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André Martinez
O grande goleiro Moacir Barbosa Nascimento, nascido em Campinas no dia 27 de março de 1921, foi um dos maiores goleiros da história do futebol mundial em todos os tempos. Ele iniciou sua carreira no futebol defendendo a extinta equipe do Comercial da Capital, ainda garoto em 1940 com 19 anos de idade, como ponta esquerda. Permaneceu no clube até 1942, quando se transferiu para o Ypiranga.

O jovem Barbosa mudou de clube e também de posição. Ele deixou a última posição de uma equipe dentro de campo, a ponta esquerda, para defender a primeira posição de todas, a de goleiro.

As ótimas atuações de Barbosa na meta do Ypiranga chamaram a atenção do Vasco da Gama, que em 1945 o convidou para substituir o goleiro Rodrigues, no clube da Colina.

Barbosa, em 1946, assumiu o gol vascaíno permanecendo como titular do clube carioca por dez anos. Era um goleiro excepcional e arrojado, exímio pegador de pênaltis, dono de uma agilidade incrível e um grande senso de colocação e segurança embaixo das traves. O goleiro negro iniciava o esquadrão Vascaíno do “Expresso da Vitória”, onde conquistou inúmeros títulos.

Barbosa era também o titular da Seleção Brasileira, alcançando unanimidade na imprensa e torcida, além disso, alcançou uma regularidade debaixo das traves poucas vezes vista na meta canarinho.

Mas tudo mudou na decisão da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã, contra o Uruguai, onde Barbosa deixou o céu e desceu para o inferno. O gol de Ghiggia, aos 34 minutos do segundo tempo, que decretou a derrota brasileira por 2 a 1, naquele dia que ficou conhecido como “Maracanazzo”, tornou-se o maior pesadelo da vida do arqueiro Barbosa.

O goleiro foi execrado pela opinião pública, sendo injustamente culpado pela derrota canarinho. Barbosa levou a culpa pela perda do título por um gol em que não falhou, da forma mais covarde possível, apenas como um bode expiatório, personagem comum de certa forma necessário nas adversidades e nos resultados negativos.

Após o “Maracanazzo”, Barbosa, defendendo o Vasco da Gama, continuou fechando o gol, sendo o goleiro fantástico de sempre, porém nunca perdeu a injusta pecha de maldito. Até mesmo quando encerrou a carreira continuava sofrendo ataques verbais.

Mesmo na velhice, em muitas vezes sequer podia sair as ruas e chegou a ser insultado por uma senhora ignorante dentro de um supermercado. Em 1993 Barbosa foi visitar a Seleção Brasileira na Granja Comary, porém foi barrado pelos próprios jogadores, que alegaram ser Barbosa um sinal de azar.



Apenas o “Velho Lobo” Zagallo dignificou-se a cumprimentar o arqueiro. Cansado de toda esta humilhação, após o incidente o velho goleiro desabafou de forma filosófica e ao mesmo tempo entristecida para a imprensa presente: “A pena máxima para um crime no Brasil é de 30 anos, eu estou pagando há 43 anos!”

Barbosa passou os seus últimos dias de vida na completa miséria, morando em um apartamento na Praia Grande, em Santos, cujo aluguel era custeado por um político local. Faleceu no dia 7 de Abril de 2000, aos 79 anos, em Santos. Barbosa foi um grande injustiçado, faleceu levando uma culpa pela qual jamais foi sua.

algmartinez@bol.com.br
www.andremartinez.com.br

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