JAC oferece transmissão CVT no T5

Desde que adentrou no segmento de utilitários esportivos, a JAC sempre pecou por não oferecer câmbio automático em nenhum de seus modelos, algo essencial em automóveis desse gênero. Atendendo a pedidos, a marca chinesa tratou de igualar seu produto aos representantes no segmento e lançou o T5 CVT. O modelo utiliza uma transmissão continuamente variável acoplada ao motor 1.5 litro de 127 cv, que permanece inalterado. O automóvel chega às concessionárias da marca por R$ 69.990, o mesmo valor cobrado pela versão manual.

Com o CVT, o T5 permanece praticamente o mesmo. O motor é o 1.5 litro 16V de 127 cv e 15,7 kgfm de torque. Esteticamente, a única diferença fica por conta o símbolo CVT que acompanha o nome de veículo na tampa traseira. No interior, tudo continua igual, com exceção da alavanca no console e dos botões do lado esquerdo do volante, que agora abrigam os comandos do controle de velocidade, que auxilia em viagens mais longas e ajuda a tornar o consumo de combustível mais eficiente.

É verdade que o câmbio continuamente variável leva o T5 a um degrau mais elevado no segmento de SUVs compactos. Esse tipo de transmissão torna a condução muito mais confortável para o dia a dia e caiu como uma luva no utilitário da JAC. No trânsito, o modelo mostra agilidade e impressiona pelo silêncio a bordo. Apesar de ser necessária adaptação com o pedal do acelerador, que precisa ser mais pressionado do que o habitual, o T5 se comporta bem. Não há trancos e a ligação entre motor e câmbio é boa.

Ao pegar a estrada, a situação muda um pouco de figura. A curta relação final do câmbio deixa o T5 CVT áspero em velocidades mais altas. Ao pressionar o pedal da direita até o final em busca de desempenho, veículo chega às seis mil rotações para render o máximo de potência e o ruído invade a cabine sem pedir licença. A impressão é que falta torque nessas situações. Apesar do barulho, o carro desenvolve velocidade, mas transmite a sensação de que se esforça bastante para tal tarefa. Em velocidade constante e com o controle de velocidade ligado, o T5 se comporta bem.

Ao volante, o T5 transmite a segurança. Os freios a discos ventilados na frente e sólidos atrás possuem ótima modulação e dão conta de parar o carro. O ponto negativo fica para a falta de progressividade da direção elétrica em velocidades mais altas. Seria ideal um enrijecimento maior, de acordo com a velocidade. No geral, a impressão é que o SUV pode ser uma boa alternativa para o consumidor brasileiro.

O grande trunfo do T5 é ser completo e custar bem menos que seus concorrentes com equipamentos similares. A marca chinesa elege o Honda HR-V EXL, o Jeep Renegade Longitude, o Ford Ecosport SE, o Renault Duster Dynamique e o Nissan Kicks SL como seus principais adversários. Em relação ao modelo da Nissan, por exemplo, o JAC T5 CVT custa R$ 20 mil a menos e tem equipamentos semelhantes.

No mercado chinês, o T5 é o SUV compacto mais vendido. Um dos motivos que ajudam a explicar o sucesso é a extensa lista de equipamentos de série. Há ar-condicionado digital, vidros elétricos nas quatro portas, trava central e retrovisores elétricos, alarme antifurto, controle de velocidade de cruzeiro, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, sistema Isofix, sensor de estacionamento traseiro, câmara de ré, abertura interna do porta-malas e do tanque de combustível.

