O Diário 60 anos: Uma luta pelos trens do subúrbio - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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O Diário 60 anos: Uma luta pelos trens do subúrbio

Cidades, QUADRO DESTAQUE

Jornal assumiu a batalha para impedir que o VLT substituísse as composições do Expresso Leste. (foto: Arquivo)

Jornal assumiu a batalha para impedir que o VLT substituísse as composições do Expresso Leste. (foto: Arquivo)

O jornalista Evaldo Novelini graduou-se em Mogi e, por anos, foi repórter, editor e editorialista deste jornal. Hoje diretor de Redação do Diário do Grande ABC, em Santo André, lembra, neste texto, uma das muitas campanhas empreendidas por O Diário ao longo dos últimos 60 anos.

As campanhas em defesa dos justos interesses da população de Mogi das Cruzes e Alto Tietê talvez sejam a principal característica de O Diário, cujos 60 anos de atuação serão celebrados em 13 de dezembro. A batalha pela duplicação do trecho inicial da Rodovia Mogi-Dutra, até a Rodovia Ayrton Senna, vencida em janeiro de 2002, foi a mais rumorosa, mas está longe de ser a única. Houve uma, inclusive, que virou assunto de interesse universitário: a da manutenção integral da Linha 11 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Corria o fim da primeira década dos anos 2000 quando o governo do Estado cismou que o último trecho do ramal deveria ser substituído pelo sistema de VLTs, os famigerados veículos leves sobre trilhos.

Tudo começou, salvo engano, por volta de 2008. Repórter deste jornal, fui designado para acompanhar uma entrevista coletiva do então deputado estadual Marco Bertaiolli, que viria a ser prefeito de Mogi das Cruzes em duas oportunidades, em 2008 e 2012, exercendo consecutivamente oito anos de mandato. Integrante da base do governo paulista na Assembleia, ele estava empolgado com um projeto que entendia ser revolucionário e melhoraria sobremaneira a mobilidade urbana da Cidade: substituir os trens de subúrbio, a partir de Jundiapeba, pelos VLTs, que completariam o trajeto da Linha 11 até a Estação Estudantes.

Novelini ajudou a demolir VLT com reportagens. (Foto: Arquivo)

Novelini ajudou a demolir VLT com reportagens. (Foto: Arquivo)

Peguei as informações e voltei à Redação. Para ser sincero, nem me dei conta de que estava com uma baita história nas mãos. Se implementada, a medida poria fim a um dos meios de transporte mais eficientes do mundo, que é o feito por trens, e obrigaria os passageiros a uma desnecessária e incômoda baldeação durante as viagens entre Mogi das Cruzes e a Capital. Quem me chamou a atenção foram o Darwin Valente, editor-chefe, e o Tote, Tirreno Da San Biagio (1931-2015), fundador e diretor do jornal. Eles estavam cobertos de razão. A população detestou a ideia ­– que representaria menos conforto, agilidade e segurança ­– e imediatamente se colocou contra ela.

O que, no início, parecia uma cobertura burocrática se transformou em uma das maiores campanhas de O Diário, que encampou a defesa dos trens de subúrbio, aí até hoje. Lembro-me de que o jornal me enviou a Campinas e a Santos para que mostrássemos, aos leitores de Mogi, que projetos semelhantes nessas duas cidades haviam resultado em retumbantes fracassos. De solo campineiro mostramos que as composições e os 7,8 quilômetros de trilhos do antigo VLT, que chegou a funcionar por cinco anos a partir de 1990, acumulando prejuízo mensal de R$ 700 mil, estavam virando ferrugem.

Publicada em 25 de janeiro de 2009, um domingo e um dia antes de técnicos da CPTM apresentarem o projeto à sociedade mogiana, em solenidade realizada no Centro de Cidadania e Arte (Ciarte), a reportagem praticamente sepultou as intenções do governo em substituir os trens de subúrbio pelo VLT.

A repercussão extrapolou os limites da Cidade. Certa tarde, quando me preparava para o trabalho, lembro-me de telefonema de Darwin, que me participava a informação de que um grupo de professores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) aparecera, sem aviso, na sede de O Diário. Encantado com o poder de mobilização do jornal, o grupo de estudiosos queria detalhes de como estruturamos a cobertura que, já àquela altura, abalava as convicções do Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista.



A resistência do Estado à opinião pública mogiana, respaldada pela imensa maioria das entidades da sociedade civil organizada da Cidade, durou ainda alguns meses. Em 5 de maio de 2009, todavia, o então governador José Serra (PSDB), hoje senador da República, convocou os jornalistas da Região para entrevista coletiva. Minhas pernas estremeceram quando o tucano anunciou:

“Da última vez que estive em Mogi prometi que ouviria a população sobre o Expresso Leste. E foi isto que aconteceu: fizemos um plano, ouvimos a população e concluímos que a melhor alternativa é estender a operação do Expresso Leste até Mogi das Cruzes, o que já será uma grande melhoria para toda a população daquela região.”

Estava sepultado o projeto do VLT.

MOGI EM 1957 – Inauguração do Hospital Santana
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naugurado em abril de 1957, o Hospital Santana surgiu de uma proposta dos médicos mineiros Osmar Marinho Couto e Homero Gomes, que conseguiram a adesão de outros profissionais da área. E foram à comunidade em busca de recursos, para subsidiar o empreendimento. Assim, ofereciam títulos de sócio beneficiário. Como contrapartida, os adquirentes desses títulos tinham descontos nas despesas hospitalares. Algo como um convênio, sem incluir honorários dos médicos. A foto, recuperada pelo arquiteto Paulo Pinhal, mostra alguns dentre os primeiros funcionários do hospital. Na descrição da jornalista Vanice Assaz (cujo pai, Samuel Assaz, está ao centro, de terno), “a foto foi feita na rampa do Hospital Santana, logo após sua inauguração. Papai foi administrador dele durante muitos anos, motivo pelo qual viemos morar em Mogi, em 1956, já que ele acompanhou a construção. Na foto, me lembro de algumas pessoas: atrás de meu pai, o Leão, que segundo soube até hoje ainda vai ao hospital quase diariamente. Sob a janela, o senhor Chico, um enfermeiro japonês do qual fui “vítima” muitas vezes. Ao lado do Leão, à direita, está Adolfo Alves Pinto, cuja irmã, Ilda Alves Leone, secretária de meu pai, é a segunda, sentada, da esquerda para a direita. Os dois já morreram. À esquerda do Leão, a Áurea, cozinheira de mão cheia. De pé, à esquerda, Conceição Cunha Sousa. A enfermeira, sentada na murada da rampa, à esquerda, é Anesia Fernandes Nunes”.

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