O que o futuro prefeito pode fazer por Mogi - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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O que o futuro prefeito pode fazer por Mogi

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Profissionais falam sobre a Mogi das Cruzes dos próximos quatro anos / Foto: Arquivo

Profissionais falam sobre a Mogi das Cruzes dos próximos quatro anos / Foto: Arquivo

A 100 dias das eleições, a se contar a partir de quarta-feira, foram ouvidos por O Diário profissionais e lideranças ligadas a alguns dos principais temas que devem pautar os debates da sucessão municipal. A reportagem perguntou o que o futuro prefeito pode fazer para melhorar Mogi das Cruzes. Eles apontaram realidades, soluções e ações para tratar das seguintes questões urbanas: Saúde, Educação, Mobilidade e Urbanismo, Meio Ambiente, Cultura e Assistência Social. Entre o que essas autoridades nesses setores sugerem para o futuro prefeito estão a construção de uma maternidade pública, a inserção da ciência e da tecnologia na vida do professor e do aluno, a criação de polos descentralizados de cultura, a contenção da especulação imobiliária às margens dos nossos mananciais e a atenção, real, a grupos vulneráveis como o de moradores de rua.

 

Saúde – por Henrique Naufel

Henrique Naufel, 57 anos Pediatra com mestrado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) / Foto: Edson Martins

Henrique Naufel, 57 anos
Pediatra com mestrado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) / Foto: Edson Martins

Aperfeiçoar a estrutura atual e ampliar o número de leitos de maternidade, sobretudo aqueles preparados para gestações e partos de alto risco, são os principais desafios para quem for administrar Mogi das Cruzes pelos próximos quatro anos, conforme avalia o pediatra Henrique Naufel, mestre em Saúde Pública e coordenador do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

De modo geral, avalia, a Cidade está “razoavelmente bem instalada” quando o assunto é infraestrutura em saúde, sobretudo se comparada aos outros municípios do Alto Tietê. Para o médico, a prioridade do atendimento secundário e terciário, agora, deve ser a maternidade, setor que em Mogi das Cruzes sofre com superlotações sazonais. A criação de, pelo menos, um novo serviço público é fundamental. “Apenas uma maternidade pública em uma cidade com mais de 400 mil habitantes é muito pouco”, avalia.
Atualmente, a Cidade dispõe de apenas uma maternidade pública, a da Santa Casa de Misericórdia, com 38 leitos, e uma maternidade particular, a Mogi Matter, com 85 leitos. São mais 9 leitos de UTI na Santa Casa e mais 10 no Mogi Matter – segundo o hospital, o número de nichos de UTI deve dobrar até o final deste ano.
Naufel também destaca a importância de se melhorar o atendimento ao cidadão que está na outra ponta – o idoso. “Tudo o que vier para melhorar a qualidade de vida nesses dois extremos será muito bem vindo. Com isso, o mogiano poderá envelhecer com mais saúde”, pontua.
Além de investir em infraestrutura, é importante ao novo prefeito ficar atento ao controle de dados epidemiológicos. Isso, ressalta, reflete no controle da mortalidade infantil e da morbimortalidade – impacto das mortes causadas por doenças em determinada população.
Em 2009, Mogi das Cruzes contava com 34 equipamentos públicos de saúde. A previsão da Prefeitura é que, até o final deste ano, a Cidade passe a contar com 68, entre unidades básicas de saúde, unidades de saúde da família, locais de referência e o Hospital Municipal, em Braz Cubas.
Para Naufel, foi um avanço importante, sobretudo porque essa ampliação foi descentralizada, ocorreu em diversos bairros da Cidade. Por conta disso, o médico ressalta a necessidade de manutenção dessa estrutura e da melhora na qualidade do atendimento prestado à população.
O trabalho político para conseguir repasses do Governo Federal e do Governo Estadual para evitar um retrocesso na saúde de Mogi das Cruzes também deve estar entre as prioridades do próximo prefeito. “Manter ou melhorar o que já temos vai depender da conjuntura Federal. A verba para a saúde não vem só da arrecadação do município; ela depende também de outras esferas. Daí a importância de um governo municipal politicamente alinhado”, opina.
E, por falar nisso, Naufel sugere que a possível nova maternidade pública da Cidade pode ser implantada dentro do complexo do Hospital Doutor Arnaldo Pezzutti Cavalcanti, em Jundiapeba. “Aquela é uma região carente da Cidade. O Doutor Arnaldo é um equipamento grande, mas subutilizado”, finaliza.  (Danilo Sans)

