Histórias do folclore político (II): Um bom sono no Ministério - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Histórias do folclore político (II): Um bom sono no Ministério

Informação

Takundo Kusakabe, vereador na década de 80, estava acostumado à rotina da pacata Salesópolis, onde dormia cedo e acordava mais cedo ainda para cuidar da lavoura, uma tradição em sua família. Por isso mesmo, teve sérias dificuldades para adaptar seu relógio biológico à rotina da primeira viagem para Brasília, em companhia de um grupo de políticos mogianos, encabeçado pelo também vereador da época, Roberto Sako. Ao contrário do que estava acostumado, Takundo se viu dormindo tarde, por conta das recepções oferecidas ao grupo pelo então deputado federal Diogo Nomura, e acordando muito cedo para cumprir a série infindável de compromissos de uma agenda elaborada para aproveitar ao máximo o tempo de estadia na Capital Federal. Era preciso resolver muito em poucos dias, repletos de visitas a ministérios e a outros departamentos governamentais brasilienses. Ao final do terceiro ou quarto dia, um exausto Takundo partiu para cumprir a derradeira etapa da viagem, capitaneada pelo deputado Nomura, no Ministério da Justiça, onde quem dava as cartas era Petrônio Portella, homem de confiança do regime militar. O assunto era a regularização de chineses do cultivo de cogumelos, que viviam ilegalmente no Botujuru e outros pontos da Região. A comitiva chegou antes do horário marcado e foi recepcionada na antessala do ministro, enquanto aguardava a chegada de Nomura, amigo pessoal de Portella. O local oferecia aos visitantes sofás mais que confortáveis. E bastaram alguns minutos para que Takundo fosse traído pelo cansaço e pelo sono. Dormiu a ponto de não ver quando Portella deixou o gabinete e, abraçado ao amigo Diogo Nomura, comentou, no maior alto astral: “Diogo, só você mesmo para trazer o pessoal de Mogi para dormir aqui no Ministério da Justiça!”. A reunião foi proveitosa. E todos – Takundo inclusive – puderam voar de volta para casa. E, aí sim, recuperar o sono perdido…

Água no feijão
Conta Sebastião Nery que um repórter foi ao Palácio do Catete, no Rio, entrevistar o então presidente Getúlio Vargas. “Presidente, para vencer na política, o que é preciso?” E Getúlio: “Muita coisa. Boa memória, por exemplo. Em política é como água no feijão. O que não presta flutua. O que bom repousa no fundo”.

Como hoje
José Sebastião Witter, professor das antigas e articulistas dos bons, que dividiu conosco, por muito tempo, as páginas deste diário, estava olhando as manchetes dos jornais, numa banca do Centro de Mogi, quando um amigo o provoca: “E aí, professor, como vão as coisas”. E o Zé da Bronca, como se autointitulava, responde de pronto: “Para quem gosta do péssimo, está ótimo”.

Na fazenda
Outra de Nery, autor do impagável “Folclore Político”: Adail Barreto, deputado cearense cassado, foi à União Soviética e voltou encantado com um algodão colorido que viu por lá. Estava contando na varanda da fazenda, quando um trabalhador tirou o cigarro da boca e arrematou: “Algodão em cores, doutor? Não acredito. Só se eles adubaram a terra com esterco de pavão”. E voltou a pitar o seu fuminho…

Fio de bigode
Waldemar Costa Filho, o prefeito, e Luiz Antonio Fleury Filho, o governador, viviam às turras por conta da desatenção do Estado em relação a Mogi. Depois de uma longa intermediação do amigo comum, Angelo Albiero Filho, do Ciesp, ficou acertado que Fleury viria à Cidade para anunciar uma grande obra. Waldemar montou o palanque, o governador discursou e assegurou que não havia necessidade de assinar qualquer convênio já que entre ele e o prefeito valia o “fio de bigode”. O povo aplaudiu. Fleury se foi, o tempo passou e a obra… não veio. O prefeito então se vingou. A cada um que lhe indagava sobre a promessa, ele respondia: “O Fleury me disse que valia o fio de bigode, mas só depois eu pude notar que ele nunca teve barba e nem usava bigode. Era tudo mentira”.

Cotidiano

MEMÓRIA  O que restou da Cruz do Século, erguida para marcar a chegada do século passado em Mogi, ainda pode ser visto, entre árvores, na Serra do Itapeti. (Foto: Edson Martins)

MEMÓRIA O que restou da Cruz do Século, erguida para marcar a chegada do século passado em Mogi, ainda pode ser visto, entre árvores, na Serra do Itapeti. (Foto: Edson Martins)

 

Frase
Essas histórias do folclore político a gente nunca sabe quais são as verdadeiras e quais as inventadas.
José Maria Alkimin (1901-1974) político mineiro, que foi vice-presidente do Brasil, entre 1964 e 1967



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