F-Pace chega esbanjando qualidade

A Jaguar tinha à disposição a tecnologia de construção de utilitários da Land Rover em um momento que sua imagem estava fortemente revigorada pelo sucesso do F-Type. Não tinha porque esperar. O F-Pace era o passo natural para que a aristocrática marca inglesa entrasse no crescente mercado de utilitários esportivos. Na verdade, mais esportivo que utilitário. O SUV britânico desembarca no Brasil apenas cinco meses depois de seu lançamento na Europa. Os preços ficam entre os R$ 309 mil e os R$ 409 mil. Justamente por atuar em uma faixa de preço tão restritiva, a Jaguar Land Rover prefere não fazer previsões oficiais de venda. Mas a esperança é que chegue perto de 500 unidades por ano, o que, guardadas as devidas proporções, faria o F-Pace ser o que o Evoque foi para a Land Rover.

O F-Pace tem todos os ingredientes necessários para fazer sucesso no mercado de carros de luxo. O design mantém a personalidade da marca, que mistura requinte e esportividade, e adiciona uma pitada de robustez, pela frente e traseira franchadas. O conteúdo é bastante tecnológico e vai ficando mais sofisticado conforme as versões se sucedem. Mas desde o modelo de entrada, o F-Pace chega com tração integral com controle eletrônico, câmbio sequencial de oito marchas com comandos no volante, interior com revestimento em couro e teto solar panorâmico, entre outros.

O SUV da Jaguar tem três versões que cumprem duas funções bastante distintas. A de entrada Prestige é animada por um propulsor turbodiesel de 180 cv de potência e 43,9 kgfm de torque, que estreia agora no Brasil. Esta versão, que custa R$ 309.700 sem opcionais, traz painel de instrumentos analógico, faróis bixênon, bancos com ajuste elétrico, ar-condicionado bizone, navegador GPS e rodas aro 18.

A intermediária R-Sport acrescenta exatos R$ 51.200 à conta. Ela é movida por um V6 com compressor mecânico de 340 cv com torque de 45,9 kgfm. Nessa configuração, o F-Pace começa a mostrar as garras. Faz de zero a 100 km/h em 5,8 segundos, bate os 250 km/h e traz diversos recursos adicionais. O painel passa a ser virtual em uma tela de 12,3 polegadas, o som é da Meridian com 380 watts de potência, os faróis são em LED, recebe um kit aerodinâmico e tem rodas aro 20.

Por fim, a versão de topo S chega com o mesmo propulsor V6 com um acerto mais agressivo, que eleva a potência a 380 cv, mas mantém o torque em 45,9 kgfm. O verdadeiro ganho da S é no requinte. Os materiais usados no revestimento ficam mais sofisticados. O teto, por exemplo, é em Alcântara, conta com “head up” display colorido, sistema de som de 825 watts da Meridian e ganha controle dinâmico adaptativo com amortecedores ativos. O preço, de R$ 406.300, expressa o nível de exclusividade desse F-Pace. (Eduardo Rocha/AutoPress)

 

 

Ponto a ponto – Jaguar F-Pace
Desempenho – Dependendo da motorização, a personalidade do F-Pace se modifica totalmente. Com o propulsor diesel de 180 cv, o SUV britânico fica mais aristocrático: tem força de sobra para as acelerações e retomadas, mas não instiga uma condução esportiva nem alcança velocidades estonteantes. Com motor V6, ele fica mais selvagem, com uma dinâmica que o aproxima dos outros modelos da Jaguar. As respostas ao acelerador são fortes e o ronco rouco do motor invade o habitáculo de forma bem instigante. Entre as versões R-Sport e S, a maior diferença fica mesmo no nível de assistência dinâmica. Nota 9

Estabilidade – Apesar de grandalhão, o F-Pace pesa quase o mesmo que um sedã com dimensões semelhantes. A distribuição de peso entre os eixos é equilibrada e a estrutura com 80% em alumínio dá uma rigidez torcional bem acentuada. Fora disso, ele conta com pneus bem generosos, de 255 mm de largura, e traz todos os salva-guardas eletrônicos para exibir uma neutralidade dinâmica admirável. E a versão S ainda conta com amortecedores ativos, que reagem às solicitações da carroceria e do piso. Praticamente não rola nas curvas nem exige correções nas retas. Nota 10