 

Mobilidade e Urbanismo – por José Xavier Magalhães



José Francisco Xavier Magalhães, 50 anos. Arquiteto, mestre e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela USP e coordenador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Braz Cubas (FAU/UBC) / Foto: Divulgação

José Francisco Xavier Magalhães, 50 anos.
Arquiteto, mestre e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela USP e coordenador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Braz Cubas (FAU/UBC) / Foto: Arquivo

Quatro anos é um prazo curto para definir e projetar mudanças significativas a longo prazo para uma cidade. As mudanças e projetos, entretanto, são inevitáveis porque, como o crescimento da frota é constante e o número de habitantes aumenta em proporções acima da média brasileira, Mogi das Cruzes precisa pensar em crescer de forma ordenada, sobretudo, em sua periferia. “A mobilidade está ligada diretamente ao desenvolvimento”, afirma o coordenador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Braz Cubas (FAU/UBC), José Francisco Xavier Magalhães.

O próximo prefeito de Mogi terá que lidar com o crescimento, na visão do professor. Este será o principal desafio de quem vencer a eleição no fim do ano. “Há todo um aspecto quando se fala em mobilidade e urbanismo numa cidade como Mogi. Essas áreas trazem impacto econômico e ambiental que geram efeitos por anos. Fato é que uma cidade bem organizada e com regiões definidas tendem a reduzir conflitos entre moradores, comerciantes e indústrias. A mobilidade e o desenvolvimento estão muito ligadas”, afirmou à reportagem.
A década de 1950 foi decisiva na mudança do processo de mobilidade brasileira. As pessoas deixaram de usar veículos por tração animal por veículos mecânicos. Nas décadas seguintes, o Governo Federal priorizou investimentos e incentivos na indústria automotiva nacional. No País, de junho a julho de 2015 foram 163.226 novos carros nas ruas, conforme informações do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Isso equivale a 5.441 carros por dia no Brasil. Ao considerar os 5.561 municípios brasileiros, isso representa quase um carro novo por dia por município.
Este perfil está em mudança de novo. Agora há um público cada vez mais adotando a bicicleta como forma principal de locomoção. A Pesquisa “Perfil do Ciclista Brasileiro”, da Associação Transporte Ativo, mostra que 59,5% (de 5.012 entrevistados, ou seja, cerca de 2,9 mil pessoas) utilizam a bike cinco ou mais vezes por semana para trabalhar ou estudar.
Por causa disso, segundo o professor Xavier, a política das ciclovias deve ser alguns dos pontos priorizados pelo próximo prefeito. “A Cidade tem uma topografia adequada que permite a adoção das ciclovias e a sua expansão. Outra medida é conciliar o Plano de Mobilidade Urbana com o Plano Diretor, de modo a prever o crescimento com novos corredores e facilitar o aumento organizado de Mogi. Não adianta levar as pessoas para longe, para as periferias. É preciso consolidar as áreas já ocupadas, além de ouvir a sociedade civil organizada porque as pessoas moram nos bairros e elas sabem as necessidades que cada local tem de melhoria viária”, sugeriu.
A capital paulista adotou esta ideia de reocupar o Centro. Um exemplo, que foi à final de um prêmio internacional de arquitetura, chama-se “Nova Luz” e pretende levar pessoas para morarem em prédios no bairro da Luz onde hoje existe uma “cracolândia”. A Prefeitura de São Paulo aplicou o projeto, mas os resultados esperados ainda não surgiram. (Lucas Meloni)

Leia a matéria completa na edição impressa de O Diário

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