Exposição lembra expedicionários - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Exposição lembra expedicionários

Cidades, Mogi das Cruzes

Algumas peças de um quebra-cabeça histórico ainda por ser montado estão reunidas na exposição 72 anos da FEB – Expedicionários Mogianos, em cartaz no Casarão da Mariquinha, no Largo Bom Jesus, até o próximo dia 30 de abril. O subtítulo da mostra, Apagados da história, apagados da memória, resume uma provocação sobre as perguntas ainda não respondidas acerca da participação mogiana na 2ª Guerra Mundial, e a maneira como foram e são tratados os expedicionários.

Fotografias, livros, depoimentos, cópias de documentos e de jornais antigos, além de utensílios e roupas usadas pelos expedicionários, servem para recompor uma pequena biografia da presença dos mogianos na Itália. E sugere uma reflexão sobre o que sucedeu a partir daí, quando eles foram desligados da FEB, antes mesmo de o grupo retornar para o Brasil, num primeiro ato de abandono e desrespeito aos participantes dessa missão militar.

Ainda hoje, essa é uma história pouquíssimo reverenciada e até conhecida pelo poder público e pela sociedade.

João Camargo, proprietário do Casarão da Mariquinha e estudioso da história de Mogi das Cruzes, passou a se dedicar mais ao assunto nos últimos anos, quando começou a pesquisar e conhecer os expedicionários ainda atuantes – José Miled Cury Andere, Paulo Pereira de Carvalho e Herausto Gomes, além de outros falecidos.

Foi a partir das conversas e observações, que ele começou a anotar a inconsistência de algumas das informações sobre a participação dos mogianos que integraram a FEB (Força Expedicionária Brasileira) e foram para a Itália, representar o Brasil, ao lado dos Aliados.

(Fotos: Eisner Soares)

(Fotos: Eisner Soares)

A começar pelo número total de mogianos que participou da batalha. Um dos livros do historiador Isaac Grinberg cita cerca de 600 combatentes (Fonte: Mogi das Cruzes de Antigamente). Há um esforço para se descobrir qual o total desse contingente. Listagens feitas por combatentes, como Miled, e pela Associação Expedicionários Mogianos [que transferiu seu acervo e sede própria para a Prefeitura de Mogi das Cruzes] apontam para a casa de 300 a 400.

Há outras distorções. Na placa de identificação do Monumento do Expedicionário, instalado e malcuidado entre as duas pistas da Passagem Subterrânea Oswaldo Crespo de Abreu, no Mogilar, e ao lado do Tiro de Guerra de Mogi das Cruzes, consta o nome de um pracinha, Abílio César, que não aparece em nenhuma listagem oficial.

Entre os combatentes mortos, que eram de Mogi das Cruzes e Região, há um nome também não reconhecido pela relação publicada pelo Exército: Antonio Castilho Gualda. Não consta do livro Os mortos da FEB.



Essas e outras particularidades sobre o movimento estão coladas em cartazes que convidam o visitante da mostra a refletir sobre esse movimento e concordar com que diz, o professor de história Miled Cury Andere acerca dos momentos de apreensão, frio e fome, passados nos campos da Itália, e da luta empreendida depois que o grupo de jovens volta para o Brasil e recebe a ordem de não falar a ninguém, o que viveram naquele período: “Os vitoriosos são perdedores numa guerra”.

João Camargo é sobrinho do expedicionário Nelson de Souza Mello (1921-2008), de quem pouco ouviu sobre os tempos da Guerra. O tio era tímido, calado, e esse era um assunto pouco falado nas famílias. As exposições no Casarão da Mariquinha sobre o tema (essa é a terceira delas) são um meio de despertar familiares e outras pessoas para uma parte da história que está se perdendo.

“Penso que o que eles viveram não foi nada fácil, nem na Itália, e muito menos, depois, quando retornaram e ficaram sabendo que haviam sido desligados da FEB, quando ainda estavam a caminho do Brasil”, diz Camargo. Outras cidades brasileiras têm conseguido manter melhor a memória e o acervo dos expedicionários. Esse é um desejo do organizador da mostra: receber estudantes e jovens, familiares dos expedicionários que também desconheçam esses detalhes e, talvez, possam agregar novas informações históricas. A mostra poderá ser vista hoje (dia 15) e nos dias 28, 29 e 30, das 14 às 20 horas. Além desses dias, visitas agendadas podem ser combinadas no telefone 3374-1844.

Entre as lembranças, algumas imagens raras

(Fotos: Eisner Soares)

(Fotos: Eisner Soares)

Entre as fotografias reproduzidas para a exposição 72 anos da FEB – Expedicionários Mogianos – Apagados da história, apagados da memória estão retratos e a identificação de alguns dos pracinhas mogianos e raridades que começaram a circular entre quem estuda o tema, como uma imagem do pelotão mogiano, recebido durante uma festa na Cidade, e publicada pelo jornal O Liberal, em 16 de setembro de 1945. Sobre a recepção, no Largo Bom Jesus, a matéria trouxe o título: “Sob crepitante apoteose cívica o povo mogiano glorificou os seus bravos combatentes”.

Também há recortes de matérias publicadas em diferentes datas sobre a luta dos pracinhas pelo reconhecimento e a readaptação daqueles que voltaram doentes ou com sequelas físicas. Um dos títulos do jornal Imprensa Popular, de 14 de outubro de 1953, é: “Vai pedir esmola o herói da FEB”.

Vale conferir, ainda, os livros lançados no decorrer dos últimos com relatos e informações sobre os expedicionários. (E.J.)

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