E o Lula conseguiu!

A propósito da Copa do Mundo realizada no Brasil em 1950, já tive oportunidade de expressar que, se a este país fosse dado participar com dois selecionados, por exemplo, A e B, haveria muita chance de a final ser brasileira, tal era a nossa superioridade nesse esporte.
Essa superioridade durou bastante tempo sem que os brasileiros, principalmente os jogadores, dela tivessem a exata e devida noção. Durou, também, algum tempo um certo complexo de inferioridade – ou, uma insegurança –, que Nelson Rodrigues chamava de complexo vira-lata, que tornava nossos atletas descrentes de seu próprio valor,o que era ainda reforçado por um sentimento derrotista que o próprio povo brasileiro transpirava, sucumbindo sempre diante do  seja lá o que fosse, estrangeiro.

No mundial de 1958, na Suécia, uma conjunção de fatores que já vi abordados, mas, nunca à exaustão, ajudou-nos a superar o amarelão, outro designativo do tal complexo de inferioridade. Ganhamos aquele mundial e aí  fomos apanhados pelo avesso daquele complexo, passamos ao domínio da sensação de superioridade que se estendeu a muitas outras atividades, como se o futebol, então vencedor, tivesse o condão de, definitivamente, influenciar melhoras generalizadas no país.

Mas não foi assim, embora tenha, por algum tempo, parecido ser verdade. Acontece que foi nesse exato momento mais vitorioso, que começaram a aparecer as parasitas do esporte vitorioso, na forma de dirigentes que só se interessavam – e, só se interessam,  porque ainda resistem por aí –,  pelas vantagens imediatas, do enriquecimento fácil e rápido, sem qualquer compromisso com a estruturação duradoura e renovadora. Pior ainda do que isso foi a interpenetração do futebol com a política e vice-versa. Como tudo esteve permeado por imediatismo de ganhos financeiros e eleitorais, relaxou-se  quanto à organização que objetivasse a preservação da qualidade que, por se considerar inata e infinita, sempre renderia lucros e votos.

Então, como num sonho, surge na política uma liderança popular, vinda das camadas menos favorecidas da sociedade que, elevada às alturas eleitorais mais importantes, resolve sem o mínimo preparo e muito mal assessorado, ajudar, com o peso da sua eleição à Presidência da República, a atrair a Copa do Mundo outra vez para o Brasil.

Os brasileiros que já se acostumavam com a ideia de que estavam longe de ser os melhores, voltam a sonhar que, de novo jogando em casa, não deixariam escapar a oportunidade de ganhar e retornar à hegemonia perdida. Isso tudo em meio aos seguidos discursos daquele inusitado líder político cheio de se vangloriar, como se fosse o criador e impulsionador de tudo de bom que existe no país, inclusive a Petrobrás, que ele mesmo atolou em escândalos.

O fundo era fraco e o sonho tornou-se pesadelo. Agora despencados de uma vez por todas na realidade dos 7 a 1 contra a Alemanha, o que se vê é o brasileiro aficionado pelo futebol, babando diante dos campeonatos europeus, os de cada país e os que reúnem aqueles países e, pasme-se, até do novel campeonato norte-americano de “soccer”. Também pudera, os nossos campeonatos são horríveis.  E, viva o Lula. É dele mais essa proeza. Ele conseguiu!

Redação

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