Empresa de Mogi vai construir crematório na Cidade

Empreendimento do Grupo Prever deve atender toda a região do Alto Tietê. (Foto: Eisner Soares)
Empreendimento do Grupo Prever deve atender toda a região do Alto Tietê. (Foto: Eisner Soares)

A licença prévia para construção do crematório do Sistema Prever em Mogi das Cruzes foi emitida nesta quinta-feira (27) pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), segundo informações da própria autarquia. O processo já tramita há, pelo menos, três anos. Para iniciar a obra, agora é necessária apenas a licença de instalação.

Com autorização para construir, o prazo para operação do crematório em Mogi das Cruzes é de 10 meses, segundo informou a empresa. O investimento previsto é de R$ 5 milhões e o atendimento deverá ser regionalizado. O local onde o crematório será construído é mantido em segredo.

O gerente comercial da Prever em Mogi das Cruzes, Domingos Borgatto, afirma que a verba para a construção do crematório já está garantida. Além disso a empresa possui outros 12 crematórios em funcionamento. “Temos a experiência de outras cidades. Quando você conhece, o caminho fica mais tranquilo”, ressalta.

Ontem, representantes da Prever estiveram na Câmara Municipal para falar sobre o projeto à Comissão Especial de Vereadores (CEV) formada para apontar soluções à falta de vagas em cemitérios da Cidade.

A licença prévia emitida ontem atesta a viabilidade ambiental do empreendimento. Agora, deve ser solicitada a licença de operação, à própria Cetesb e, posteriormente, a permissão de operação.

A Cetesb detalha que o processo de incineração será realizado em um forno estacionário, utilizando gás GLP como combustível de queima. Para esta atividade não se aplica avaliação de impacto ambiental, conforme análise da Diretoria de Avaliação de Impacto Ambiental da autarquia.

Luciano Panhozzi, diretor da funerária, afirma que o crematório poderá atender todo o Alto Tietê, com um forno capaz de fazer centenas de cremações ao mês. O retorno do investimento, segundo ele, será a longo prazo – em cerca de 10 anos -, já que a demanda pelo serviço no Brasil é pequena em relação à Europa e à Ásia.

O empresário ainda se colocou à disposição a fim de ajudar a Prefeitura a buscar soluções para a falta de jazigos na Cidade, citando como opções a criação de gavetas nos cemitérios, a exemplo dos cemitérios verticais, mas em uma altura que não ultrapassasse a altura das árvores – para preservar o visual do local.

Além da Prever, o Grupo Memorial de Santos, responsável por um dos maiores crematórios do mundo, também demonstrou interesse em instalar um serviço em Mogi das Cruzes. Ainda em reunião com vereadores, o arquiteto da empresa, Antônio Augusto Branco Correia, e o diretor comercial, Evans Edelstein, disseram que o empreendimento custaria caro, mas destacaram que o Município tem demanda para justificar o investimento.

Para Correia, o crematório oferece vantagens ambientais quando comparado ao cemitério. “Este problema de falta de área também é algo que acontece em Santos e o crematório acaba sendo uma saída. Ele ainda tem o privilégio de não contaminar o lençol freático. É uma tendência que poderá agregar soluções a Mogi”, avalia.

Ele diz ainda que o licenciamento ambiental para o empreendimento é complexo e precisa passar por aprovação da Prefeitura, além de atender exigências do Plano Diretor. Além disso, o projeto é submetido ao Governo do Estado, Secretaria do Meio Ambiente e Cetesb. Entretanto, conforme Edelstein, a empresa teria expertise suficiente para conseguir licenciar a operação em um prazo mínimo de seis meses.

DANILO SANS