Novo Série 5 muda pouco no visual - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
Fechar

           AUTOMOTOR

Novo Série 5 muda pouco no visual

Automotor

Dependendo do mercado, um mesmo modelo pode ter uma função diferente. Os sedãs médios, por exemplo, são considerados nos Estados Unidos carros de jovens, sem dinheiro, enquanto no Brasil são os queridinhos da classe média. Há, no entanto, um gênero de automóvel que mantém o mesmo status mundo afora. Esta estirpe é muito bem representada pelo BMW Série 5. Seja onde for, é um carro que empresta prestígio e funciona como sedã executivo. E não é apenas um caso de fetiche.

O segmento de sedãs médios-grandes de luxo exige que os fabricantes estejam sempre no topo da cadeia tecnológica. Como o atual vislumbre de futuro inclui recursos de condução autônoma, este é exatamente o principal foco de novidades da sétima geração do modelo. O Série 5 chega ao Brasil em duas versões, 530 e 540, sempre com a roupagem esportiva M Sport.

As duas configurações se diferenciam tanto pela motorização quanto pelos equipamentos. A 530 é animada por um propulsor 2.0 twinturbo de 252 cv de potência e 35,9 kgfm de torque e a 540 recebe um seis cilindros em linha 3.0 litros twinturbo, que rende 340 cv de potência e 45,9 kgfm de torque. É uma diferença contundente, mas não suficiente para justificar a distância de R$ 75 mil no preço entre as duas: a 530 sai por R$ 314.950 enquanto a 540 custa R$ 399.950.

A 530 já chega bem recheada. Ar-condicionado automático, bancos elétricos, sistema de navegação, conexão wireless com Apple CarPlay, teto solar, acabamento em couro, rodas aro 18, faróis e lanternas em LED, controles de tração e estabilidade, airbags frontais, laterais e de cabeça, sistema de auxílio de estacionamento com esterçamento automático, sensores de obstáculos e câmara de ré.

No caminho da condução autônoma estão o controle de cruzeiro adaptativo, auxiliar de manutenção de trajetória, assistente de mudança de faixa, auxiliar de reequilíbrio após esquivo, sensores de tráfego cruzado e aviso de colisão lateral. Todos estes recursos se combinam para dar parâmetros para o controle de cruzeiro adaptativo.

Além dos 88 cv a mais, o 540 recebe ainda faróis adaptativos, ar-condicionado de quatro zonas, sistema de som Harman Kardon, rodas de aro 19, “head-up” display colorido, revestimento especial no painel, sistema de estacionamento totalmente autônomo, monitoramento noturno, night vision com detector de pedestres e sistema que prepara o carro para o impacto quando o computador concluiu que a colisão é inevitável.

O 540 é um carro confortável, que responde bem a todos os parâmetros estabelecidos. Em ação, acelera forte, não aderna nas curvas e tem um conforto a bordo acima do padrão. Aí é que houve um certo exagero. No habitáculo, não se escuta o motor, a direção com controle eletrônico filtra todas as vibrações do piso e os pneus runflat parecem nem tocar o chão. O carro até tem sensibilidade tátil no volante, mas não deixou nada para quem dirige.

O 540 é um tanto anestesiado e contraria uma forte tradição da marca, de prezar pelo equilíbrio mecânico e dar sempre a última palavra para a engenharia. Só que em vez de engenheiros mecânicos, o veredito parece ter se deslocado para os engenheiros eletrônicos.

Apesar da diferença de preço, a BMW calcula que cada uma das versões vai responder por metade das vendas do modelo. Segundo a marca, nos oito meses finais de 2017, elas devem ficar entre 400 e 500 unidades no total, ou entre 50 e 60 exemplares/mês. Isso recolocaria o Série 5 no topo do segmento. (Eduardo Rocha/AutoPress)



  • Novo visual discreto, quase não se notam mudanças nessa nova geração do  BMW Série em relação a anterior. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Novo visual discreto, quase não se notam mudanças nessa nova geração do BMW Série em relação a anterior. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
  • Novo visual discreto, quase não se notam mudanças nessa nova geração do  BMW Série em relação a anterior. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Novo visual discreto, quase não se notam mudanças nessa nova geração do BMW Série em relação a anterior. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
  • Novo visual discreto, quase não se notam mudanças nessa nova geração do  BMW Série em relação a anterior. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Novo visual discreto, quase não se notam mudanças nessa nova geração do BMW Série em relação a anterior. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
  • Novo visual discreto, quase não se notam mudanças nessa nova geração do  BMW Série em relação a anterior. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Novo visual discreto, quase não se notam mudanças nessa nova geração do BMW Série em relação a anterior. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)

 

