Novo Ford Edge abusa de recursos - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Novo Ford Edge abusa de recursos

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O Ford Edge mudou o estilo, a plataforma e a vocação. Na geração anterior, a primeira, de visual mais pesado, a montadora direcionava a briga para o segmento de utilitários esportivos grandes, como Mitsubishi Pajero Full, Chevrolet Trailblazer e Toyota SW4. Agora o alvo é outro: os crossovers mais luxuosos, como BMW X5, Range Rover Evoque e Volvo XC90. Para contrabalançar o valor atribuído às marcas premium e ter alguma vantagem competitiva, a Ford tratou de refinar o visual e rechear seu crossover com um verdadeiro arsenal tecnológico. O Edge passa ser oferecido nas concessionárias da marca em agosto por R$ 229 mil, ou R$ 239 mil com teto solar panorâmico e telas de LCD nos encostos de cabeça para o banco traseiro.

À primeira vista, o Edge tem boas condições de brigar no andar de cima. Principalmente porque, interna e externamente, é um veículo atraente. O acabamento do crossover é muito bem cuidado, com materiais de boa qualidade. As linhas externas também são mais refinadas. Elas guardam alguma semelhança com o estilo do EcoSport, principalmente na frente, mas com um pouco mais de ousadia, especialmente no caimento da coluna traseira, bem inclinada. Mas acima de requinte e beleza, a Ford aposta na eletrônica para emplacar seu crossover.

Boa parte da tecnologia injetada no Edge tem como tema a segurança. E pelo menos dois desses recursos são inusitados por aqui. O primeiro é a câmara frontal com visão de 180º, que projeta no console central a imagem do que está à frente do carro, para uma saída de vaga ou um cruzamento sem visibilidade. O próprio motorista aciona o dispositivo, que só funciona em baixas velocidades. O outro são os cintos traseiros infláveis, que se unem aos oito airbags “normais” – frontais, laterais, de joelhos para os dois passageiros da frente e de cabeça. Em caso de impacto, este sistema ameniza as lesões por impacto dos ocupantes contra o cinto.

A lista dos recursos de segurança é realmente longa. Ela inclui controle de cruzeiro adaptativo, alerta de proximidade para o veículo da frente, monitoramento de faixa e de ponto cego, farol alto automático, além de óbvios freios ABS e controles de tração, estabilidade e de partida em rampa. O Edge também recebe um forte apoio eletrônico para a condução. Caso da direção elétrica com assistência dinâmica, que muda a relação da direção com as rodas – em baixas velocidades, é preciso girar menos o volante para alcançar um ângulo maior de esterçamento. Há também o sistema de estacionamento automático para vagas perpendiculares ou paralelas, além de sensores de obstáculos de 360 graus e câmara de ré.

Há ainda pequenos confortos que tornam o convívio com o Edge um pouco mais prazeroso, como o sensor de movimento sob o carro para abertura e fechamento da tampa do porta-malas, bancos com aquecimento, sendo que os dianteiros têm também refrigeração, sensores de luminosidade e de chuva, luz ambiente com sete configurações de cor, abertura das portas através de código numérico, chave presencial para travas e acionamento do motor, freio de mão elétrico com liberação automática, bancos e volante com ajustes elétricos com memória e até vidros laminados nas laterais para reduzir o ruído interno.

A Ford decidiu manter o mesmo propulsor que equipava a primeira geração. E teve alguns motivos para isso. Um é que simplifica a vida da marca e seus concessionários, que podem manter a mesma base de peças de reposição. Outro é que a opção de trazer o Ecoboost 2.7 litros da versão Sport, de 315 cv, encareceria muito o carro. Então, o V6 3.5 litros de 284 cv de potência e 34,6 kgfm de torque era o único que aproxima o Edge do desempenho oferecido pelos rivais – a não ser pelo Evoque, que tem 240 cv, todos têm em torno de 300 cv.

Quando ensaiou entrar na briga dos crossovers de luxo, a partir do “face-lift” de 2012, o Edge conseguiu emplacar em torno de 250 unidades mensais. Agora a Ford não se arrisca em definir um volume de vendas, mas a proposta de atuar diretamente no mercado de luxo pode ser bem eficaz. Afinal, a crise é sempre mais amena no topo da pirâmide. (Eduardo Rocha/AutoPress).

  • Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
  • Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
  • Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
  • Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
  • Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)
    Totalmente equipado, com opcionais de teto panorâmico e telas de LCD para os bancos traseiros, o Edge custa R$ 239 mil. (Foto: Eduardo Rocha/ AutoPress)

 

Ponto a ponto – Ford Edge V6 3.5 AWD
Desempenho – O zero a 100 km/h em menos de oito segundos dá bem a ideia de como o motor 3.5 de 284 cv lida bem com as duas toneladas do Ford Edge. Em uma condução mais calma, o V6 funciona de forma bem suave e harmônica. Mas quando se exige um pouco mais, seja em uma retomada ou numa tocada mais esportiva, o câmbio de seis marchas demora a interpretar as intenções do condutor. Depois que entende, porém, o crossover se vale de seus quase 35 kgfm de torque e ganha bastante agilidade. A máxima limitada a 180 km/h é coerente com a proposta do carro. Nota 8



Estabilidade – Além dos aparatos eletrônicos, o Edge se apoia nos pneus larguíssimos – 245/50 -, nas rodas de aro 20, na estrutura 25% mais rígida que a primeira geração e no sistema de tração integral “on demand”. A sensação ao volante é de se conduzir um sedã como o próprio Fusion, com que compartilha a plataforma. O compromisso entre conforto e estabilidade é bem cumprido pela suspensão, com McPherson na frente e multlink atrás. Nota 9

Interatividade – Boa parte da eletrônica embarcada no Edge é dirigida ao que a Ford classifica como direção semi-autônoma. Isso se aplica ao controle de cruzeiro adaptativo e estacionamento automático, por exemplo. Mas também diz respeito ao sistema multimídia com comandos de voz Sync com navegador GPS, aos sistemas de monitoramento e até ao painel em LCD configurável. O câmbio de seis marchas com borboletas no volante e o próprio volante multifuncional com nada menos que 23 comandos diretos trazem para a ponta dos dedos praticamente todas as funções do carro. Nota 10

Consumo – O novo Ford Edge ainda não aparece nas medições do InMetro. Na avaliação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, ele obteve oficialmente a média de 8,5 km/l, consumo que deve aumentar consideravelmente por conta da gasolina contaminada com etanol vendida no Brasil. Para um carro com duas toneladas de peso, não chega a ser alarmante. Nota 7

Conforto – A boa vida a bordo é uma das maiores apostas da Ford para emplacar o Edge na briga com modelos de luxo. São pequenas modernidades que vão desde o sistema de estacionamento automático até o controle de cruzeiro adaptativo, passando pela abertura e fechamento da tampa da mala por sensor de movimento. Os bancos elétricos climatizados têm ergonomia perfeita e parecem e merecem até ser classificadas como poltronas. A suspensão absorve as imperfeições do piso e o ruído fica realmente do lado de fora. Nota 9

Acabamento – Os materiais são todos de boa qualidade e a montagem é bem-feita. O aspecto geral é extremamente agradável, com revestimentos de bom gosto ao misturar plásticos brilhantes, frisos em alumínio e cromo, couro e plásticos emborrachados. A iluminação interna indireta, configurável em sete cores, cria um ambiente elegante, embora sem requinte. Nota 8

Tecnologia – O modelo foi lançado no ano passado nos Estados Unidos e Europa e está atualizado com o que a Ford tem de melhor em eletrônica e auxílio à condução. A plataforma, a mesma dos sedãs Fusion e Taurus, tem 25% a mais de rigidez em relação à primeira geração. Apenas o motor, um V6 aspirado de 3.5 litros, não está entre os mais modernos da marca. Nota 8

Habitabilidade – O espaço para pernas e cabeça no habitáculo do Edge é generoso em qualquer um dos assentos. A largura avantajada do modelo permite até que três adultos viajem atrás sem maiores apertos. A boa altura interna cria uma sensação de amplitude, que é melhorada na presença do teto panorâmico opcional. O ótimo porta-malas, com 602 litros até a altura do vidro, permite concentrar todas as traquitanas típicas de uma viagem em família. Nota 9

Design – O visual do Edge mudou radicalmente. Ele abandonou as linhas extremamente robustas da primeira geração – do conceito Bold Design – e adotou uma estética mais elegante, com traços mais rápidos, apesar de manter a imponência. No interior, o estilo é sóbrio e elegante. Nota 8

Custo/benefício – O Edge, a partir de R$ 229 mil, não é um modelo acessível. Mas a Ford se baseia exatamente no fato de oferecer muito conteúdo por um preço próximo ao de rivais premium para cavar um lugar no mercado de crossovers/SUVs de luxo. De fato, em marcas como BMW, Audi, Land Rover e Mercedes-Benz, um carro com dimensões e conteúdo semelhante vai sair por mais de R$ 300 mil. Na briga, o Edge representa uma opção mais racional dentro de um segmento comandado pelo status e pelo glamour. Nota 8



Total – O Ford Edge somou 84 em 100 pontos possíveis.

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