Mentira

Em junho de 2013, de forma inesperada para a maioria dos brasileiros, houve manifestações populares, cujo móvel principal era a resistência contra o aumento do preço dos transportes coletivos. É claro que em planos secundários, mas, não menos importantes, estavam a insatisfação com a corrupção (que já vinha martelando os escolhidos em 2001, desde o mensalão), a falta de competência com a questão da educação e, para ficar por aqui, a falta de atenção com a saúde e a segurança públicas.
Com efeito, nadando de braçada num período que, mercê de conjunturas internacionais, o Brasil, que vinha de um plano econômico bem montado e respaldado por legislação simultaneamente criada para por freios à perdulariedade, foi entregue – e aqui reconheça-se a legitimidade dessa passagem, eis que, eleitoralmente limpa –, ao grupo que resolveu planejar certa perpetuidade.

A vitória desse grupo foi recebida pelo brasileiro, de um modo geral, com respeito e emoção. Na maioria das pessoas se podia perceber um assentimento quanto ao resultado do pleito, a confiança de que era legítimo o verdadeiro ajuste de contas dos menos favorecidos contra as elites  e a emoção causada pelas lágrimas do operário vencedor, pareciam sinceras e originais. Militava, também a seu favor, a presença à sua volta de importantes nomes, que o ajudavam desde seu surgimento e que atuaram como fundadores do partido, apanágio do grupo.

No entanto, a verdade é que as mistificações logo surgiram, ou evocando mentirosa herança maldita ou desdizendo a plataforma eleitoral, ao conceder benesses sem a mínima contrapartida. Ao mesmo tempo, passou a aparelhar o Estado e, até onde conseguiu , os Estados-membros. O seu principal, no afã de se tornar líder tupiniquim extramuros, praticou benesses internacionais e quando ocorreu o primeiro escândalo, lavou as mãos, deixando alguns “companheiros” falando sozinhos, pois, saiu-se com a marca que se tornou seu registro: “Eu não sei de nada!”. Mentira, sabia sim.

Os meios de comunicação cravaram uma expressão para o fato de os desmandos (benesses concedidas que não eram senão corrupção pura), nunca o alcançarem:  diziam-no blindado. Conseguiu, como na sua própria dicção, “ eleger postes “, através de mistificações, isto é, de mentiras. A sucessora, vale dizer, o poste, na continuidade programática do grupo, foi incompetente, inclusive nas mistificações. Suas magias econômicas ruíram. Está-se pagando o preço. Vieram então novas manifestações.

Só que o móvel agora é bem claro, querem-na – e ao grupo –, fora. Esse tema esteve em primeiro plano neste domingo, secundado por repúdio à corrupção, que, no entanto, é a causa de tudo o mais. E o que a generalidade das pessoas sabe, infelizmente, é só uma fresta. A manifestação de março passado foi maior, mais ruidosa. O governo através de desastrados porta-vozes deu, àquela, respostas não convincentes e tomou meias atitudes insuficientes. Como tenha sido menos numerosa a passeata deste domingo , as autoridades, possivelmente, ficarão no que declarou o Vice-Presidente: “Temos que estar atentos às manifestações populares e atendê-las.”. Para quem viu os dizeres das faixas nas passeatas, essa declaração é bem sintomática.

Ainda na passeata outra faixa dizia: “A mentira tem perna curta, nove dedos e língua presa!”.

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