Esperança perdida - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete

           EDITORIAL

Esperança perdida

Editorial

Ela é uma jovem de 30 anos, vive em Mogi das Cruzes. As encruzilhadas da vida a levaram a encarar, por duas vezes, rapazes de posição social muito mais elevada que a dela. Frentista em posto de gasolina, prestava depoimento à polícia, na semana passada, sobre o trágico desfecho do assalto ao posto em que trabalha. Assalto que levou à morte três dos quatro jovens de classe média que roubaram o estabelecimento. Durante o depoimento na polícia, o mesmo posto seria assaltado novamente.

A Cidade se surpreendeu com a violência e o protagonismo de rapazes que não precisam roubar para usufruir vida confortável e o esforço de trabalhadora, que se submete à árdua faina para sobreviver. Mas, reveladoramente, não se surpreendeu com mais um episódio da onda de violência que assola toda a Região.

Ainda há alguns dias escrevíamos, neste mesmo espaço, acerca de falta de um plano estratégico de segurança que abarque todo o universo da vida comunitária. A resposta que recebemos dos responsáveis pelo setor no Estado foi a de sempre: não há aumento de insegurança e a estrutura policial é eficiente. Ou seja: não entenderam nada.

A nós é incompreensível que não tenhamos, de há muito, notícias sobre encontros de planejamento estratégico com a participação de quem se dispôs a assumir a incumbência. Relegam à linha de frente – polícias civil e militar – a responsabilidade única. Comportamento confortável que apenas revela omissão. Não se manifestam os integrantes da Comissão de Segurança Pública da Câmara (vereadores Cláudio Miyake, Diego Martins e Mauro Margarido); nada diz a Secretaria de Segurança da Prefeitura. Tampouco a Associação Comercial. E, para os demais, basta ir pedir aumento de efetivo à Secretaria de Estado da Segurança.

Isso é pouco, isso é nada. É preciso que toda a comunidade se una para dizer o que pretende: uma Cidade entregue ao deus dará ou uma comuna consciente das suas necessidades? Aqui se incluem os clubes de serviços, todos os setores que envolvam grande público (secretarias da Educação e Saúde, por exemplo) e cada um de nós. A criação de uma força conjunta de pronta resposta, que reúna os dispositivos hoje esparsos seria a ação mais imediata. Mas não a única.

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