Empresa de Mogi busca reduzir impactos ambientais de sua atuação - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Empresa de Mogi busca reduzir impactos ambientais de sua atuação

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Kimberly-Clark produz diferentes marcas de papel. (Foto: Edson Martins)

Kimberly-Clark produz diferentes marcas de papel. (Foto: Edson Martins)

DARWIN VALENTE
Quando a crise hídrica de 2015 atingiu a Região do Alto Tietê, provocando sérios impactos e restrições no consumo de água pelas cidades, agricultores e empresas, a Kimberly-Clark, empresa que se vale do Rio Tietê para produzir papéis e derivados, no Bairro do Cocuera, em Mogi, estava relativamente tranquila. Graças a um plano adotado 2010, com objetivo de reduzir o volume de água captado junto ao mais importante manancial da Região, a empresa já havia obtido, àquela altura, uma considerável economia, que a deixava numa posição privilegiada em relação às restrições impostas pelo governo estadual, por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e da Cetesb.

A preocupação com a economia de água, aumentada a partir de 2012, quando adotou a Pegada Hídrica, que visa compensar, com o plantio de árvores, o volume de água retirado do Tietê, é uma das medidas adotadas pela empresa voltadas para ajudar na preservação do meio ambiente da região que abriga uma das maiores e mais importantes fábricas do grupo de origem norte-americana no País. Junto com as preocupações relativas à área de produção, a K-C também desenvolve outras ações ambientais na área ao redor de seu Centro de Distribuição, localizado junto à Serra do Itapeti, no Bairro do Taboão.

Segundo Humberto Enriquez, gerente de Meio Ambiente, a multinacional adota medidas agressivas e uma forte estrutura para enfrentar as demandas e os desafios da sustentabilidade, que lhe asseguraram, até agora, “resultados muito positivos”.

Pegada Hídrica
No ano de 2010, a direção da K-C do Cocuera lançou um desafio a seus funcionários – hoje, em torno de 570: reduzir em 25%, num prazo de cinco anos, o volume de 1.984.607 m³ de água que eram retirados à época do Rio Tietê, manancial que corta a parte dos fundos de uma área de 273.337 m², ocupada pela empresa em Mogi das Cruzes.

O empenho dos colaboradores, ajustes e modernização do maquinário, entre outras medidas, fizeram com que a meta fosse alcançada a tempo de garantir certa tranquilidade à empresa durante a crise hídrica que atingiu todo o Estado de São Paulo, em 2015. O índice de economia continuou crescendo até chegar aos atuais 27%, devendo chegar a 30% até o final deste ano.

Tais resultados se deveram, em grande parte, ao projeto pioneiro na indústria, denominado de Pegada Hídrica, desenvolvido a partir de 2012, em parceria com a ONG The Nature Conservancy (TNC), uma organização internacional, sem fins lucrativos, líder na conservação da biodiversidade e do meio ambiente, cuja missão é conservar plantas, animais e comunidades naturais que representam a diversidade da vida na Terra.

A instituição colocou em prática dois estudos na unidade mogiana. Um dentro da fábrica, que calculou a quantidade de água incorporada no seu processo de produção; e outro fora dela, realizando um diagnóstico de sustentabilidade da bacia hidrográfica do Tietê, definindo, entre outros aspectos, as áreas que necessitavam ser compensadas pelo uso da água pela K-C.

O estudo, que serviu como referência para as outras fábricas da empresa no País, colaborou para que a empresa mogiana atingisse um nível de consumo de água por tonelada de papel produzido que chegou a superar até mesmo as unidades da K-C em Israel, até então com o melhor desempenho dentro do grupo, neste indicador.



A fábrica também conseguiu atingir outra marca importante: a recirculação de 55% da água usada na fábrica. Isso significa o retorno para as máquinas produtoras de papel de um volume aproximado de 110 m³ de água a cada hora de trabalho.

“Nos preocupa muito o uso da água porque estamos inseridos numa comunidade e não podemos deixar de pensar que esta comunidade também precisa desses recursos hídricos. Para nós, é muito importante a redução do consumo, mantendo a qualidade de nosso produto, sem afetar a comunidade na qual estamos inseridos”, diz Enriquez, lembrando que junto com a TNC, a empresa criou parâmetros de controle para reutilização, tratamento e devolução da água para a natureza em plenas condições de uso.

