Em uma foto perdida, várias memórias resgatadas - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete

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Em uma foto perdida, várias memórias resgatadas

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Etsuka Tavares perdeu foto da antiga equipe do vôlei, Ana Pontes encontrou e sugeriu publicação em O Diário. (Fotos: Augusto Jazani e Eisner Soares)

Etsuka Tavares perdeu foto da antiga equipe do vôlei, Ana Pontes encontrou e sugeriu publicação em O Diário. (Fotos: Augusto Jazani e Eisner Soares)

DARWIN VALENTE
A antiga foto da equipe de vôlei de Mogi da década de 1950, perdida numa rua central da Cidade, serviu para reviver parte da história de seus 14 retratados e unir duas antigas amigas, que apesar de morarem próximas, há muito estavam afastadas, convivendo com dramas semelhantes: a perda de seus maridos.

As duas voltarão a se encontrar, em breve, para lembrar o passado vivido por elas na Mogi antiga e se divertir com a história da fotografia onde elas não aparecem, mas que foi decisiva na reaproximação.

Tudo começou há menos de um mês, quando Etsuko Umeta Tavares procurou uma loja de fotografias no Centro de Mogi para reproduzir a imagem do time de vôlei onde jogava seu marido, José Romeiro Tavares, o José Melma, apelido que recebeu dos amigos de escola por executar trabalhos manuais que muito agradavam o antigo professor Rodolfo Mehlmann, já falecido.

Etsuko, que ainda lamentava a perda subita do companheiro, no dia 8 de dezembro do ano passado, havia decidido repetir um antigo hábito de Melma: oferecer para os amigos fotografias antigas, que buscava sempre nos mais diferentes pontos e com pessoas da Cidade.

As reproduções da foto do time de vôlei, onde ele aparecia, agachado, na primeira fila de atletas, seriam entregues aos jogadores que ainda estivessem vivos e a familiares dos que já haviam partido.

Ela apanhou as cópias na loja e seguiu para casa tomando o caminho mais curto, que começava na Senador Dantas, seguia pela Rua Olegário Paiva, até chegar à Praça Rotary, onde reside desde 2014.

A decisão de copiar a imagem nasceu após Etsuko notar que nela estava, entre outros, Sebastião Faria, marido de sua amiga Norma Moretti, que é mãe de Fernanda Moretti, conhecida professora de dança da Cidade, que dá aulas para sua filha, Ana Paula.

Ao chegar em casa, no entanto, foi a própria Ana Paula quem alertou Etsuko de que estaria faltando uma fotografia da relação encomendada por ela à loja.



“Achei que a Mogi Foto havia me entregue o pacote com uma a menos. Mas cheguei à conclusão de que não valia a pena voltar à loja para reclamar”, contou ela.

A loja não havia se enganado na entrega. Etsuko saíra de lá com toda a encomenda. Só não notou quando uma delas escapou de suas mãos e caiu, ficando na calçada do trecho inicial da Rua Senador Dantas, uma via que ela conhece muito bem, desde criança, quando passava por ali para ajudar sua mãe, Júlia Umeta, que por 37 anos manteve em funcionamento o Bazar Urupema, localizado ao lado do antigo cinema na Praça Firmina Santana, ao lado da loja A Triunfante e, mais tarde, do Café Michel, próximo à antiga Estação Rodoviária.

Coincidências
Ana Maria Portes, 68 anos, estranhou ao ver a foto já envelhecida abandonada sobre a calçada, durante um de seus passeios pela Senador Dantas, no Centro da Cidade, há umas três semanas. Recolheu a foto, reconheceu alguns dos jogadores nela retratados e imaginou que aquele pedaço de papel poderia ter grande valor sentimental para quem o perdeu.

Decidiu guardar e levar para sua casa, coincidentemente, nas proximidades da Praça Rotary.

Imaginou que a melhor saída para encontrar quem perdera a foto seria buscando apoio do jornal O Diário, do qual é antiga assinante. Deixou com alguém de sua confiança que, entretanto, se esqueceu de encaminhar ao esperado destino.

Enfim Ana Maria, na última terça-feira, levou a imagem à Redação do jornal, que a publicou na edição seguinte, na seção “Cotidiano” da Coluna Informação, alertando que a fotografia havia sido deixada para que fosse procurada por quem a havia perdido.

