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Empresas apostam na tecnologia para manter segurança

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Câmeras de monitoramento são aposta de segurança. (Foto: Arquivo/ O Diário)

Câmeras de monitoramento são aposta de segurança. (Foto: Arquivo/ O Diário)

LUCAS MELONI
Com índices criminais cada vez mais elevados e bandidos audaciosos e que agem a qualquer hora do dia ou da noite, o mercado da segurança particular e eletrônica desenvolve novas ferramentas para impedir o sucesso dos marginais e, com isso, fatura em tempos de crise. Os custos com câmeras, sensores de presença, alarmes e outros serviços do sistema de monitoramento podem variar de R$ 1 mil a R$ 2 milhões. Uma empresa de Mogi das Cruzes desenvolveu a “Portaria Eletrônica”, atendimento destinado a condomínios que consiste em blindar a guarita dos porteiros e restringir o acesso por meio de códigos a serem verificados por uma central e, assim, impedir que o funcionário seja rendido e permita que os ladrões entrem no prédio.

Conforme O Diário publicou em reportagens nesta semana, imóveis residenciais e comerciais do Centro da Cidade têm sido invadidos durante as madrugadas e nos fins de tarde por bandidos. Os roubos e furtos aconteceram nas ruas Barão de Jaceguai e José Bonifácio.

No caso mais recente, na última terça-feira, um casal roubou R$ 70 mil em peças de roupa de uma loja em plena luz do dia. O assalto durou 20 minutos. Eles tinham se passado por clientes antes de anunciarem o roubo. A proprietária do estabelecimento ainda avalia se tentará reabrir a loja depois do terceiro grande assalto em três anos e meio de funcionamento do comércio (saiba mais nesta página).

Em tempos difíceis como os atuais, os índices de crimes devem continuar em alta, conforme a avaliação de especialistas de segurança. Para tentarem impedir a ação dos ladrões, pessoas e comércios têm aderido a serviços particulares de monitoramento e vigilância. O investimento pode ser pesado.

“O mais comum é o uso do alarme e da câmera de segurança. O movimento do indivíduo quando entra no imóvel desperta o sensor e avisa a central. Um agente de sinistro é encaminhado ao local e se constata que há alguém no lugar chama a Polícia Militar. Se houver uma viatura próxima, ela chega em três minutos. O valor de cada sistema varia de acordo com a necessidade. Há sistemas com alarme e câmera que custam R$ 1 mil, para residências, e outros que chegam a R$ 2 milhões, destinados a condomínios”, afirmou Renan Munhoz, gerente operacional do Grupo Padrão. Um condomínio de alto padrão localizado no Nova União gastou esta quantia na implantação de um novo plano de segurança local.

Outra demanda crescente e um nicho que as representantes do setor têm explorado é a de segurança em condomínios. Em Mogi, uma empresa criou a “Portaria Eletrônica”, uma ferramenta para inibir roubos e furtos a prédios. “É um diferencial porque os residenciais perceberam a investida dos bandidos a prédios. O serviço consiste em blindar a guarita do vigilante e limita o acesso e a saída da cabine. Para o guarda sair, ele solicita à central, recebe um código verificador e, depois de constatado que está tudo em ordem, o acesso é liberado. Isso impede que os agentes sejam rendidos e sejam obrigados a abrir as portas”, comentou Welber Daison, coordenador de monitoramento da MC Segurança e Vigilância.

A preparação dos serviços de acesso e monitoramento por central da cabine custam, em média, R$ 5 mil. A administração paga por fora a blindagem de portas e janelas do espaço que pode ultrapassar os R$ 15 mil. Quinze condomínios da Cidade já contam com esta proteção de guarita.

O aumento na procura por segurança particular evidencia uma triste realidade: enquanto os bandidos seguem livres e despreocupados pelas ruas, os cidadãos de bem se mantêm presos em fortalezas para driblar a violência nunca cessada pelo Estado.



Criminalidade
Três assaltos em três anos e meio de atividades. J.L.M., de 40 anos, ainda avalia se vale o risco reabrir a loja Rosa Pimenta, localizada na Rua Barão de Jaceguai, na região central de Mogi das Cruzes. Um casal de bandidos roubou, na última terça-feira, R$ 70 mil em peças de roupas.

A indignação é compreensível. O primeiro endereço da loja era a Rua Flaviano de Melo, também no Centro. Por lá, a Rosa Pimenta ficou dois anos e foi alvo de roubos em duas ocasiões. “Eles levaram bastante coisa das outras duas vezes. Agora conseguiram levar ainda mais. O casal veio pela primeira vez na segunda-feira. Ele aparenta ter uns 26 anos e ela 20. Eles se passaram por clientes e buscavam uma calça para ela. Eles retornaram na terça e a mulher pediu para experimentar uma calça. Ele foi ao banheiro e voltou anunciando o assalto. Eles colocaram as peças em grandes sacolas de lixo e levaram a um carro estacionado do outro lado”, afirmou à reportagem.

Os bandidos deixaram a lojista com apenas as peças que estavam nos manequins nas vitrines. “O meu estoque ficou absolutamente vazio”, acrescentou.

Por causa dos roubos anteriores, a proprietária decidiu reforçar a segurança do estabelecimento. Grades, câmeras e sensores de presença. O gasto? Cerca de R$ 5 mil.

Se a lojista decidir continuar as atividades, será necessário investir ainda mais e em tempos de crise econômica como os atuais. “Ainda não parei para pensar se vou continuar. Cansei de trabalhar para dar dinheiro a esses bandidos. Se continuar, vou precisar reavaliar a segurança”, disse.

Na hora do assalto, havia apenas uma funcionária na loja. A dona havia acabado de passar por uma cirurgia e se recuperava do procedimento quando foi comunicada do fato. “Ainda tive de enfrentar todo o estresse pós roubo depois de uma cirurgia na boca, com risco dos pontos romperem”, comentou. (L.M.)

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