Morre a carateca Teresa Sezaki, aos 90 anos

Tereza também  escrevia artigos para O Diário. (Foto: Academia Furlan/Reprodução)
Tereza também escrevia artigos para O Diário. (Foto: Academia Furlan/Reprodução)

ELIANE JOSÉ
A carateca e agricultora Teresa Tocie Sezaki faleceu neste domingo (8), em Mogi das Cruzes. Aos 90 anos, ela morava no Distrito de Jundiapeba. O corpo será velado no Velório Cristo Redentor e o sepultamento será nesta segunda-feira (9), às 14 horas, no Cemitério da Saudade.

Dona Teresa escrevia artigos para o jornal O Diário, com temática sempre ligada à experiência da mulher do campo, que se alfabetizou tardiamente e se encontrou no esporte, também depois da maturidade (confira abaixo um desses artigos).

Faixa preta da família Kyokushin Oyama, ela representou a academia mogiana em diversos campeonatos e foi convidada para conhecer os principais mestres desse esporte no Japão. Apresentou-se diversas vezes em programas de televisão, onde a mulher de aparência frágil, de estatura baixa e olhos vibrantes surpreendia ao estraçalhar materiais como madeira e tijolos. Até pouco tempo atrás, frequentava a Academia Kyokushin Oyama, de propriedade do vereador Marcos Furlan, as atividades do Pró-Hiper e chamava a atenção das pessoas ao ir e vir de Taiaçupeba a Mogi das Cruzes de ônibus.

Artigo: As formigas têm cabeça
Teresa Tocie Sezaki

Eu fico olhando as formigas, e vejo como elas usam a cabeça. O pulgão, que ataca a couve também. Uma vez, eu plantei a couve manteiga. Fazia frio e eu agüei diriamente. Com o sol quente, as mudas não agüentaram e murcharam. Mas, eu continuei cuidando e, aos poucos, elas foram crescendo. Saíram os brotos, um a um. Eu fiquei contente, mas, infelizmente, num dia de calor, vieram os bichinhos, os pulgões. Eu descobri e fui matar o bichinho. Eu precisei usar o veneno, mas como eles usam a cabeça, eles ficaram embaixo das folhas, como se elas fossem um guarda-chuva. Eles não morreram e, quem acabou no final, foram as folhas, queimadas pelo veneno. Eu também observo, nestes últimos anos, como as formigas usam a cabeça e mudam. Olho elas carregando as folhas do pé de limão que, num instante, fica peladinho. Eu olho as formigas, pai e mãe levam as folhas maiores; e os filhinhos, as menores. E quando cai uma folha, as formigas voltam a carregá-la até chegar ao ninho. De repente, vem um trovão, e as formigas, parecem, têm bons ouvidos, porque correm mais rápido para chegar até o ninho. Na porta, tem uma formiga que é o chefe, e que só deixa entrar as formigas com folhas de limão. Nesse dia, como o ninho da formiga fica longe de casa, eu tomei toda aquela chuva, mas valeu a pena conhecer a vida dessa trabalhadora. Eu fico olhando esses insetos, e vejo a inteligência da formiga e o pulgão. E, assim como eles, a gente também precisa usar a cabeça para ficar inteligente, para melhorar o futuro nosso e do Brasil. E olhando a natureza, a gente aprende muito.