Fiat reforça sua base com o Mobi

Não está fácil vender carros no Brasil. O mercado, que já beirou os 3,5 milhões de automóveis anuais, arrisca a fechar 2016 abaixo de dois milhões de veículos vendidos. A Fiat Chrysler Automobiles manteve a liderança nas vendas no país em 2015, mas o posto de carro mais vendido do ano foi tomado pela Chevrolet, com o Onix, que deixou o Fiat Palio – líder de 2014 – no segundo posto. Para ganhar mais competitividade entre os hatches pequenos, que representam a maior parte das vendas no Brasil, a Fiat resolveu introduzir uma novidade na base de sua ampla oferta no segmento, que já inclui os compactos Uno, Palio e Punto e o subcompacto 500. Assim, a marca italiana acaba de lançar seu quinto hatch pequeno, o subcompacto Mobi que, na prática, se torna seu novo carro de entrada.

A proposta do Mobi é essencialmente urbana e seu design investe em um aspecto dinâmico e robusto, com linha de cintura elevada e vincos ascendentes. Na frente, o capô é alto e a grade trapezoidal é ampla, arrematada por faróis em forma de parábola. Na traseira, duas grandes lanternas emolduram a tampa traseira de vidro – uma novidade no mercado nacional -, na cor preta. Mas enquanto o Uno, com seu estilo “round square”, valoriza o espaço interno apesar das dimensões compactas, a Fiat pretende posicionar o Mobi como um “irmão menor”. As medidas do Mobi são 3,57 metros de comprimento, 1,63 metro de largura e 2,30 metros de entre-eixos.

Ou seja, em relação ao Uno, são 24 cm a menos no comprimento, 4 cm a menos na largura e 7 cm a menos no entre-eixos. Só a altura é a mesma: 1,49 metro. O Mobi Easy pesa 907 quilos, exatos 48 quilos mais leve que o Uno mais básico, o 1.0 Attractive – a versão Vivace, antiga de entrada da linha Uno, deixou de ser oferecida. O trem de força do Mobi é sempre o mesmo do Uno mais básico, ou seja, o motor Fire Evo Flex 1.0 que trabalha em conjunto com um câmbio manual de cinco marchas.

Os preços do Mobi já deixam claro o posicionamento do produto. Ainda não é o automóvel mais barato vendido pela Fiat no Brasil – esse posto permanece com o veterano Palio Fire, vendido com a frente do Palio antigo, que atende basicamente frotistas e custa R$ 29.160. Logo acima dele, surge agora o Mobi mais barato, o Easy, que parte dos R$ 31.900. Vem com rodas aro 13 com calotas, sem ar condicionado, sem rádio, sem direção hidráulica, sem vidros ou travas elétricos e sem regulagem de altura do volante. Desse jeito “pelado”, deverá herdar em breve do Palio Fire o cargo de “queridinho dos frotistas”. O Mobi mais barato enviado para as concessionárias, na efetiva função de carro de entrada, é o Easy On, que já vem com rodas aro 14, ar condicionado, direção hidráulica e regulagem de altura do volante. Assim, parte dos R$ 35.800.

Mas é nas versões Like e Like On que a Fiat espera que se concentre o grosso das vendas do Mobi. A Like, que começa em R$ 37.900, incorpora alguns confortos em relação à Easy On, tais como vidros e travas elétricos, computador de bordo, chave com telecomando, console central longo com porta copos para os passageiros do banco traseiro, limpador e desembaçador traseiro, cintos de segurança dianteiros ajustáveis em altura, maçanetas e retrovisores externos pintados na cor da carroceria, grade dianteira pintada em preto brilhante, comandos internos para abertura do bocal de combustível e do porta-malas e revestimento do porta-malas. Os dois sistemas de som disponíveis – rádio e, a partir de junho, o Live On – são opcionais, ambos acompanhados de alarme e comandos no volante.

E a Like On traz de série rodas de liga leve de 14 polegadas, faróis de neblina, banco do motorista com regulagem de altura, retrovisores elétricos com Tilt Down e repetidores de direção, apoio para o pé esquerdo do motorista, porta-óculos, sensores de estacionamento, alarme e rádio com comandos no volante. Essa começa em R$ 42.300

A versão Way acrescenta uma pitada aventureira ao compacto. Por R$ 39.300, traz as barras longitudinais de teto, para-choques exclusivos e as molduras nas caixas das rodas de 14 polegadas, além das suspensões mais elevadas. Mas os dois sistemas de som ainda são opcionais, ambos acompanhados de alarme e comandos no volante. O “top” de linha Way On agrega rodas de liga leve de 14 polegadas com desenho próprio e o console de teto com porta-objetos e espelho adicional além de rádio com comandos no volante.

Mas custa R$ 43.800. A partir da versão Live On, há superposição de preços em relação à linha Uno, cuja versão mais básica, a Attractive, começa em R$ 38.990.

