JAC T5 pode ser uma possibilidade

Quando estreou no Brasil, em 2011, a JAC Motors investiu pesado em marketing. Propagandas em horário nobre, inauguração de 50 concessionárias no mesmo dia e até a promessa uma fábrica em Camaçari, na Bahia, foram alguns dos chamarizes. Após cinco anos, o cenário é bem diferente do idealizado. A fábrica da marca chinesa não saiu do papel. A forte retração do mercado diminuiu exponencialmente as vendas e obrigou a fabricante a mudar suas aspirações. Se antes o foco era nos carros populares, a JAC decidiu entrar no segmento menos afetado pela crise, o de SUVs. Primeiro com o T6 e agora com o T5, que chegou em março deste ano, custando R$ 59.990 na sua versão mais básica.

Definido como o primeiro JAC a ser produzido na fábrica brasileira da cidade baiana de Camaçari, que agora tem previsão de estrear em 2017 e com capacidade de produzir 20 mil unidades em vez de 100 mil, o T5 utiliza um motor flex 1.5 16V VVT acoplado ao câmbio manual de seis marchas em todas as versões. A opção de câmbio automático CVT ainda não foi disponibilizada. Na teoria, os preços começam em R$ 59.990 na versão básica, passam pelos R$ 66.690 da intermediária e chegam aos R$ 70.690 da atual versão “top”, batizada pela JAC Motors de “pack 3”. Na prática, só a opção mais cara e completa é encontrada nas lojas.

Seu principal trunfo é ter sua versão topo de linha com preços equiparados aos de seus concorrentes nas versões mais básicas – Renault Duster e Ford Ecosport -, o que torna o SUV compacto da marca chinesa uma possibilidade interessante. A marca acredita que possa também roubar clientes de modelos urbanos com pretensões “aventureiras”, como Citroën Aircross, Renault Sandero Stepway, Hyundai HB20X e Volkswagen CrossFox. É provável que o T5 também incomode os compatriotas Chery Tiggo e Lifan X60.

De série, a versão Pack 3 traz ar-condicionado digital automático, vidros elétricos nas quatro portas, trava central e retrovisores elétricos, alarme antifurto, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, sistema Isofix, sensores de estacionamento, abertura interna do porta-malas e do tanque de combustível.

Complementam ainda os ietns de série no JAC T5 computador de bordo, faróis com regulagem elétrica de altura e acendimento automático, banco traseiro bipartido 60/40, banco do motorista com ajuste de altura, rodas de liga leve aro 16, faróis de neblina dianteiros e traseiros, rack no teto, assistente de partidas em rampas, controle eletrônico de estabilidade, bancos revestidos em couro, kit multimídia com “mirror link” e tela de oito polegadas e câmara de ré. Não há opcionais e nem mesmo a cor metálica é cobrada;

De fora, o porte do T5 impressiona. A sensação de que se trata de um carro de um segmento superior intriga algumas pessoas. O símbolo da JAC na dianteira também pode gerar desconfiança. Ao volante, o SUV compacto da JAC é honesto. Não há grandes retomadas ou acelerações incríveis. O carro responde bem aos comandos, sem exageros. A média de 6,5 km/l com etanol é compatível com o segmento, ainda mais por se tratar de um carro pesado.

Ao volante, o T5 transmite a segurança necessária para se fazer curvas um pouco acima da velocidade. O controle de estabilidade de série ajuda nesse fator. O câmbio de seis marchas, apesar de bem escalonado, não possui engates tão bons e faz um barulho incomodo ao engatar as marchas. Os freios (com discos ventilados na frente e sólidos atrás, além de ABS e EBD) possuem ótima modulação e dão conta – com sobras – de parar o carro. O isolamento acústico é compatível com carros do segmento, mas poderia ser melhor. A direção elétrica tem o peso correto durante manobras e não é molenga demais com o carro em movimento.