O modelo ainda vem equipado com computador de bordo, faróis com regulagem elétrica de altura e acendimento automático, banco traseiro bipartido 60/40, banco do motorista com ajuste de altura, rodas de liga leve aro 16, faróis de neblina dianteiros e traseiros, rack no teto, assistente de partidas em rampas, controle eletrônico de estabilidade, bancos revestidos em couro, kit multimídia com espelhamento de celulares e tela de oito polegadas. O T5 CVT não oferece nenhum opcional. (Fabio Perrotta Junior/AutoPress)

Ponto a ponto – JAC T5 CVT
Desempenho – Em geral, os carros equipados com câmbio CVT apresentam desempenho pouco instigante. O motor 1.5 do T5 não esbanja potência: são 127 cv, quando abastecido com etanol. No entanto, empurra os 1.210 quilos do modelo com a força necessária. O torque máximo de e 15,7 kgfm atinge seu ápice aos 4.000 rpm. Em trânsito urbano, o T5 se sai bem. O problema fica na hora de pegar a estrada, onde o trem de força transmite a sensação de se esforçar bastante para embalar o veículo, principalmente em situações de ultrapassagem. Nota 6

Estabilidade – A suspensão do tipo McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira são bem adaptadas aos desníveis das ruas brasileiras. O carro apoia bem em curvas e transmite segurança na condução. O controle eletrônico de estabilidade ajuda nisso. Há um pouco de rolagem da carroceria, porém nada que comprometa a dirigibilidade. A leveza da direção em altas velocidades transmite um pouco de insegurança em movimentos mais rápidos. Nota 7

Interatividade – Os comandos ficam localizados em locais de fácil acesso e a central multimídia tem tela sensível ao toque. O painel de instrumentos e o display central têm belo design e layout de cores. O volante possui comandos de som, para atender a chamadas de celular e para o controle de velocidade. A dificuldade em mudar as opções do computador de bordo persiste. Nota 7

Consumo – O InMetro ainda não avaliou a versão CVT do T5. A versão manual obteve 6,8/8,2 km/l de etanol e 10/12 km/l de gasolina na cidade/estrada, com consumo energético de 2,06 MJ/km. A versão CVT deve um pouco mais econômica. Nota 8

Conforto – O espaço interno é compatível com os concorrentes do segmento. Quatro pessoas viajam sem grandes problemas, mas o quinto passageiro pode prejudicar um pouco o conforto. Os bancos têm boa densidade. A suspensão absorve grande parte dos impactos, mas como é comum em carros desse porte, há um pouco de balanço em áreas mais acidentadas. Nota 7

Tecnologia – O kit multimídia do T5 chama a atenção. A tela é de oito polegadas, com opção de espelhamento da tela do smartphone. O sistema incorpora também câmara de ré, conexão HDMI e Bluetooth, leitor de MP3, entradas USB e para SD Card. O ar-condicionado é digital. Nota 8

Habitabilidade – Há diversos porta-trecos para guardar celular, chave, carteira e outros objetos. O acesso é tranquilo graças ao bom ângulo de abertura das portas. O porta-malas de 600 litros não parece tão grande assim na prática. Nota 7

Acabamento – A evolução do acabamento em carros chineses é notável. No entanto, apesar de ter revestimento em couro nos bancos e portas, o T5 peca por não oferecer nenhum revestimento macio ao toque. No entanto, os encaixes são bons e não há rebarbas. Os apliques prateados aumentam a sensação de cuidado da fabricante na hora de projetar o interior. Nota 7

Design – O estilo ressalta a robustez. Na frente, a grade cromada em forma de trapézio é formada por grossas travessas. As luzes diurnas de LED ressaltam os faróis trapezoidais e agregam algum requinte estético. No entanto, falta um pouco de personalidade. Fica evidente a inspiração nas gerações antigas dos SUVs da Hyundai. Nota 6

Custo/benefício – O JAC T5 CVT custa R$ 69.990, preço promocional de lançamento da versão com câmbio automático. Completo e sem opcionais, o modelo custa o mesmo que as versões mais básicas de seus concorrentes principais. Tem garantia de seis anos e a marca oferece plano de revisões a preço fixo. Pesa contra a crise que JAC Motors atravessa, com o fechamento de algumas concessionárias. Algo que pode dificultar em caso de necessidade de peças. Nota 8

Total – O JAC T5 somou 71 pontos em 100 possíveis.

Auto Press

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