas sofrem com a ação de vândalos e estão mal conservadas. Para arquiteto, lugares precisam ser revitalizados e a iniciativa privada pode ter participação nas melhorias.

A reportagem circulou por quatro praças da Cidade e constatou o quanto a situação é precária em algumas delas. Uma delas, no Santa Tereza, ao lado da unidade básica de saúde (UBS), está completamente pichada e tinha muito lixo pelo chão na manhã da última terça-feira. A reportagem constatou, principalmente, diversos preservativos, distribuídos em postos de saúde, usados, jogados pelo local. Jovens costumam se reunir no local aos finais de semana para beber, ouvir música e encontros amorosos. Houve, no passado, questionamento em relação ao valor da obra, construída com recursos municipais, pouco utilizada por famílias do bairro.

Pouco distante dali, no Conjunto São Sebastião, a Praça Luiz Alberto Miranda, na Rua Francisco Ruiz, o matagal ganha em altura de todos os bancos do local. É quase impossível parar para sentar no local, já que o mato toma conta de quase tudo. Sem esta possibilidade, o local, que é pequeno e não oferece equipamentos de lazer e prática esportiva, não tem frequentadores.

A Praça Voluntário Benedito Evilázio de Freitas, no Jardim Camila, na Rua Luiz João Bourg, tem traves e equipamentos de exercícios enferrujados. A grama parece ter sido cortada há pouco tempo, mas é visível que faltam equipamentos atrativos aos moradores da região.

Em César de Souza, a Praça Noel Rosa não brilha como as composições do eterno sambista e poeta da Vila Isabel. Os problemas parecem passar despercebidos pelos moradores. O problema mais comum por lá é o vandalismo com lixeiras. Quase todas estavam destruídas no local. Um banco também foi quebrado. Se alguém quiser passar uma tarde no local precisa levar uma sacola para guardar lixo e terá de sentar no chão porque não há lugar para muitos sentarem.

O presidente do Colégio de Arquitetos, o arquiteto e urbanista Paulo Pinhal, aponta que as praças são necessárias para as cidades porque são “pontos de surpresa” em meio à selva de pedras. “A Cidade precisa respirar. As praças trazem qualidade de vida, são nossas surpresas nos espaços urbanos. Hoje, infelizmente, este conceito não existe em totalidade. Os locais são tomados por pessoas em situação de rua e por dependentes químicos. Dois casos emblemáticos são as praças Oswaldo Cruz e a do Largo Bom Jesus. Elas estão muito degradadas. Quando estava numa universidade de fora de Mogi, fiz com alunos um processo de levantamento e análise de praças públicas na região de A.E. Carvalho (extremo leste de São Paulo). Identificamos 33 espaços do tipo. Alguns deles, inclusive, que haviam se perdido com o tempo para a droga e a ação de criminosos. Em relação aos espaços de Mogi, é preciso haver o cuidado paisagístico com todos eles. Não apenas com o espaço verde, mas todo o desenho das praças. Seria muito válida a participação da iniciativa privada na conservação das praças, mas, por causa da Lei Mogi Mais Viva (que veta grandes propagandas), as empresas evitam apoiar empreitadas do tipo porque não têm um retorno visual na mesma proporção do gasto. Deveria ser estabelecido um jeito de facilitar a adoção das praças”, comentou Pinhal.

Lixeiras
A troca de lixeiras é de responsabilidade da concessionária de limpeza urbana que presta serviços na Cidade. Segundo a CS Brasil, são trocadas, em média, por dia, seis lixeiras por atos de vandalismo. O valor gasto, em média, não foi informado. O pedido para troca deve partir da Prefeitura. A empresa informou que realiza a substituição em até 24 horas depois do comunicado oficial.

O outro lado
Depois de questionada pela reportagem, a Prefeitura de Mogi das Cruzes comentou sobre a situação das praças visitadas. “A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, por meio do Departamento de Limpeza Pública, explica que há um cronograma fixo de limpeza das praças do município, composto por mais de 100 espaços públicos, que vão sendo atendidos gradativamente ao longo do ano pelas equipes. As equipes da SMSU estiveram na última sexta-feira e nesta segunda-feira na praça ao lado da UBS do Santa Tereza e executaram serviços de corte de mato. O espaço recebe varrição duas vezes por semana. Logo, o material que está depositado irregularmente no solo também será removido. As equipes estão atuando nesta semana na região do Conjunto São Sebastião, o que inclui a Praça Luiz Alberto Miranda. Com relação à praça Voluntário Benedito, no Jardim Camila, ela deve ser atendida dentro dos próximos 15 dias, pois já há equipes atuando no bairro – hoje, mais especificamente, estão trabalhando no Campo Água Verde. A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer foi acionada a respeito da manutenção dos equipamentos esportivos. Já a Praça Noel Rosa, em César de Souza, será atendida ao longo do mês de novembro”, concluiu.