‘Ônibus teve problema antes de tombar’, diz sobrevivente

Wanderspn segurou na poltrona e abaixou a cabeça, quando percebeu que ônibus ia bater. (Foto: Wanderson/ Arquivo)
Wanderspn segurou na poltrona e abaixou a cabeça, quando percebeu que ônibus ia bater. (Foto: Wanderson/ Arquivo)

Um dos sobreviventes do acidente na Rodovia Mogi-Bertioga, Wanderson da Silva, 24, supõe que o motorista tenha percebido algum problema mecânico no veículo poucas curvas antes de tombar, e que ele tentou manter o controle do ônibus da Linha 12 por seis curvas da Mogi-Bertioga. “Eu estava na quarta poltrona atrás do motorista. Ele começou a buzinar nas curvas, e fazer elas muito rápido. Só quando atingia a reta, o controle era restabelecido. Ele tentou até o final”, afirma Wanderson.

O estudante contou que o motorista não era fixo na linha 12, Mogi das Cruzes – São Sebastião, e que Antonio Carlos tinha poucas viagens com a turma de estudantes que vinham todas as noites para as universidades da Cidade. “Só há 15 dias começou um revezamento de motoristas. O Carlos veio com a gente na terça e quarta-feira e, nestes dias, eu não percebi nenhuma imprudência”, destaca.

Wanderspn segurou na poltrona e abaixou a cabeça, quando percebeu que ônibus ia bater. (Foto: Wanderson/ Arquivo)
Wanderspn segurou na poltrona e abaixou a cabeça, quando percebeu que ônibus ia bater. (Foto: Wanderson/ Arquivo)

Ainda de acordo com o relato de Wanderson, a cada curva, era possível ouvir o barulho do câmbio do veículo, enquanto o motorista realizava tentativas de reduzir a velocidade com a marcha. Com a fugacidade, os demais passageiros notaram o problema e começaram a gritar para todos sentarem e colocarem os cintos.

“Com todos gritando, eu vi que estávamos muito perto do meio-fio da via. Iríamos bater.Eu segurei firme na poltrona da frente e abaixei a minha cabeça. Tudo aconteceu num estrondo”, lembra.

Wanderson ficou preso nas ferragens e, apesar de ter muitas pessoas em cima dele, conseguiu acender a luz do celular e ligar para pedir socorro. “Depois, eu comecei a me esforçar para sair. Eu estava muito preso. Quando consegui, vi que sangrava na cabeça. Sentei na rua e fiquei esperando o resgate. Graças a Deus, com todo o ocorrido, estou bem”.

Para o futuro, Wanderson espera finalizar o curso de engenharia civil na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), e que “Deus conforte o coração dos familiares de todos os falecidos, e que guarde meus amigos em um bom lugar. Este não era o futuro que eles esperavam”, finaliza.

NATAN LIRA