O espaço interno é digno. Achar a melhor posição para dirigir não exige muito esforço. Falta apenas a regulagem de profundidade da caixa de direção. Os bancos são confortáveis e oferecem bom apoio lateral. O maior destaque fica mesmo para o porta-malas. São 600 litros de capacidade, que ajudam a carregar toda a bagagem da família, principalmente se ela for grande. No geral, a impressão é que o SUV pode ser uma boa alternativa para o consumidor brasileiro. (Fabio Perrotta Junior/AutoPress)

 

Ponto a ponto – JAC T5
Desempenho – O T5 não esbanja potência, mas também não sente falta dela. O motor 1.5 flex de 127 cv, quando abastecido com etanol, empurra os 1.210 quilos do modelo com a força necessária. O torque máximo de 15,7 kgfm atinge seu ápice aos 4.000 giros. Apesar do bom escalonamento do câmbio e das seis marchas, o modelo fica devendo engates mais precisos. Nota 7

Estabilidade – A suspensão do tipo McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira são bem adaptadas aos desníveis das ruas brasileiras. Seu comportamento em curvas é neutro e transmite segurança na condução. O controle eletrônico de estabilidade ajuda nisso. Há pouca rolagem da carroceria, nada que comprometa a dirigibilidade. Nota 7

Interatividade – Os comandos ficam localizados em locais de fácil acesso e a central multimídia tem tela sensível ao toque. O painel de instrumentos e o display central têm belo design e layout de cores. O volante possui controle de som e para atender chamadas de celular. De negativo, a falta de precisão do marcador de combustível, a dificuldade em mudar as opções do computador de bordo e um lado do volante multifuncional sem qualquer comando. Nota 6

Consumo – O InMetro registrou 6,8/8,2 km/l de etanol e 10/12 km/l de gasolina na cidade/estrada, com consumo energético de 2,06 MJ/km. Os números renderam nota A no segmento e C na geral. Não é ruim, levando em consideração seu peso. Nota 8

Conforto – O espaço interno é compatível com os concorrentes do segmento. Quatro pessoas viajam sem grandes problemas, mas o quinto passageiro pode prejudicar um pouco o conforto. Os bancos têm boa densidade. A suspensão absorve grande parte dos impactos, mas como é comum em carros desse porte, há um pouco de balanço em áreas mais acidentadas. Nota 7

Tecnologia – O destaque do JAC T5 é o kit multimídia, com opção de espelhamento do smartphone direto na tela de oito polegadas. O sistema incorpora uma câmara de ré, conexão HDMI e Bluetooth, leitor de MP3, entradas USB e SD Card. Opera aplicativos como o Waze e ainda permite verificar e-mails, acessar o Facebook ou visualizar o álbum de fotos do celular. O ar-condicionado é digital. Nota 7

Habitabilidade – Há diversos porta-trecos para guardar celular, chave, carteira e outros objetos. O acesso aos bancos dianteiros e traseiros é tranquilo, graças ao bom ângulo de abertura das portas. O porta-malas de 600 litros é louvável. Nota 7

Acabamento – Apesar de ter revestimento de couro nos bancos e portas, o T5 peca por não oferecer nenhum plástico macio ao toque. No entanto, os encaixes são bons e não há rebarbas. Os apliques prateados aumentam a sensação de cuidado da fabricante na hora de projetar o interior. Nota 7

Design – O estilo ressalta a robustez. Na frente, a grade cromada em forma de trapézio é formada por grossas travessas. As luzes diurnas de LED ressaltam os faróis trapezoidais e agregam algum requinte estético. No entanto, falta um pouco de personalidade, visto que é evidente a inspiração nas gerações antigas de modelos coreanos da Hyundai. Nota 6

Custo/benefício – O JAC T5 ‘Pack 3’ custa R$ 70.690 com câmbio mecânico. Completo e sem opcionais, o modelo custa o mesmo que as versões mais básicas de seus concorrentes principais e oferece alguns equipamentos inéditos no segmento. Pesa contra a crise que JAC atravessa, com o fechamento de algumas concessionárias. Nota 7

Total – O JAC T5 somou 69 pontos em 100 possíveis.

 

Auto Press

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