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Os órgãos de Lenin

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João Anatalino
Os russos comemoraram cem anos da revolução comunista. A revolução bolchevista foi a concretização da esperança de que o homem estava conseguindo realizar a utopia idealizada por Platão. O sonho comunista sempre foi uma espécie de arquétipo sedutor, que anima espíritos românticos desde a aurora dos tempos. Comunistas são pessoas que odeiam a competição, condenam todo tipo de discriminação social e pugnam por um estado provedor, que seja capaz de equiparar desigualdades que a sociedade institui e a própria natureza homologa, pois ela mesma é que nos faz diferentes. Não é estranho que o principal teórico do comunismo, Karl Marx, tenha encontrado na classe trabalhadora o principal mercado para suas ideias. E que essas ideias tenham triunfado exatamente na Rússia tzarista, o último país da Europa, que em pleno século vinte, ainda mantinha uma economia praticamente feudal, estruturada no trabalho servil de milhões de mujiques.

A ditadura do proletariado durou pouco mais de setenta anos e imolou nos altares da pátria mais de doze milhões de vidas (sem contar os mais de vinte milhões que morreram na segunda guerra mundial). Só a ditadura de Stalin matou cerca de dez milhões de opositores. Embora tenha conseguido muitos avanços, como a erradicação do analfabetismo, construção de uma moderna indústria bélica, uma ciência atômica de vanguarda e uma indústria de base poderosa, o comunismo não conseguiu fazer da Rússia uma potência econômica de primeira linha. O padrão de vida do povo russo sempre ficou aquém dos habitantes das democracias ocidentais e principalmente dos Estados Unidos da América, o inimigo que os soviéticos elegeram para simbolizar a luta do bem (o comunismo) contra o mal (o capitalismo) que seus líderes diziam estar travando.

Não havia muita gente nas ruas para comemorar a revolução bolchevique. Isso mostra que, para a maioria do povo russo, o comunismo já foi tarde. Mas a ideologia marxista continua a seduzir muita gente. Eram várias as bandeiras de partidos de esquerda nas ruas de Moscou, principalmente de países da América Latina. Muitas delas do Brasil. Lá estavam as bandeiras vermelhas do PT, do PC do B e outras quinquilharias ideológicas do engodo sociopolítico que Lenin, Stalin e seus camaradas do Partidão espalharam pelo mundo. O comunismo morreu na Rússia muito mais por ineficiência e incompatibilidade com o espírito humano do que por rejeição do povo. Como dizia Gorbachev, se nem os alemães conseguiram fazer esse regime funcionar, quem será capaz de fazer? Os velhos dinossauros da esquerda latina americana parecem pensar que são.

A propósito, quem será que pagou as despesas para que essa fauna jurássica pudesse comparecer á nostálgica festa dos órfãos de Lenin?

João Anatalino é escritor

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