Os bichos na Cidade - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDITORIAL

Os bichos na Cidade

Editorial

O número de mortes de animais silvestres e de acidentes envolvendo veículos e as espécies que transitam entre os corredores verdes de Mogi das Cruzes e Região está aumentando com a redução das áreas nativas do Alto Tietê. Causa e efeito, nada mais.

Os bichos estão ficando sem lugar para viver nas serras do Mar e do Itapeti, e nos fragmentos de vegetação que ligam esses dois remanescentes da Mata Atlântica, por meio da várzea do Rio Tietê. Por isso, eles são vistos com tanta frequência no asfalto e no quintal da casa das pessoas.

Observamos uma mudança, que não é súbita, porém significativa: até 10, 15 anos atrás, essas espécies eram encontrados nas cidades, mas não na mesma frequência e profusão atual. O Diário registrava os casos, esporádicos, inusitados.

Esses bichos resolveram aparecer mais porque estão andando mais longe para buscar alimento (casos dos topos de cadeia, que são em número de indivíduos menores) ou se refugiar de fenômenos, como as queimadas, registradas nas últimas semanas de seca e sol intenso. Na sexta-feira última, o Corpo de Bombeiros recebeu 30 chamados de fogo em mata, um deles, de grande extensão, no alto da Serra do Itapeti.

Nunca foram tantos encontros com capivara, ratão-do-banhado, jaguatirica e bicho-preguiça, e aves, e acidentes como o registrado em nossa edição de ontem, quando tudo indica que um carro atropelou e matou um gato-do-mato, no Distrito de Taiaçupeba.

Além da redução das espécies da fauna, esses encontros podem colocar em risco a vida das pessoas. Um acidente com um animal, mesmo de pequeno porte, não livra o condutor de prejuízos e sequelas.

Assunto novo? Não mesmo. Assunto que não tem merecido a atenção de quem tem poder de decisão de cobrança, como o Ministério Público, e de pressão: a sociedade organizada.

As nossas estradas precisam oferecer pontos de fuga, como as passagens subterrâneas, planejadas mais recentemente em grandes obras viárias, fronteiriças de áreas verdes e de preservação, como ocorreu com a duplicação da Rodovia Mogi-Dutra.

As estradas antigas precisam integrar um projeto de adaptação para que esses animais possam atravessá-las, com um pouco mais de segurança. A fiscalização correta, como indica o médico veterinário Jeferson Leite, é medida de prevenção de acidentes e de mortes. Mesmo o motorista que sempre passa por esses caminhos, deve ser lembrado sobre os riscos do que pode encontrar pelo caminho: as espécies são mais frágeis do que um carro, mas também podem ser a causa de tragédias.



Quanto antes Mogi responder essa demanda, em favor da boa convivência entre a mata, o homem e os bichos, menos arriscada será a vida daqui para frente.

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