De olho no Parque Várzeas do Tietê

Juliano AbeSe há algo que pode elevar e muito a qualidade de vida na Cidade, é a recuperação ambiental e uso racional das várzeas. Um dos graves problemas urbanos são as invasões de áreas protegidas, que trazem mais poluição às aguas, maior degradação do meio ambiente e condições zero de moradia. A esperança é acelerar a implantação do Parque Várzeas do Tietê em Mogi das Cruzes. Os benefícios para a população vão além da oferta gratuita de lazer e práticas esportivas. O projeto também contempla os pontos abrangidos com saneamento básico, como a despoluição dos cursos d’água, combate às enchentes, e reordenação da ocupação das margens, como o reassentamento involuntário a fim de que moradores de locais impróprios sejam transferidos para habitações populares, além da recomposição e preservação ambiental.

Para priorizar nossa Cidade na implantação do parque, manifestamos ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) a disposição da Prefeitura de ceder ao Estado as áreas públicas do patrimônio municipal, às margens do Rio Tietê e de interesse para o empreendimento. A medida desoneraria o governo dos custos com desapropriações.

O Várzeas do Tietê será o maior parque linear do mundo, com 75 quilômetros de extensão e 107 quilômetros quadrados de área, unindo o Parque Ecológico do Tietê, na Capital, ao Parque Nascentes do Tietê, em Salesópolis. Foi projetado em 2010 com investimento previsto de R$ 1,7 bilhão até 2022 e desenvolvimento em três etapas. O governo paulista conta com empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A primeira fase compreende 25 quilômetros entre a Capital e Guarulhos. Começou em 2011 e deverá ser concluída até julho de 2018. A segunda tem 11,3 quilômetros e abrange a várzea do Tietê em Itaquaquecetuba, Poá e Suzano, com previsão de término em 2019. Mogi só entraria na terceira etapa, quando o projeto abarcasse os 38,7 quilômetros, de Suzano até a nascente do Tietê, em Salesópolis, a serem concluídos em 2022.

Temos terrenos públicos propícios para o trecho mogiano do parque. São áreas de recomposição florestal, como a do antigo Lixão da Volta Fria, a das imediações da Avenida Antônio de Almeida, no Rodeio, e as porções no entorno dos principais afluentes do Tietê, como o Rio Jundiaí, entre outras. Defendemos um plano de trabalho que contemple a execução das obras em Mogi de modo simultâneo às ações do segundo estágio do empreendimento – seja ele a partir de Itaquaquecetuba ou de Salesópolis. É viável. Basta o Estado acolher a ideia. Nesse processo, a pressão da sociedade é vital.

Juliano Abe é advogado e vice-prefeito de Mogi das Cruzes 

Natan Lira

Natan Lira

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