Repercussão
Na quarta-feira, pela manhã, quando a foto foi publicada, Etsuko saiu cedo de casa para cumprir compromissos pessoais que não lhe deram tempo sequer de dar uma passada de olhos pelo jornal O Diário, do qual também é antiga assinante.

A filha Ana Paula, sempre atenta, não deixou a história passar em branco. Viu a imagem e esperou a mãe retornar para casa, já no período da tarde, para lhe contar a novidade.

Antes disso, no entanto, o filho Marcelo Umeta Romeiro Tavares, que trabalha no setor de Protocolo da Câmara de Mogi, que também tivera acesso ao jornal e reconhecera a foto, já havia ligado para a Redação para informar que ela pertencia à sua mãe, que iria buscá-la, assim que pudesse.



Logo pela manhã, na quinta-feira, Etsuko chegou à Redação, sorridente, com uma bolsa a tiracolo e outra cheia de fotos antigas, algumas dos tempos do marido Melma. Descontraída, contou que adora colecionar e relembrar histórias e personagens que ganham vida nas imagens em papel. Sempre em papel. Não gosta ‘dessas modernidades de ver fotos em computador ou na tevê”.

Ao falar da foto, lembrou que no último domingo ofereceu uma das cópias para Beto Miller – irmão do conhecido José Carlos Miller da Silveira, o Professor Tuta –, que jogava vôlei e era o segundo jogador , em pé, da direita para a esquerda.

Depois de contar toda a história da foto, ela fez uma revelação: conhece Ana Maria Portes, viúva de Mário Portes, que era filho do outro Mário, que dá nome a uma premiada banda marcial do Distrito de Jundiapeba, em Mogi. Mais do que conhecida, Ana Maria é sua quase vizinha, já que também reside nas proximidades da Praça Rotary. Lembrou que se tornaram amigas há muito tempo, mas que pouco se conversaram recentemente, principalmente depois que ambas perderam os maridos, em épocas distintas.

“Vou aproveitar a oportunidade para visitá-la e agradecer por ter encontrado esta fotografia que tanta história traz com ela. Vou aproveitar para conversarmos, o que deixamos de fazer, mesmo morando próximas. Será ótimo rever minha amiga e saber que uma fotografia perdida irá nos reaproximar”, diz Etsuko, sorriso largo estampado no rosto.

Na década de 1950, o vôlei reunia jovens na quadra do União F.C
A fotografia que deu origem à história contada nesta página mostra os integrantes da equipe de vôlei da Cidade do período em que Henrique Peres, o Vidam, último em pé à direita da imagem, foi prefeito de Mogi das Cruzes, entre 1º de janeiro de 1956 a 10 de março de 1957.

Retrato do antigo time de vôlei trouxe à tona lembranças da equipe. (Foto: Divulgação)

Retrato do antigo time de vôlei trouxe à tona lembranças da equipe. (Foto: Divulgação)

O esporte era um dos preferidos dos jovens daquela época, que podiam contar com a quadra do Ginásio de Esportes Francisco Averaldo, do União FC, no Bairro do Mogilar, inaugurada em 1953, para seus treinos e jogos. O espaço onde foi feita a fotografia havia sido construído durante o período em que Averaldo foi presidente do clube, com ajuda do deputado federal Ubirajara Kuetenedjian, que obteve financiamento para a obra junto à Caixa Econômica Federal.

Na fotografia, da esquerda para direita, em pé, aparecem, pela ordem, José Abel Arantes, Zé Macaco, Miguel Nagib, Angeli e um outro atleta não identificado (pertenciam à Nitroquímica de São Miguel Paulista e atuavam como reforços do time mogiano), Beto Miller da Silveira, Sebastião Faria e o prefeito Henrique Peres.

Abaixados, estão José Melma, Alberto Perotti (de óculos), Tonico Brasil, Cid Boucault e um outro atleta não identificado.

Dos que aparecem na foto, José Abel, Sebastião Faria, Henrique Peres, José Melma, Perotti, Tonico Brasil e Cid Boucault já faleceram. Não há informações sobre o paradeiro de Zé Macaco e Angeli.

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