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Foto de estudantes de medicina da UMC pintados de preto divide opiniões

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Atlética da Medicina diz que a cor preta representa a bandeira do curso. (Foto: Reprodução/ Facebook)

Atlética da Medicina diz que a cor preta representa a bandeira do curso. (Foto: Reprodução/ Facebook)

NATAN LIRA
Uma foto de estudantes do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) circula pela internet e divide opiniões. Isso porque os alunos estão com o corpo pintado de preto e alguns com os cabelos trançados – penteado típico da cultura afro. Sociólogo ouvido por O Diário diz que o contexto atual de militância e até mesmo de intolerância nas redes sociais pode conotar a imagem como racista. Os alunos alegam que a caracterização ocorre em todos os campeonatos que participam e serve para representar a torcida ao time da UMC e por isso eles utilizam sempre as cores da bandeira do curso: preto, branco e verde.

Vice-presidente da União de Negros Pela Igualdade (Unegro) de Mogi, Devanir Barbosa, de 45 anos, analisa que uma imagem deste tipo descaracteriza a luta deles pelo fim da discriminação racial. “Isso que eles estão praticando é o chamado racismo velado. Ele vem disfarçado de brincadeira, mas na verdade apenas reproduz o que cada um deles, que participa, tem dentro de sua mente”, enfatiza.

Além da imagem, corre nas redes sociais a informação de uma festa do curso de Medicina, no dia 13 de maio, quando é comemorada a assinatura da Lei Áurea e o fim da escravidão no País, chamada ‘Liberação dos Calouros’. A informação foi contestada pelo Centro Acadêmico Antônio Prudente, da Medicina Mogi, que ressaltou ser inverídica a informação espalhada nas redes sociais de que no dia 13 de maio realizará a Festa de Libertação dos Bixos (calouros) e disse que não há nenhum evento programado com este intuito ou nome.

Para o sociólogo Afonso Pola, o estudante de Medicina recebe da sociedade uma visão de que faz parte da elite melhor posicionada e por isso casos que possam remeter à discriminação ganham tanta repercussão. “É necessário entender em qual contexto eles postaram esta foto, justamente por vivermos em um País que sofre com questões racionais. Na medida em que se tem chamado tanta a atenção para a intolerância, se faz mais do que nunca preciso que as pessoas estejam atentas para o teor de suas publicações”, acrescenta.

Em nota, a UMC informou que atitudes racistas não representam seus valores, nem sua missão educacional voltada ao processo de desenvolvimento humano e integração individual e social, no qual se insere o repúdio a qualquer tipo de preconceito ou discriminação. “Esclarece, ainda, que o citado fato julgado nas redes sociais como supostamente racista não ocorreu dentro das dependências da universidade, onde é proibida a prática de manifestações indevidas, tratando-se de ato ocorrido sem conhecimento e participação da universidade e que o caso será analisado internamente”, trouxe o texto enviado a O Diário.

O Centro Acadêmico esclareceu, também em nota, que a fotografia foi feita durante os Jogos Pré-Intermed, que este ano ocorreram na cidade de Sertãozinho. A pintura no corpo representa a torcida organizada, já que a cor preta é uma das cores do curso, os penteados nos cabelos fazem parte da caracterização da torcida, assim como alunos de torcidas de outras universidades estavam com os corpos pintados de outras cores. “Em momento nenhum o intuito foi ofender ou produzir atitudes racistas. Basta acessar o Facebook da Medicina Mogi ou do Centro Acadêmico para verificar nos vídeos a caracterização das torcidas e o trabalho esportivo sério e ético desenvolvido pelo setor de esportes da Medicina da UMC e alunos participantes, que em nada combina com as atitudes e estereótipos racistas.

Outros casos
Em 2010, o programa ‘Fantástico’, transmitido pela TV Diário, mostrou imagens de um trote em que alunos do mesmo curso na UMC eram colocados em situação de constrangimento e até sofriam ameaças. “Se chorar, vai ser pior”, dizia um veterano ao ingressante. O caso foi parar no Ministério Público Federal. O registro mais grave no histórico de trotes de alunos da UMC data de março de 1980, quando um calouro morreu. Na época, ele teria resistido a cortar o cabelo e foi agredido com socos e pontapés.

Recente
No começo do mês, outra polêmica envolvendo alunos de Medicina de uma universidade do Espírito Santo chamou a atenção nas redes sociais. Eles postaram uma foto em que sete rapazes aparecem usando jaleco e estetoscópio, com as calças arriadas e fazendo um gesto com conotação sexual. A Universidade Vila Velha (UVV) abriu uma sindicância para investigar o caso e determinou que a coordenação de Medicina ouvisse os alunos e os alertasse acerca da gravidade das publicações.



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