Nos falta muito pouco - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDITORIAL

Nos falta muito pouco

Editorial

Nos tempos da República Velha, período compreendido entre a proclamação de 15 de novembro de 1889 e a revolução de 1930, que colocou abaixo a hegemonia da política do café com leite, dizia-se que “cidade para ser cidade tem de ter padre, farmacêutico e delegado”. A política do café com leite era aquela que intercalava, na Presidência, representantes da leiteira Minas Gerais e da cafeeira São Paulo.

Pois no mundo do terceiro milênio, em que a globalização força as comunidades pequenas e médias a unirem-se para identificar suas vocações, Mogi das Cruzes é, por certo, daquelas cidades para as quais falta muito pouco.

Senão vejamos: na Mogi de 430 mil habitantes registramos, hoje, um índice de desenvolvimento humano de 0.789 (era de 0.566 em 1990), acima da média brasileira, que é de 0.754. Segundo o Atlas de Desenvolvimento Humano do Brasil, figuramos na média alta.

Na avaliação dos índices educacionais, a Cidade evoluiu mas de 50%. Em outros focos a evolução é igualmente animadora: temos energia elétrica, água encanada e coleta domicilar de lixo em 99% dos domicílios. A taxa de mortalidade infantil, de 31,71 em 1991, caiu para 12,23. E a porcentagem de mães com menos de 17 anos reduziu-se pela metade: era de 2,06 e agora é de 1,73.

Mais números? Vamos lá: como em todos os censos anteriores, o último realizado no Brasil (2010), apontou uma leve predominância das mulheres, da ordem de 3%. O que significa que Mogi tem, hoje, perto de 12 mil mulheres a mais do que homens.

Pois então, se temos quase tudo – saneamento, habitação, educação, saúde – o que nos falta? Impossível ignorar que seguimos como microcosmo de uma Nação de 208 milhões de habitantes, recordista em contrastes sociais. Aí estão, para nos confirmar, bairros como Jundiapeda e Vila Oliveira; conjuntos residenciais como os do Mogilar e do Jardim Aeroporto.

O que nos falta, na essência, é o compromisso comunitário. Também uma herança: enquanto os Estados Unidos eram colonizados por quakers e outras elites inglesas, a nós vieram os donatários de capitanias. Enquanto lá se construia um País, aqui se buscava a extração de ouro e Pau Brasil. Não teria de ser assim; afinal, tanto lá como cá os colonizadores chegaram no século XVI vindos da Europa.

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