Pais de sobrevivente se doam em tratamento do filho

Erick Pedralli ficou 20 dias internado no Hospital Santo Amaro. (Foto: Reprodução/Facebook)
Erick Pedralli ficou 20 dias internado no Hospital Santo Amaro. (Foto: Reprodução/Facebook)

Do susto causado pela falsa notícia de sua morte à situação atual de dependência, o sobrevivente do acidente na Mogi-Bertioga, Erick Pedralli, de 21 anos, e a família vivem uma drástica mudança na rotina, ocasionada pela tragédia. O jovem estudante de Engenharia está com problemas na coordenação motora, pouco consegue se comunicar, tem momentos de confusão mental e passa noites em claro.

A cabeleireira Edna da Silva Carvalho Pedralli, de 41 anos, deixou o serviço para se dedicar o dia inteiro ao tratamento do filho, diagnosticado no Hospital Santo Amaro, no Guarujá, com lesão na cabeça e inchaço no cérebro. Ele permaneceu internado por 22 dias. Neste período, ficou em coma induzido, na UTI, e respirando com ajuda de aparelhos.

Enquanto isso, o motorista Edmir Pedralli, de 45 anos, trabalha para manter, junto com a ajuda de amigos, as despesas básicas da família, e os custos extras do tratamento do filho, que envolve desde a compra de fraldas até despesas com combustível para levá-lo ao hospital.

A assistência do casal ao filho rompe a luz do dia e se estende pelas noites. “O Erick fica bastante agitado à noite. A gente tenta entender o que está acontecendo com ele, mas ele não consegue dizer. Eu acredito que as lembranças do acidente o atormentam”, explica Edmir, contando que o filho ainda não iniciou o tratamento com psicólogo.

Erick é estudante de engenharia na UMC. Foto de antes do acidente, (Foto: Reprodução/Facebook)
Erick é estudante de engenharia na UMC. Foto de antes do acidente, (Foto: Reprodução/Facebook)

Além de todos os empecilhos que impossibilitam Erick de ter autonomia em suas ações, apenas na última quarta-feira foi descoberto que ele está com o dedo quebrado. “Achei um descaso do hospital que o atendeu. Meu filho estava reclamando de muita dor no dedo. Pedi para ele tentar me dizer de zero a dez o grau da dor, e ele me disse oito. Quase um mês sofrendo com este dedo quebrado”, desabafa Edmir.

Na esperança de ver o filho voltar a ser independente, estudar e trabalhar, a família acredita no diagnóstico médico de que, para isso acontecer, basta o auxílio dos tratamentos fisioterápico, fonoaudiológico e psiquiátrico, agendados para iniciar nos próximos dias. “Apesar dele não conseguir lembrar a senha do Fies para cancelar a matrícula na faculdade, o Erick já reconhece as pessoas que vêm aqui em casa. Até a senha do celular ele lembrou”, se alegra Edmir.

NATAN LIRA