Laura - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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           EDUARDO MOREIRA

Laura

Eduardo Moreira

Há um título que encontrei entre os primeiros que cogitei servirem para estas crônicas semanais. A anotação diz: “Laura, a estonteante miss…”. Da mesma maneira que tinha ocorrido quando fiz a anotação, ao reencontrar esse título deslumbrei-me com a recordação da sua rara beleza e simpatia. E não ficava só nisso, era um pedaço de mulher dessas de fechar o comércio, não sendo à toa que, dizia-se – mesmo ela nunca tendo confirmado – , pouco antes de prestar vestibular na UBC, tinha sido eleita miss na Capital do seu Estado de origem. Não vou ficar tentando, com minha limitada capacidade descritiva, formar um retrato, uma pintura ou escultura daquela malemolência toda, impossível de ser imaginada em toda sua exuberância, sem que o seja ao vivo e em cores.

Não vem ao caso o ano, mas essa moça de, então, aproximados vinte anos, prestou vestibular na UBC, objetivando o curso de direito. Naquela época – não sei como é agora –, o vestibulando indicava o curso que desejava cumprir em primeira opção, – posto que o vestibular era unificado para um número bem grande de cursos –, mas apontava, também, uma segunda opção. Isso era prático e possível porque um certo número de cursos tinha o primeiro e, não raras vezes, o segundo semestre com as mesmas matérias e cargas horárias e, do terceiro semestre em diante, era comum por causa de desistências, surgirem vagas no curso da primeira opção, e assim pleiteava-se a transferência.

Ela, no entanto, uma vez tendo podido se aproximar de um dos donos da mantenedora da Universidade, porque tornara-se companheira de viagem de três alunos do curso de direito que eram funcionários graduados da receita federal, pediu-lhes que intercedessem junto ao tal diretor para que sua transferência para o curso que pretendia, o de direito, não tivesse que aguardar por um ou dois semestres. Isso foi feito e o diretor a recebeu em seu gabinete e a instruiu para que, ali mesmo e de próprio punho requeresse o que desejava. O requerimento não saiu. O diretor então, tendo em vista quem intercedia e talvez alguma coisa a mais, determinou à secretaria do curso que trouxesse o formulário próprio para aquela finalidade, no qual era só necessário o preenchimento de espaços vazios para serem anotados nome, qualificação, número de matrícula, data e assinatura, o que foi feito por ela.

Começou a frequentar o curso de direito e em consequência, tornou-se minha aluna, passando a ter comigo convívio amiudado. Foi assim que pediu-me para arranjar-lhe um emprego. No íntimo me dispus a isso, mas, por troça (perde-se o amigo, mas, não se perde a piada) eu disse a ela o seguinte: “Foi muito bom você me falar nisso, porque, hoje mesmo, me ocorreu que na cidade de São Paulo, onde você está morando, há muitas placas com nomes de ruas escritos com erros e isso precisa ser arrumado. Conheço o chefe desse serviço e vou falar com ele.”. Em seguida exemplifiquei, que sendo a “rua São Bento”, uma rua só, “são” está errado deve ser “rua É Bento”, porque “são” é plural; o mesmo com a avenida São João. Ela pareceu um pouco incrédula, mas, nada comentou. Mais tarde, no intervalo das aulas, encontrei-me com o professor de português, que sorridente me interpelou: “Eduardo, o que você inventou pra Laura que ela veio me perguntar se é correto escrever  “rua da Consolaé”?

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