Polícia começa a reunir provas do acidente na Mogi-Bertioga

Investigação está centralizada em Bertioga. (Foto: Reprodução/ Facebook)
Investigação está centralizada em Bertioga. (Foto: Reprodução/ Facebook)

A equipe que investiga as causas da tragédia do km 84 da Rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), ocorrida na noite da última quarta-feira (8), e que resultou em 17 estudantes universitários mortos, solicitou o exame toxicológico do motorista, Antonio Carlos da Silva, de 37 anos, que também morreu em decorrência do tombamento do coletivo no trecho da Serra do Mar. Desta forma, a Polícia Civil de São Sebastião, responsável pela apuração, quer saber se o condutor estaria sob efeito de alguma bebida alcoólica ou de medicamento. Novas fotografias do veículo foram retiradas pela Polícia Científica para aprofundar algumas linhas de investigação com base nos dois primeiros depoimentos já colhidos na sexta-feira.

Os trabalhos coordenados pelo delegado titular da Delegacia de São Sebastião, Fábio Pierre, ainda apontam para as três possibilidades aventadas horas depois do acidente: perda de freio, perda de direção e ultrapassagem mal sucedida. As duas primeiras, entretanto, ganharam mais força com base em depoimentos colhidos pela equipe que cuida da apuração na última sexta-feira.

Cézar Donizetti Vieira, de 54 anos, gerente de uma loja de materiais para construção em Bertioga, foi um dos que prestou depoimento. Ele estava em seu carro com a mulher, retornando de uma viagem a Araraquara (SP), quando foi surpreendido pelo coletivo que, segundo ele, estaria bem acima da velocidade permitida (60 km/h). Vieira contou à Polícia Civil que o ônibus deveria estar a 80 km/h ou 90 km/h.

O motorista do coletivo da União do Litoral teria tentado a ultrapassagem em diferentes momentos, até se chocar com a lateral do carro do gerente. Vieira afirmou ter visto o ônibus balançar “como uma bicicleta” antes de tombar e se chocar com as rochas.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP/SP) confirmou os depoimentos e informou a solicitação do exame cautelar. “A Delegacia de Bertioga instaurou inquérito policial para investigar as causas do acidente. Duas pessoas foram ouvidas nesta sexta-feira (10), uma vítima e o dono do veículo que foi atingido pelo ônibus antes do acidente. Foi solicitado exame toxicológico cautelar para esse motorista e, na sexta, foi realizada uma nova perícia no ônibus. No sábado (11), foram feitas novas fotos do veículo acidentado para colaborar no esclarecimento das causas do acidente. Os demais sobreviventes devem ser ouvidos em São Sebastião”, informou por nota.

Perícia
O jornal apurou que as novas fotografias foram solicitadas com base nos depoimentos da sexta-feira. Os peritos reavaliaram as marcas nas laterais do veículo, uma das provas do tombamento. O tacógrafo foi encontrado sem danos. O sistema de freio e direção devem ser retirados nos próximos dias para análise. Nesses itens, a Polícia Científica espera encontrar as respostas para a pergunta do que poderia ter causado o acidente.

O jornal questionou a SSP/SP sobre o abaixo-assinado, mas não recebeu manifestação. No último domingo, O Diário informou que, apesar de sobreviventes e familiares garantirem que haviam reclamado da imprudência de motoristas que fazem o fretamento à Secretaria Municipal de Educação de São Sebastião, contratante do serviço, a Pasta negou que tivesse sido notificada formalmente a respeito.

LUCAS MELONI