Para ajudar na recuperação dos mananciais, foram plantadas 2.500 mudas de árvores remanescentes da Mata Atlântica em uma área de 2,2 hectares. Até o final deste mês, mais 41 mil mudas serão plantadas em 37 hectares concentrados na Bacia do Rio Tietê, já devidamente mapeados pela TNC.

Resíduos
De acordo com o gerente Humberto Enriquez, a gestão de resíduos produzidos pela indústria é outra preocupação da K-C, que adota métodos como 3 R (reduzir, reutilizar e reciclar) para reduzir esta carga. Dados de 2015 mostra a reciclagem anual de 5.192 toneladas, enquanto outras 1.812 toneladas foram reutilizadas para compostagem.

Restos de papel e plástico usados como matéria-prima e embalagens são comercializados com outras empresas da Região. “Pó de celulose, por exemplo, é usado em compostagem para agricultura”, conta Enriquez, que ressalta a preocupação da empresa com o desenvolvimento de ideias e busca de parceiros para utilização de seus subprodutos, ao mesmo tempo em que programas internos buscam reduzir ao máximo o “desperdício” da produção.

Atualmente, a empresa já consegue reutilizar 55% dos resíduos, mas a meta é chegar à monetização de 75%, enviando o restante para aterros.

Para chegar à meta ainda um tanto distante de zerar os resíduos, a empresa busca criar uma cultura interna de sustentabilidade, com campanhas e outras ações, como a manutenção de uma fábrica limpa e bem cuidada, colocação de separadores de lixo dentro das salas e outros locais de trabalho, entre outras medidas.

O mapeamento da emissão de gases que provocam ou efeito estufa é outra preocupação da empresa que espera chegar em 2022, com redução de até 25% do total liderado.

A unidade de Mogi da K-C é responsável pela produção de papel higiênico das marcas Neve, Scott e Kleenex, guardanapos Grande Hotel, além de papéis profissionais. A empresa possui ainda unidades em Eldorado do Sul (RS), Correia Pinto (SC), Camaçari (BA) e Suzano (SP).



Estação Ecológica ajuda a manter espécies raras

Sangui em extinção é mantido na reserva do Itapeti. (Foto: Divulgação)

Sangui em extinção é mantido na reserva do Itapeti. (Foto: Divulgação)

O Centro de Distribuição da Mata Atlântica da Kimberly-Clark, situado junto à Estação Ecológica da Serra do Itapeti é muito mais que a maior unidade de logística da empresa na América Latina. Com 69 mil m², 386 funcionários, mais de 100 mil posições para colocação de pallets, e capacidade para 2,3 milhões de volumes, também abriga um importante polo de preservação da vida natural daquela região.

Desde 2013, o CD da K-C, por onde passam sete de cada dez produtos fabricados em Mogi e Suzano, mantém o Centro de Referência Sócioambiental da Mata Atlântica, uma área de proteção permanente recuperada e transformada em corredor para espécies protegidas, onde também são desenvolvidos projetos de pesquisa e biodiversidade, além de educação ambiental.

O projeto que tem o apoio da UBC e UMC vem realizando, com sucesso, o mapeamento da flora e fauna da região, já tendo identificado pelo menos 14 espécies de animais, alguns em perigo de extinção, como o sagui-da-serra escuro (Callithrix aurita), furão (Galictis cuja), gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus) e para (Cuniculus paca).

“Estamos reabilitando o habitat desses animais, com o plantio de árvores e impedindo o devastamento daquela área”, diz o gerente ambiental da K-C, Humberto Enriquez, destacando o papel educativo do Centro de Referência, já que o local recebe, com frequência, crianças de escolas da região, que recebem informações e podem percorrer o interior do local, em visitas previamente agendadas.

“Elas têm a oportunidade de um contato direto com a natureza e também recebem informações sobre o projeto e passam a entender como estão se desenvolvimento as espécies mapeadas. Estamos cuidando hoje das gerações futuras, sob o ponto de vista socioambiental”, assegura Enriquez.

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