Necrim de Mogi já atendeu 40 casos - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Necrim de Mogi já atendeu 40 casos

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Delegado Biló mostra os planos para o setor. (Foto: Arquivo)

Delegado Biló mostra os planos para o setor. (Foto: Arquivo)

LAÉRCIO RIBEIRO
Em três meses de atividades, o Núcleo Especial Criminal (Necrim), localizado na Rua Duque de Caxias, no Centro de Mogi das Cruzes, já atendeu a 40 casos de conciliação relacionados a acidentes de trânsito com vítimas de lesões, conforme revela a O Diário o diretor da unidade, o delegado Luiz Roberto Biló. Segundo ele, “somente em um caso as partes não quiseram se conciliar, optando pelo processo normal”. O índice de ocorrências solucionadas no período leva a autoridade a destacar que o Necrim de Mogi ficou na estatística estadual apenas abaixo do setor na Capital, onde há maior estrutura, efetivo e conta com três delegados de Polícia. “O nosso trabalho foi altamente positivo e realizado praticamente em dois meses, pois após a inauguração, em abril, cuidamos da parte técnico-jurídica, e já em maio agendamos as audiências com os envolvidos em acidentes de trânsito. Fizemos 40 audiências e em 39 formalizamos as conciliações”.

O sistema colabora com o serviço de Polícia Judiciária e favorece as partes. “Costumo dizer que em razão da conciliação, não se pode dizer que alguém sai daqui perdendo. No Necrim, não há perdedor, só ganhador. O acidente, infelizmente, acontece, há vítimas lesionadas e danos nos veículos. A ocorrência é registrada nas delegacias de Mogi e depois encaminhada para o Necrim, onde é feita a composição. Os lesionados concordam em receber os danos nos seus carros dos culpados pela colisão, enquanto estes se contentam a não ser processados pela Justiça. Eles pagam a indenização para não serem processados. Na realidade, todo motorista sabe e reconhece que foi o responsável pelo acidente”, explica Biló. A dinâmica é semelhante aos países denominados de ‘Primeiro Mundo’. Para o delegado, “com as conciliações já proporcionamos uma economia ao Estado de R$ 94.789,00, pois já é certo que o trâmite normal de um processo na Justiça custa R$ 2.369,70 para a administração pública”.

Além do mais, ele diz que “as pessoas saem do Necrim orientadas sobre como evitar acidentes e das responsabilidades de um motorista à frente do volante de um veículo, além de receberem uma apostila. “Estamos planejando proferir palestras sobre o trânsito e já contamos com o apoio do delegado seccional Marcos Batalha”. Está na meta do coordenador do Necrim, ao completar um ano de atividade em Mogi, “fazer o mapeamento do trânsito na Cidade em termos de acidentes, como já existe o mapa da criminalidade. Nós já sabemos sobre algumas vias mais perigosas, mas ainda é bom não divulgar, pois esse projeto será realizado com a participação das Polícias Civil e Militar, Prefeitura de Mogi das Cruzes e a Câmara Municipal”. Com o passar do tempo, o delegado Biló planeja ainda estender o atendimento do Necrim a outros tipos de ocorrências, como ameaças de morte e lesão corporal dolosa (com intenção). Ele afirma que “chamando os envolvidos à audiência no Necrim, com certeza, poderemos evitar a prática de homicídios após as devidas orientações”.

Os policiais do Necrim, de acordo com a autoridade, “são especializados e participantes de diversos cursos justamente para ajudar a compor as audiências sempre presididas por um delegado”. Advogados dos envolvidos também estão juntos na hora da audiência. “Se uma das partes não tiver, a gente arranja um advogado, tudo tem que ser feito dentro da legislação, com transparência total”. O Necrim tem como objetivo a celeridade processual, de desafogar o Poder Judiciário na solução de conflitos de menor potencial ofensivo e presta atendimento social. As conciliações revisadas pelo Ministério Público são homologadas por um juiz. Casos de desastres no trânsito com vítimas fatais já viram inquéritos sobre Homicídio Culposo (sem intenção) nas Delegacias e as ocorrências de acidentes, mas sem vítimas de lesões, não são atendidos no Núcleo Criminal.

O Necrim funciona no imóvel adaptado às condições do seu trabalho. As paredes são pintadas de branco, nada lembra o prédio de uma Delegacia e não há ostentação de armas por parte da equipe. “Cuidamos de fazer acesso a portadores de deficiência física e para idosos. Tudo opera num clima de tranquilidade e a audiência é filmada”, garante o delegado. Ao concluir, ele conta que “surgem nas audiências fatos curiosos. Em uma audiência, uma senhora idosa, vítima de acidente e que ainda está se recuperando dos ferimentos, simplesmente falou ao motociclista que a atropelou no Centro Mogi: “Eu não quero nada: apenas que o rapaz me peça desculpas”.

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