Em termos de dimensões, o adversário mais óbvios do Mobi é o Volkswagen Up!. Mas a Fiat pretende que o novo compacto também roube clientes das versões mais despojadas de modelos como Chevrolet Onix, Volkswagen Gol e Fox, Ford Ka e Fiesta, Nissan March e Renault Sandero. (Luiz Humberto Pereira/AutoPress)

PONTO A PONTO

Desempenho – O motor 1.0 8V de 73/75 cv e torque de 9,5/9,9 kgfm com gasolina/etanol do Mobi é o mesmo que, desde a virada do século, move as versões básicas do Palio e do Uno. Um motor 1.0 de três cilindros é esperado para o segundo semestre. Embora o Mobi seja 48 quilos mais leve que o Uno Attractive, tal diferença não chega a ser muito perceptível em termos de performance. O carro só responde mais rapidamente às solicitações feitas sobre o pedal direito quando os giros são elevados. Mas, como a proposta do Mobi é explicitamente urbana, ter reações mais cadenciadas faz parte desse contexto. Retomadas um pouco mais vigorosas até são possíveis, mas demandam reduções de marchas para que se atinja o torque máximo, que só aparece perto das 4.000 rpm. Nota 6

Estabilidade – A suspensão do Mobi é macia, bem dentro do padrão da Fiat, e privilegia o conforto. Se o motorista não abusar da velocidade, faz bem curvas. Quando se acelera um pouco mais nos trechos sinuosos, as rolagens de carroceria se tornam perceptíveis. Mas tudo dentro do aceitável para o segmento de hatches de entrada. Nota 7

Interatividade – O Mobi imita o Uno em termos de funcionalidade interna. São poucos comandos e todos de leitura fácil e uso intuitivo. O computador de bordo, presente na versão Way On testada, é eficiente. Já o câmbio manual repete seu comportamento no Uno. Ou seja, é um tanto mole e ligeiramente impreciso nos engates. A direção é hidráulica, em tempos onde as direções eletricamente assistidas já predominam nos mais recentes lançamentos automotivos. Nota 7

Consumo – Segundo o InMetro, na cidade o Mobi consome 8,4 km/l com etanol e 11,9 km/l com gasolina. Na estrada, faz 9,2 km/l com etanol e 13,3 km/l com gasolina. Pelo porte e pela proposta urbana, os números de consumo nem são tão impressionantes para um carro que acaba de ser lançado. Apesar de consumir mais do que alguns concorrentes – o Volkswagen Up! aspirado de três cilindros, por exemplo, faz 13,5 km/l na cidade, com gasolina -, o Mobi garantiu a nota A do InMetro. Nota 8

Conforto – A suspensão do Mobi até absorve bem as irregularidades do piso. Mas falta espaço no habitáculo, principalmente para os ocupantes do banco traseiro, o que compromete o “bem-estar” a bordo. No lugar central do banco traseiro, o cinto de segurança é apenas abdominal – os de três pontos só serão obrigatórios em 2020. Tanto na altura quanto para as pernas, o espaço é bem limitado. Na dianteira, pessoas com mais de 1,80 metro também podem se sentir um pouco oprimidas. O isolamento acústico não é nenhum primor, mas o ar-condicionado funciona bem. Nota 6

Tecnologia – A plataforma do Mobi é emprestada do Uno e é relativamente recente. Mas o motor 1.0 8V de 73/75 cv é veterano e sua performance deixa a desejar em relação aos ágeis e econômicos trens de força disponibilizados pela concorrência. No segundo semestre, está prevista a chegada de um novo motor 1.0 de três cilindros e provavelmente a opção do sistema Start/Stop, que desliga o motor quando o carro está parado e em ponto morto. Nota 6

Habitabilidade – As portas do Mobi até têm uma abertura ampla, mas a altura da porta traseira, mais baixa em virtude do caimento do teto, dificulta acesso. Uma vez dentro do carro, percebe-se logo o que é estar em um subcompacto. Atrás, pessoas com mais de 1,75 metro já raspam a cabeça no teto. Os porta-objetos são eficientes, mas o porta-malas leva apenas 235 litros, bem menos que os 280 litros do Uno. Nota 5

Acabamento – No Brasil, não se deve esperar demais do acabamento de um hatch de entrada. No Mobi, os plásticos rígidos estão por toda parte e é possível encontrar algumas rebarbinhas que seriam dispensáveis. O aspecto geral é simples, mas o design até se esforça para emprestar alguma irreverência e modernidade ao ambiente. Nota 6

Design – Segundo a Fiat, é o ponto alto do modelo. Na dianteira, faróis e lanternas são grandes e formam um conjunto de aparência pesada, quase rústica, incomum nos carros da Fiat e singular em modelos desse porte. Na traseira, as lanternas parecem um tanto hiperdimensionadas e a tampa do porta-malas em vidro preto, solução inédita no mercado nacional, também pode causar estranheza a alguns. Nota 6

Custo/benefício – Antes do lançamento, cogitava-se que o Fiat Mobi deveria partir de um valor similar ao do Palio Fire (R$ 29.160). Mas o novo compacto já começa nos R$ 31.900 na versão Easy, que traz insóltias rodas aro 13 com calotas e ainda vem sem ar-condicionado, sem direção hidráulica, sem rádio, sem vidros e travas elétricos ou regulagem de altura do volante. Felizmente a versão testada era a “top” de linha Way On, que já incorpora rodas aro 14 de liga-leve e um nível de equipamentos digno para um compacto. Mas aí o preço salta para R$ 43.800, valor que já coloca o modelo na mesma faixa de compactos mais espaçosos e equipados. Nota 7

Total – O Fiat Mobi Way On somou 64 pontos em 100 possíveis.

Auto Press

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