Histórias da Bola - 17 de março - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Histórias da Bola – 17 de março

Esportes

ANDRÉ MARTINEZ 
A Copa Libertadores de 1962 foi disputada em sua primeira fase com três grupos de três times cada, onde os campeões de cada chave se classificavam para a fase semifinal. O Peñarol, então atual campeão, já estava classificado. O Santos estava no grupo 1 ao lado de Cerro Porteño do Paraguai e Deportivo Municipal da Bolívia. O Peixe conquistou a vaga com sete pontos ganhos, contra três dos paraguaios e dois dos bolivianos. Na primeira fase destaque para as vitórias por goleada na Vila Belmiro, por 6 a 1, contra o Deportivo Municipal – no dia 21 de fevereiro de 1962 – e de 9 a 1 sobre o Cerro Porteño – dia 28 de fevereiro de 1962.

Na semifinal o Santos enfrentou a equipe do Universidad Católica do Chile. Na primeira partida, em Santiago, empate em 1 a 1. No jogo de volta, na Vila Belmiro, a vitória do Santos foi por 1 a 0, que garantiu a vaga na grande final.

A primeira decisão de Libertadores da América disputada pelo grande e épico time do Santos seria contra os atuais campeões, o Peñarol, um dos mais respeitados times da história do futebol mundial em todos os tempos.

O duelo deu início no dia 28 de julho de 1962 no estádio Centenário, em Montevidéu. O Santos entrou em campo com Pagão no lugar de Pelé, contundido. Porém, mesmo sem o Rei, a equipe santista realizou uma apresentação de gala batendo o forte Peñarol dentro de seus domínios, por 2 a 1, e de virada. Spencer abriu o marcador, mas o Peixe com dois gols de Coutinho garantiu a vitória.

O segundo duelo foi realizado em Santos, novamente sem Pelé, no dia 2 de agosto de 1962, em uma das partidas mais tumultuadas da história da Vila Belmiro.

O Peñarol abriu o marcador com Sasía, aos 18 minutos do primeiro tempo; o célebre Dorval empatou aos 27, Spencer fez 2 a 1 para os uruguaios aos 4 minutos do segundo tempo. Mengálvio empatou novamente um minuto depois. Os uruguaios passaram a frente novamente com Spencer aos 28 minutos do segundo tempo. O Santos logo em seguida empatou novamente com Pagão. O empate em 3 a 3 garantia o inédito e histórico caneco internacional ao esquadrão santista.

Após o gol, o árbitro da partida, o chileno Carlos Robies, decidiu encerrar a partida alegando falta de segurança no estádio da Vila Belmiro. Os jogadores santistas partiram para a volta olímpica, mas contrariando a alegria peixeira, na súmula do árbitro constava que a partida havia sido dada por encerrada antes do gol de empate de Pagão, o que consequentemente não garantia o título ao Santos.

No dia seguinte confirmou-se a anulação da partida, sendo necessário um terceiro e decisivo confronto em campo neutro. A nova partida foi realizada no dia 30 de agosto de 1962, no estádio Monumental de Nuñes, em Buenos Aires na Argentina.

A máquina Santista, desta vez contando com Pelé, fez 1 a 0 com Coutinho aos 11 minutos do primeiro tempo. No segundo tempo, logo aos 3 minutos, o Rei mandou uma bomba indefensável da meia lua para fazer 2 a 0 Peixe.



Aos 44 minutos do segundo tempo, Coutinho recebeu a bola pela esquerda e tocou para Pelé, que na risca da pequena área, matou no peito com classe e em seguida inapelavelmente fuzilou a meta do lendário arqueiro Maidana. Santos 3×0.

Desta vez não houve confusão do árbitro, nem falta de segurança que tirasse o título do maior time de futebol do planeta Terra, o Santos de Pelé. Pela primeira vez na história, a América do Sul era santista.

algmartinez@bol.com.br
www.andremartinez.com.br

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