Interatividade – É preciso dedicar algum tempo apenas para tomar contato com todos os recursos disponíveis no utilitário esportivo da Jaguar. Mas todo o sistema é bem amigável, com comandos intuitivos e lógicos. Nas versões mais completas, é possível configurar desde detalhes como a cor da luz ambiente até a maneira do F-Pace se comportar em movimento. Nota 10

Consumo – Embora esta não seja realmente uma preocupação que tire o sono de quem adquire um veículo desse nível, a Jaguar tem de responder às exigências de emissões. No Brasil, o F-Pace ainda não tem os números do InMetro, mas o motor V6 de 380 cv aplicado ao sedã XF, que tem peso semelhante, alcançou médias de 6,6 km/l na cidade e 10,1 km/l na estrada, com índice F. Nas instituições européias de controle de consumo, os números do F-Pace a gasolina foram muito melhores, assim como o combustível utilizado. Chegou a 8,2 km/l e 14,1 km/l na cidade e na estrada. E o modelo diesel tem por lá números assombrosos: 16,1 km/l na cidade e 21,1 km/l na estrada. Nota 7

Conforto – O rodar do F-Pace é muito prazeroso, os bancos têm ergonomia perfeita e os apoios de braços dianteiro e traseiro os fazem parecer poltronas. A suspensão filtra perfeitamente as irregularidades e os ruídos, tanto de pneus quanto aerodinâmicos, são totalmente bloqueados. A própria arquitetura do modelo favorece o espaço interno, com espaço amplo para cabeça e pernas, sensação que é ainda aumentada pelo teto solar panorâmico. Nota 10

Tecnologia – Desde os modelos iniciais, o conteúdo do F-Pace é de alto nível. E vai se elevando na proporção que sobe na escala de versões. Aí estão incluídos o sistema de som, os painéis de instrumentos em TFT e os diversos equipamentos de conforto. A plataforma do SUV inglês é a recente iQ, baseada em alumínio, a mesma dos sedãs XE e XF lançados em 2015. O sistema de tração é o da tarimbadíssima Land Rover, com ajustes para assumir uma personalidade mais agressiva, como a marca Jaguar exige. O motor a gasolina, de origem Ford, não é dos mais novos, mas ainda é eficiente. Já o motor diesel, que sai da nova fábrica do grupo Jaguar Land Rover em Wolverhampton, na Inglaterra, é bem moderno. Nota 9

Habitabilidade – Boa parte do sucesso dos utilitários esportivos se explica pela vida a bordo. Há uma área generosa para os passageiros, muitos porta-objetos, facilidade de acesso e um porta-malas que aceita até algumas extravagâncias. O F-Pace junta tudo isso a luxo e requinte. Nota 10

Acabamento – O nível de detalhamento dos acabamentos do modelo inglês é impressionante. A mistura de elementos é de extremo bom gosto e os materiais de revestimentos são bastante requintados. Todas as áreas suscetíveis ao toque são macias e a montagem dos painéis exibe um padrão de qualidade realmente alto. Nota 10

Design – A partir do sucesso do esportivo F-Type, a Jaguar aparentemente assumiu a obrigação de, pelo menos, fugir do lugar-comum. E foi muito bem sucedida no F-Pace. As colunas dianteiras e traseiras são bem inclinadas e dão um ar muito esportivo ao modelo. Essa sensação é reforçada pela valorização das linhas horizontais, que fazem o carro parecer mais largo e mais baixo do que é. Por outro lado, os cortes abruptos na frente e na traseira dão uma ideia de robustez. Vários detalhes, como as lanternas traseiras, remetem ao esportivo F-Type, mas não houve exageros nessas referências. Nota 9

Custo/benefício – O F-Pace atua em uma faixa de preço bem alta. O SUV inglês fica entre R$ 310 mil e R$ 410 mil. São preços semelhantes aos do principal rival, o Porsche Macan, que é um pouco menor de tamanho e fica entre R$ 320 mil e R$ 410 mil. Nessa faixa de preços, porém, há vários competidores, como as versões superiores do Audi Q5, Mercedes-Benz GLE 350 diesel e a BMW X5 3.0d Full. Apesar de caro, o modelo da Jaguar não está fora da curva. Nota 5

Total – O F-Pace somou 89 de 100 pontos possíveis.

Auto Press

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