Ponto a ponto – BMW 540 M Sport
Desempenho – Na apresentação, a BMW disponibilizou no teste apenas a versão 540, com motorização mais forte. Ele se mostrou rápido nas reações, disponível para acelerações e retomadas e ainda extremamente silencioso. O propulsor é um 3.0 litros twinturbo com seis cilindros em linha, que trabalha associado a um câmbio sequencial de oito velocidades. Gera robustos 340 cv de potência e disponibiliza 45,9 kfgm torque em praticamente toda a faixa de giros, entre 1.380 e 5.200 rpm – cerca de 10% a mais que a sexta geração. Tanto que este trem-de-força promove uma aceleração de zero a 100 em 5,1 segundos, contra os 5,7 do antecessor, apesar de o modelo manter praticamente o mesmo peso. Tem agora 1782 quilos, ou exatos 17 quilos a mais, o que não é muito considerando a quantidade de equipamentos agregados em função dos recursos de direção semiautônoma. Nota 10

Estabilidade – A BMW do Brasil selecionou a suspensão mais esportiva e robusta para o Série 5 no Brasil. O modelo calça pneus runflat de alto calibre – 245 na frente e 275 atrás com aro 18 polegadas no 530 e 19 no 540 – e é construído por um conjunto com braços de alumínio com duplo triângulo sobreposto na frente e multilink de cinco pontos atrás. Não há, porém, qualquer componente eletrônico, como os amortecedores ativos disponíveis em outros mercados. A direção é razoavelmente direta no modo de condução esportivo mas as reações do carro parecem um tanto anestesiadas. É uma configuração funcional para um sedã executivo. Nota 9

Interatividade – A BMW quebrou um paradigma injustificável entre as marcas de luxo alemãs e resolveu adotar a tecnologia de toque na tela multimídia do Série 5. Além do toque direto no monitor, as funções do sistema multimídia podem ser acessadas também pelo clássico botão giratório no console central e também através dos botões do volante multifuncional. Além disso, o modelo conta com “head up” display colorido com diversas informações, reconhecimento de voz e ainda está estreando uma conexão com o Apple CarPlay que dispensa o link por cabo. O painel, em TFT, tem três layouts de acordo com o modo de condução: com detalhes vermelhos no esportivo, brancos no comfort e azuis no econômico. Nota 10

Consumo – O motor 3.0 twinturbo não é famoso por ser econômico. A versão 540 da sétima geração ainda não foi avaliada pelo InMetro. Mas o modelo antecessor, o 535 obteve notas baixas pelos critérios do instituto, com D no geral e D na categoria, com médias de 7,4 km/l na cidade e 10,4 na estrada com gasolina. Não chegam a ser números assustadores, mas também não dão motivo para orgulho. Nota 4

Conforto – Com as janelas fechadas, a qualquer velocidade, o silêncio é absoluto e o mundo fica lá fora. Por dentro, bancos de ergonomia perfeita, espaço generoso para pernas e joelhos, suspensão que absorve completamente os desníveis do pavimento, materiais agradáveis ao contato e som de primeira linha. Nota 10

Tecnologia – Os sistemas de condução autônoma e semiautônoma invadiram o Série 5. Os aparatos monitoram todo o entorno do carro e induzem o motorista à ação correta para evitar acidentes, seja com alertas de colisão ou por atuar diretamente na direção. Há ainda o controle de cruzeiro adaptativo evoluído, que se orienta pelas faixas ou, na ausência de marcações, pelo veículo à frente. Além disso, a interface com os computadores e sistema multimídia do carro ficou mais amigável com a adoção da tecnologia sensível ao toque. Houve evolução também no motor, na suspensão e na construção. Nota 10

Habitabilidade – O interior tem bons recursos de espaço e conforto, envolto em uma atmosfera de requinte sóbrio, sem ostentações. Mas a BMW criou um dilema em relação ao porta-malas. Ele tem capacidade para 530 litros sem estepe ou 390 litros com estepe – a lei permite que o sobressalente seja dispensado porque o carro usa pneus runflat, que podem rodar mesmo furados. O caso é que o momento em que a falta de um estepe pode se tornar um problemão – caso um pneu rasgue -, por exemplo, seria em viagem. Situação em que um porta-malas maior é também desejável. Nota 8

Acabamento – Os materiais empregados, os detalhes de acabamento e a concepção do habitáculo deixam bastante clara a vocação de sedã executivo do Série 5. Tudo com boa qualidade mas sem luxos abusivos ou fetiches autoafirmativos extravagantes. Nota 9



Design – É preciso estar bem atento para diferenciar o Série 5 de sétima geração do de sexta. Ou mesmo diferenciá-lo de outro sedã da BMW. Em relação a linhas, vincos e volumes, o Série 5 é apenas equilibrado. Mas não tem traços de ousadia ou personalidade marcante. Nota 6

Custo/Benefício – O 530 tem preço inicial de R$ 314.950 e é o carro designado para brigar com o Mercedes-Benz E250, que tem exatamente os mesmos recursos de condução semiautônoma. Já o 540 tem pouco além da motorização mais forte para justificar o preço de R$ 399.950, ou R$ 75 mil a mais. Dentro do segmento, são os preços praticados no mercado brasileiro e ficam coisa de 80% mais caro que na Europa. É duro ser rico no Brasil. Nota 5

Total – O BMW 540 M Sport somou 81 em 100 pontos possíveis.

Compartilhe nas redes sociais...Share on LinkedInTweet about this on TwitterShare on FacebookShare on Google+Email this to someone