Folclore Político (X): Dois prefeitos e uma estrada - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Folclore Político (X): Dois prefeitos e uma estrada

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MEMÓRIA Chico Bezerra, atual vereador, ao lado de Padre Melo, quando este participava da vida política de Mogi, por onde foi deputado e prefeito

MEMÓRIA Chico Bezerra, atual vereador, ao lado de Padre Melo, quando este participava da vida política de Mogi, por onde foi deputado e prefeito

No final dos anos 70, Waldemar Costa Filho e Estevam Galvão de Oliveira eram prefeitos de Mogi das Cruzes e Suzano, respectivamente. Ambos tinham fama de pavios curtos, capazes de tomarem decisões num estalar de dedos. E executá-las com a mesma rapidez. A história começa com um telefonema entre os dois, em que ambos concordaram num ponto: já havia passado da hora de se construir uma nova ligação entre as duas cidades, já que a antiga estrada São Paulo-Rio, a SP-66, já começava a apresentar sinais de saturação. “Vamos construir uma nova Mogi-Suzano. Vamos fazer do lado esquerdo da linha férrea? Então toca o pau”, combinaram eles, antes de baterem o telefone. E Waldemar começou a estender a Avenida Governador Adhemar de Barros em direção a Suzano, pelo lado esquerdo da linha da CPTM, enquanto Estevam iniciou as obras na Avenida Jorge Bei Maluf, também do lado esquerdo da linha, só que em sentido contrário. Os trabalhos iam sendo feitos a toque de caixa e avançavam rapidamente quando, certo dia, alguém teria visto que, abrindo a estrada daquela forma, elas formariam duas paralelas que jamais se encontrariam. A menos que fosse feito um viaduto ou uma passagem subterrânea para unir as duas vias, por cima ou por baixo da ferrovia. Como a proposta era chegar até o Rio Taiaçupeba, próximo à divisa entre os dois municípios, numa área de muita água e turfa, o melhor foi cada um achar uma solução própria para o problema criado. Waldemar optou por desviar sua parte, na Avenida Anchieta, e despejar o trânsito na SP-66 entre Braz Cubas e Jundiapeba, enquanto Estevam chegou com a Avenida Jorge Bei até o Rio, para posterior ligação com a Avenida Guilherme Giorgi, que somente agora está sendo estendida para valer em direção a Mogi. O equívoco cometido jamais foi assumido pelos dois prefeitos. Waldemar morreu jurando que o plano era de chegar mesmo até a SP-66, enquanto Estevam, até hoje, nega de pés juntos que tenha ocorrido o erro. O certo é que a nova ligação entre Mogi e Suzano continua sendo, até hoje, um desafio para as duas cidades.

Assombroso

O promotor público Sebastião Cascardo, prefeito de Mogi entre 1972 e 1976, tinha na honestidade a sua principal virtude. Mas enfrentava dificuldades para administrar a Cidade. A ponto de mandar construir uma ponte sobre o Rio Negro, que teve de ser demolida, por ficar algo em torno de quatro metros acima do nível da rua. Outras trapalhadas viriam a seguir. E foi assim que um mogiano, em visita aos EUA, encomendou uma primeira página do jornal The New York Times, com uma manchete local. E foi assim que a vitrine de uma loja do ponto mais movimentado da Rua Dr. Deodato, estampou a capa do jornal com o título em letras garrafais: “Obras de Cascardo assombram Nova York”. A política já viveu tempos menos sisudos por aqui.

Qual o começo?

Conta Gaudêncio Torquato: O desembargador Deoclides Mourão, tio do poeta Gerardo de Mello Mourão, fez acordo com Urbano Santos para governador do Maranhão. Eleito, Urbano não cumpriu nada. Deoclides mandou-lhe uma carta: “Senhor governador, diz o povo que o homem se pega pela palavra, o boi pelo chifre e a vaca pelo rabo. Supondo não ter V.Excia. nenhum desses assessórios, não si por onde começar”.

