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Delegacia da Mulher fecha o semestre com mais de mil ocorrências em Mogi

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Um dos principais recursos oferecidos hoje às mulheres, de acordo com a delegada, é a medida protetiva. (foto: Arquivo/ O Diário)

Um dos principais recursos oferecidos hoje às mulheres, de acordo com a delegada, é a medida protetiva. (foto: Arquivo/ O Diário)

NATAN LIRA
O número de inquéritos que apuram a violência contra a mulher em Mogi das Cruzes já ultrapassou os mil casos só no primeiro semestre deste ano, segundo a delegacia especializada neste tipo de crime no Município. Em igual período do ano passado, foram listados cerca de 800 boletins. Nos últimos dois meses, a Cidade teve dois homicídios praticados por ex-companheiros contra suas ex-esposas. Além da comoção, esses casos que terminam em morte expõem a fragilidade na estrutura da defesa oferecida a essas vítimas, já que na maioria das vezes, há mais de uma ocorrência registrada contra o agressor, além de medida protetiva.

A professora Terezinha Cristina Gentil dos Santos, de 53 anos, foi quatro vezes à delegacia denunciar problemas com o ex-companheiro de três décadas de convivência, Davi Ferreira dos Santos, de 51 anos. Ela conseguiu da justiça uma medida protetiva. Mesmo assim, foi morta a tiros na noite de 16 de maio, no Condomínio Apoema, no Parque Olímpico.

A responsável pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Mogi, Valene Bezerra, explica que, geralmente, o juiz só determina a prisão de um suspeito quando a vítima apresenta provas que demonstram alto grau de periculosidade do acusado. “O juiz considera todo o material colhido, que vai desde a análise da reincidência do acusado, o cenário em que as ocorrências aconteceram, como é comportamento dele em casa, o que dizem as testemunhas e os exames de corpo de delito”, conta. Ela destaca ainda que a prisão só é expedida pelo delegado quando ocorre flagrante.

Um dos principais recursos oferecidos hoje às mulheres, de acordo com a delegada, é a medida protetiva, que proíbe o indivíduo de se aproximar da residência da vítima ou de manter uma certa distância, estabelecida no documento. “O que acontece muito é que a própria mulher desrespeita a medida. Em alguns casos, elas vão até o emprego do esposo pedir dinheiro, ou querem que ele vá levar os filhos na escola e depois, quando termina em confusão, elas solicitam a prisão deles, mas quem infringiu a distância foram elas”, comenta. Além dessa, a estrutura da DDM dispõe de Casa Abrigo, para que a mulher e os filhos fiquem até que a investigação seja concluída e possivelmente o suspeito preso, a assistência jurídica por meio da Procuradoria e os serviços de acompanhamento nos Centros de Assistência Social.

Para Valene, a possibilidade de diminuição desses casos de agressão à mulher só deve ocorrer após um investimento profundo na educação, porque o que se observa, segundo ela, é um ciclo de violência: na maioria das ocorrências as vítimas já viram o pai agredindo a mãe ou o próprio agressor conviveu com um cenário parecido dentro de casa. “A gente precisa ensinar que isso é errado. Além de orientar sobre o consumo de entorpecentes e do álcool, que muitas vezes contribui para que uma pessoa agrida a outra”, enfatiza.

Em Mogi, as denúncias contra a mulher podem ser realizadas nos distritos policiais e na sede da DDM, à Rua Olegário Paiva, 145, Centro, e também nos telefones 190 ou 4726-5917.

Mulher teme ser a próxima vítima
No último dia 1ª de julho, a camareira Adriana Aparecida Elias Arruda, de 34 anos, acompanhou de perto a morte de uma vizinha de condomínio, assassinada com pelo menos 14 facadas pelo ex-esposo. O caso a chocou ainda mais porque ela enfrenta situação semelhante com o ex-companheiro. Desde março, Márcio Luiz dos Anjos Silva, de 35 anos, reapareceu após a separação ocorrida em outubro do ano passado, a fim de reatar o romance. De acordo com a camareira, ela já havia dado uma segunda chance a ele dois meses antes do último rompimento, mas nada mudou. “Ele é uma boa pessoa para os meus filhos, mas não quer saber de trabalhar. Agora que voltou, está agressivo, já quebrou várias coisas dentro de casa”, conta. Adriana disse já ter tentado acordo com ele em dividir os móveis, mas ele só aceita retornar para o lar.

Na última terça-feira, Adriana procurou a reportagem de O Diário para reclamar da ‘morosidade’ na justiça. Segundo conta, ela entregou provas que podem culminar na prisão do ex-companheiro, mas nada foi feito. “Ele está indo à minha casa para me ameaçar, quebrou vários móveis, me manda mensagem dizendo que meus dias estão chegando ao fim, caso eu não retire a denúncia. Hoje eu fui mostrar à Polícia (ao 1º Distrito Policial) os últimos áudios que ele me mandou, dizendo que eu tenho só mais dois dias de vida. Será que eles vão esperar eu morrer igual a minha vizinha, para depois fazer alguma coisa?”, enfatiza. O casal viveu junto por 12 anos e tem duas filhas, de seis e três anos.



Em nota, a Polícia Civil de Mogi das Cruzes informou que o caso está sendo investigado por meio de inquérito policial instaurado pela DDM da Cidade. “Todas as medidas foram tomadas, o que resultou na prisão em flagrante do autor no dia 2 de junho deste ano, por descumprimento das medidas restritivas. Ele foi solto por decisão judicial. A polícia está à disposição da vítima, caso esteja recebendo novas ameaças”, trouxe o texto enviado a O Diário.

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