Políticos de Mogi apostam na vinda do Sesc para a Cidade

Comitiva de Mogi, incluindo Melo, visitou Sesc Belenzinho com a direção da entidade. (Foto: Ney Sarmento/ PMMC)
Comitiva de Mogi, incluindo Melo, visitou Sesc Belenzinho com a direção da entidade. (Foto: Ney Sarmento/ PMMC)

DANILO SANS
Com fôlego novo, o sonho de trazer uma unidade do Sesc para Mogi das Cruzes está cada vez mais próximo de ser realizado. A avaliação é de políticos que visitaram a unidade do Sesc Belenzinho, na última quinta-feira, em comitiva liderada pelo prefeito Marcus Melo (PSDB). Por enquanto, o processo está na fase das “conversas”, mas o interesse mútuo – já demonstrado pelo Serviço Social do Comércio e pela Administração Municipal – é um elemento importante na luta pelo empreendimento, que já dura, pelo menos, duas décadas.

A articulação política está a todo vapor e é uma etapa importante, conforme observa o vice-prefeito Juliano Abe (PSD), confirmando que a visita do diretor do Departamento Regional do Sesc, Danilo de Miranda, à Cidade, deve acontecer em breve.

Abe afirma que Mogi está fazendo a lição de casa. “O prefeito [Marcus Melo, do PSDB] já foi muito claro que a Administração será parceira do projeto. A Câmara, por meio dos vereadores que compõem a CEV, também demonstrou interesse. E a população já mostrou que quer um Sesc em Mogi”, observa.

No entanto, Juliano destacou que a vinda do Sesc depende, ainda, de uma série de fatores e não deve acontecer da noite para o dia. “Teremos vários obstáculos a serem vencidos, envolvendo terreno, a disponibilidade de recursos do Sesc, planejamento, projetos. Não é algo que vai acontecer amanhã, mas que já está na lista de prioridades”, acrescenta.

O vice-prefeito ressalta que Melo está verdadeiramente empenhado na vinda de um Sesc para a Cidade. “Ele colocou isso como uma meta pessoal. Está dentro da agenda de prioridades”, reforça, destacando a importância social do equipamento para a Cidade. Apesar de ter uma administração privada, o serviço prestado é público e aberto – quase integralmente – a toda população.

Juliano confirma que o Sesc está avaliando algumas áreas oferecidas como sugestão pela Prefeitura, mas não revela quais são para evitar especulação imobiliária.

O vereador José Antonio Cuco Pereira (PSDB) chegou a pedir, ainda enquanto vice-prefeito de Mogi, na gestão anterior, a doação de um terreno ao empresário Henrique Borenstein, presidente do Conselho de Administração da Helbor, uma das maiores incorporadoras do País, com sede na Cidade e dona de uma grande área sem construção entre o Bairro do Rodeio e o Distrito de César de Souza.

“Ele disse que poderíamos estudar a possibilidade. É uma tremenda área, tranquila, com ar sadio”, comenta o vereador. Na época, o então presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi e Região (Sincomércio), Airton Nogueira, um dos maiores entusiastas de um Sesc em Mogi das Cruzes, considerou a área de difícil acesso e não demonstrou muito interesse. Além disso, sem ações práticas, o assunto acabou esfriando. “O Airton disse que o acesso por transporte público não era tão fácil. Se o problema for esse, a gente coloca linha de ônibus para lá”, garantiu.

Cuco é presidente da Comissão Especial de Vereadores (CEV) montada na Câmara para acompanhar o processo de implantação de um Sesc na Cidade e participou, na última quinta-feira, da comitiva que saiu de Mogi para conhecer as instalações do Sesc Belenzinho. “Fiquei encantado. Já passei na porta, mas nunca tinha entrado. Só tinha visto o concreto, mas fiquei admirado com a limpeza, beleza, organização lá de dentro. Tudo funciona muito bem”, avalia.

O vereador Edson Santos (PSD) também participou da comitiva e destacou o interesse mútuo em instalar um centro cultural e esportivo na Cidade. “Todo mundo está interessado: o Sesc em Mogi e a Prefeitura no Sesc. Com o envolvimento do Executivo, do Legislativo e da população, a possibilidade de isso acontecer é muito grande. Mogi merece”, comenta.

A unidade do Belenzinho, para ele, “é de encher os olhos”, tanto pela estrutura física, quanto pelos serviços prestados no local. “Eu conheço algumas unidades do Sesc, porque gosto muito dos shows. Sempre nos chama atenção a organização, a quantidade de pessoas trabalhando, além do bom acolhimento dos funcionários com quem frequenta os equipamentos”, completa.

CONFIANTE

ELIANE JOSÉ
Numa escala de zero a 10, a possibilidade de Mogi das Cruzes ter uma unidade do Sesc ocupa o número 9, na opinião de Mateus Sartori, que já se apresentou em diversos palcos desse complexo de cultura, esportes e educação como músico e acompanha, agora como secretário municipal de Cultura, o avanço das negociações entre o governo municipal e a direção do Serviço Social do Comércio.

Sartori visitou o Sesc Belenzinho, em São Paulo, na tarde de quinta-feira última. Ele conhece bem a estrutura do Sesc, com quem manteve estreita parceria em projetos tocados pela Secretaria Municipal. “Eu diria que estamos na escala 9, no que diz respeito a conquistar a unidade, mas é preciso entender que esse é um projeto que será incluído no planejamento da entidade e não podemos dizer quando essa conquista acontecerá de fato, se daqui a cinco, dez anos”, inscreve.

Isso não é ducha de água fria. Ao contrário. Porque “as articulações estão caminhando bem”, conforme afirma Sartori, acrescentando que a disposição da direção da entidade em instalar uma unidade em Mogi das Cruzes é real. Tanto que está sendo agendada uma visita do presidente do Sesc, Danilo Miranda, à Cidade.

A Prefeitura reúne informações sobre áreas que podem ser indicadas ao Sesc. Sem citar os endereços, Sartori adverte que a prospecção desses imóveis atende aos conceitos adotados pela instituição. “Novas áreas estão sendo pensadas em função do que o Sesc privilegia. Exemplo, se houver uma área para um estacionamento para 400 carros, o Sesc prefere usar essa área para a construção de duas quadras esportivas. A maneira como o público chega preferencialmente será de trem ou ônibus. A mobilidade, o acesso ao local, conta muito”.

Nesse aspecto, pode ganhar força outra particularidade do empreendimento: ele deverá ser um ponto de atração de moradores de Mogi e das cidades da Região do Alto Tietê. “Não estou dizendo que será ali, mas, por exemplo, a nova Avenida das Orquídeas, pode atender a esse conceito de facilidade de acesso dos frequentadores de Mogi, dos bairros, e das cidades vizinhas. Todos esses aspectos serão levados em consideração”.

Mateus destacou ainda a necessidade de o mogiano entender o que é um Sesc. “As pessoas dizem que ele é um empreendimento particular. Sim, ele é particular, mas de uso público, coletivo, e muitas pessoas estão confundindo isso por desconhecimento”, acrescentou. Em redes sociais, por exemplo, há quem questiona a doação do terreno, exigida pelo Sesc.

Os dois Sescs mais próximos de Mogi das Cruzes estão em Santo André (onde há uma sólida parceria com a nossa Prefeitura) e São José dos Campos. Em breve, haverá um outro: em Guarulhos.