Na testa

Waldemar Costa Filho costuma carregar sempre um revólver calibre 38 dentro de sua inseparável valise preta de mão. Certo dia, ao lado de amigos, em seu gabinete, o prefeito foi provocado. Disseram-lhe que ele jamais teria coragem de usar aquela arma. Waldemar não pensou duas vezes: abriu a pasta, engatilhou a arma e, diante dos observadores atônitos, disparou na direção do quadro com a foto oficial de Orestes Quércia, governador da época e seu desafeto político. A bala atravessou o vidro e fez um furo na testa de Quércia. Ele guardou o revólver e nunca retirou o quadro da parede, até que certo dia, o colunista social do Estadão publicou uma nota dizendo não ter explicação para o fato de “o quadro de Quércia, no gabinete do prefeito de Mogi, apresentar um buraco no rosto”.
Nesta semana mais de um furacão atingiu o Caribe e um terremoto atingiu o México. É a natureza, ou os desastres dela como dizemos. Enquanto isso o Brasil é sacudido novamente pelas notícias do podre mundo político. Somos tomados pela arrogância dos irmãos Batista, Joesley e Wesley e seu imediato Ricardo Saud, criminosos do Grupo J&F que armaram gravações para fugir de condenações em inúmeras falcatruas feitas. Um novo áudio que o Brasil inteiro tomou conhecimento mostrou a quadrilha em que se transformou o império da carne dos safados que aproveitaram vantagem da proximidade com políticos corruptos para enriquecer, debochando da Justiça e do Ministério Público.
Ao assinar acordo de delação premiada, os irmãos Batista e seu braço direito buscaram imunidade a pretexto de entregar o presidente da República em falcatruas, buscaram mostrar ao País que foram vítimas do sistema. Curiosamente pegos com a boca na botija, achando-se a joia da coroa, não entregaram sua riqueza. E depois o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, foi obrigado a engolir ter sido passado para trás quando veieram à luz as conversas de Joesley e seu executivo Saud, tirando onda de suas ações.
Esse caso e outros mais como os milhões de dólares e reais do apartamento de Geddel Vieira Lima, ex-ministro dos últimos governos, mostram que o furacão que assola o País é o da corrupção mesmo, que não tem jeito. Não bastassem o mensalão e petrolão, o dinheiro público é o único visado pelos políticos e empresários safados que querem a todo custo enriquecer, passando imagem de homens de bem e defensores da coisa pública. É um momento grave para nós brasileiros que assistimos o tempo todo notícias da polícia. Nunca se falou tanto em delações, denúncias da Procuradoria da República, disputas entre os poderes. E nesse balaio todo, o ex-presidente Lula que tanto discurso de perseguição fez, o que dirá então de Antonio Palocci, seu ex-ministro que em depoimento confirmou os favores com construtoras para vantagens pessoais ? Não é sua oposição criando caso, não é perseguição política.
Lamentavelmente vivemos momentos péssimos da política nacional, que apresenta a política sorrateira que sangra o dinheiro público, que mata o pobre coitado que vai ao serviço público e morre por falta de atendimento médico. Isso é apenas uma das inúmeras consequências desses safados. O Brasil pode não ter graves desastres naturais, mas tem um universo político destruidor.
Laerte Silva é advogado

Sem anestésico



Outra do Sebastião Nery: Os dois eram vereadores da antiga Arena de Paranaíba, na Bahia. Um, da Arena de Petrônio Portela, o outro da Arena de Alberto Silva. Inimigos políticos. Um, dentista, pôs dentes na boca do outro. Na primeira sessão, brigaram: “Então devolve meu dente. Esse aí que eu pus”. E o outro: “Mas eu paguei.” O primeiro: “E daí? Falar mal de mim, pode. Com meu dente, não”. Foi lá e arrancou. Sem anestesia.

 

 

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darwin@odiariodemogi.com.br

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