Mogi se despede de Elvira Simões, aos 86 anos - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Mogi se despede de Elvira Simões, aos 86 anos

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Fundadora da Estância Renascer Manuel e Maria foi sepultada nesta segunda-feira. (Foto: Arquivo)

Fundadora da Estância Renascer Manuel e Maria foi sepultada nesta segunda-feira. (Foto: Arquivo)

ELIANE JOSÉ
Fundadora da Estância Renascer Manuel e Maria, a mogiana Elvira Benedicta Simões faleceu no início da noite de domingo, aos 86 anos, na casa onde residia, na Capital, de complicações respiratórias. Matriarca da família Simões, ela homenageou os pais, Manuel Moraes e Maria da Conceição Rodrigues, quando construiu a casa de assistência a idosos, em César de Souza, uma obra social dedicada ao abrigo de idosos carentes e sem familiares, localizada no Distrito de César de Souza. A instituição completou 18 anos, em agosto passado.

O corpo foi velado no Cemitério Parque das Oliveiras, onde foi enterrado ontem, às 14 horas, na presença de amigos e familiares.

Elvira Simões concedeu uma de nossas entrevistas de domingo, publicada em maio de 2004. Foi quando compartilhou a trajetória da mogiana nascida em uma pequena vila de casas, no Parque Monte Líbano, e que não admitia críticas à cidade natal. “Costumo dizer que Mogi só é feia para quem não sabe ver”, dizia.

Ela estudou nas escolas “Aprígio de Oliveira” e “Washington Luís”, e trabalhou desde cedo, como condiz aos descendentes de imigrantes portugueses. Aos 10 anos, ajudava o pai na contabilidade de um armazém mantido pela família no Distrito dos Remédios, em Salesópolis. Era filha única.

Aos 15 anos, cursou corte e costura e começou a fazer aquilo que a tornaria conhecida: foi costureira e também vendia enxovais de bebês vindos da Ilha da Madeira, em Portugal. Casou-se em 1955 com empresário Julio Simões [1928-2012], com quem teve oito filhos: Júlio, Jussara, Solange, Marita, Fernando, Geraldo, Rodrigo e Paulo, e 11 netos.

Em 1999, concretizou um antigo projeto: a inauguração de uma casa para idosos, numa bem estruturada propriedade, localizada em César de Souza. Desde a abertura, a Estância Renascer Manuel e Maria atende idosos desamparados ou sem vínculos familiares, e tem sido um dos exemplares projetos sociais de Mogi das Cruzes. Tendo como mantenedor, o Instituto Julio Simões, do grupo JSL, fundado em 1956 em Mogi das Cruzes, a entidade é tocada por meio de subvenções e parcerias. O Instituto Julio Simões continuará à frente da instituição.

Amor
Desde os tempos da obra, dona Elvira foi assídua dirigente do espaço, onde era comum encontrá-la até pouco tempo atrás, quando as condições de saúde escassearam as visitas.

“A dona Elvira empregou na Estância Renascer, não só o trabalho, o dinheiro necessário para abrir uma obra social. Ela empregou amor. Esse é um dos diferenciais da atuação dela no terceiro setor”, afirmou Solange Parada, do Instituto Terra Projetos Comunitários, um dos parceiros em atividades desenvolvidas no endereço, como as festas que costumam reunir moradores idosos, jovens e crianças de outras casas institucionais.



Com instalações e um projeto assistencial que inclui a saúde física e psicológica dos atendidos, a Estância Renascer é tida como um dos melhores exemplos sociais da Cidade.

“A visão de dona Elvira foi exemplar e inspiradora, e fugiu de uma regra: em geral, as instituições são abertas e mantidas por pessoas em situação financeira precária, pessoas que até viveram dificuldades semelhantes às dos assistidos. Nesse caso, não, foi alguém de uma boa condição social que decidiu abrir uma entidade e cuidou para que ela fosse um modelo de atenção ao idoso. E a casa sempre foi um referencial”, acrescentou Solange.

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