O êxodo nipônico

Os espanhóis, exímios navegadores, conheciam há muito tempo a região da Terra do Fogo e a passagem que ligava o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico que viria a entrar para os anais da Geografia como Estreito de Magalhães.
Valendo-se de um tal conhecimento, Francisco Pizarro precisou primeiro se certificar de que parte da esquadra espanhola sob seu comando já se posicionara na costa do Império Inca em linha de fogo a fim de que ordenasse a invasão daquele povo excepcional construtor de edificações e estradas:

– O almirante Cordobán já se encontra com nossas naves na localização ordenada?

– Sim, eminência

– Está garantido, então, o cerco litorâneo?

– Impossível que um só desses indivíduos tente bater em retirada sem que o liquidemos, Sr.

– General Martinez, como podes me explicar sucintamente o andamento da marcha de nossas tropas terrestres?

– Sr., as rotas de saída de nosso alvo no momento já se encontram fechadas, tendo tido nosso exército aqui lotado o cuidado de poder fazer o sítio de todas as cidades maiores, normalmente situadas ao norte. Abrimos extensões em flancos, tudo desembocando em um ferrolho que tem por objetivo impedir a fuga pelo sul

– Sendo assim, está decretado o extermínio da face da Terra destas raças que em vão tentaram nos ludibriar!

Na faixa litorânea o canhonaço das naus espanholas punha por terra os milhares e milhares de andróides, enquanto no altiplano andino outro estúpido derramamento de sangue levava a morte a milhões de criaturas inocentes, industriosas

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Quando a água da chuva entra por minúsculos sulcos na superfície dos vários terrenos que compuseram o que foi um dia o Império Inca acabam os pequenos filetes de água mais adiante formando os tributários de importantes rios da Bacia Hidrográfica Amazônica. Jamais antes ali se viu ou se veria ação tão sanguinária como a liderada por Pizarro.

Conta uma lenda que os bolivianos de hoje passam de geração a geração que a terra quis exclusivamente para si todo aquele sangue, assim, tanto quanto derramado foi descendo superfície adentro e, finalmente, desaguando em muitos e muitos lençóis freáticos, foram parar em nascentes como a do Rio Solimões.

A mesma lenda narra que beijando as águas ainda de pouca correnteza de rios assim, o sangue caudaloso, já algo adulterado em razão do contato prévio com a terra e também com a água dava origem a seres ameríndios com olhos bem desenhados e fundos, como haviam sido os de Takao, ou seja, aos índios amazonenses qual os conhecemos hoje, entretanto, assexuados e curumins, ou seja, meninos e meninas de uma beleza até mais esplendorosa que o próprio luar desmedido que se assiste nos céus estrelados da Amazônia. Assim são em muitos milhares esses curumins a quem o destino com requinte de capricho sem paralelo arquitetou, enfim, não a vida que como imigrantes por eles ambicionada, mas aquela que lhes cairia como uma luva, ou também saindo melhor que a encomenda.

Redação

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