Pão e circo - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Pão e circo

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Laerte Silva
laerte.silva.adv@gmail.com

Na última semana escrevi neste espaço sobre o problema crônico do Largo Bom Jesus, em Mogi das Cruzes, onde pessoas em situação de rua tomam a praça, misturando-se problemas sociais e de saúde, pessoas ao desamparo, sem rumo, juntamente com alcoólatras e drogados. Recebi nas redes sociais mensagens de várias pessoas e amigos afirmando ter passado igualmente pela situação do simples incômodo ao estacionar à abordagem violenta. Todos entendendo a complexidade do caso, porém pedindo efetiva atenção do Poder Público para o caso, para que não se forme ali uma “cracolândia”.

Mas há outros pontos de vulnerabilidade social, ou nem tanto, e de oportunismo gritante também. Como exemplo desse tipo de situação temos a Avenida Vereador Narciso Yague Guimarães, especialmente no cruzamento do Shopping, onde se veem crianças pedindo trocados para doces e lanches a amputados buscando dinheiro para sobreviver. De “ainda” entregadores de panfletos a artistas e seus malabares. É um vai e vem. Quando não se tem um grupo, outro lá está; isso quando não estão todos. Uma doideira, o cruzamento virou um local muito disputado.

A bem da verdade, se olharmos com atenção, nem sempre o que parece é. Nem todos aqueles com necessidades especiais deveriam estar lá, pois a aparente limitação não se mostra de absoluta incapacidade para o trabalho, muito embora saibamos da reconhecida dificuldade de contratação no universo do emprego, ainda mais num País com 14 milhões de desempregados. Nem todas as crianças são exatamente carentes. Visivelmente, algumas estão ali por brincadeira, matando o tempo, ou matando aula mesmo. Os malabares buscam seu espaço, querem mostrar sua arte, aparentemente não criam situações, porém, não é bem assim, interferem na atenção dos motoristas no conturbado trânsito mogiano e naquela área em especial. Afinal, por uns trocados é que chamam atenção para suas habilidades. Distraem os motoristas.

Para uma Cidade que cresceu muito, Mogi das Cruzes não está sozinha em desafios como esses, ainda mais se considerarmos que é ponto final de trens, um agravante. Toda situação que o Poder Público deixa evoluir sem o devido tratamento, acaba virando um problema maior adiante. A atuação responsável e adequada é o que se espera, dando-se o remédio certo para cada mal. Como em outras cidades, Mogi das Cruzes também tem suas mazelas, questões relevantes como essas vulnerabilidades. Tem seus desafios cotidianos, como o de pão e circo nos cruzamentos.

Laerte Silva é advogado

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