De novo, a Banda Santa Cecília silencia - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete

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De novo, a Banda Santa Cecília silencia

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Na sede da Santa Cecília, outros projetos são realizados.  (Foto: Edson Martins)

Na sede da Santa Cecília, outros projetos são realizados. (Foto: Edson Martins)

ELIANE JOSÉ
A Corporação Musical Santa Cecília silenciou novamente, após a tentativa de recomposição da banda iniciada em maio passado quando a Secretaria Municipal de Cultura assumiu o projeto musical e a gestão da antiga sede, no Largo do Rosário. Após a assinatura de um convênio com a direção da entidade, a Pasta realizou um chamamento público, escolheu e reuniu músicos, que chegaram a se apresentar, com casa lotada, no Teatro Vasques. Não havia, no entanto, a promessa de bancá-los financeiramente. Desde o início desse ano, sem a sustentação financeira e nenhum fomento público e/ou privado, o grupo se desfez.

Esse é um capítulo dramático da instituição que chega aos 89 anos em maio próximo sem o corpo principal: a banda. Da Santa Cecília, apenas a sede abre para receber outros coletivos culturais.

“Nós tentamos manter o grupo, que foram chamados por amor à música, à banda, como dissemos no passado, para que ela não acabasse, mas os músicos sempre estiveram cientes de que o poder público municipal não iria bancar financeiramente o projeto. E a banda parou”, afirma o secretário municipal de Cultura, Mateus Sartori.

Neste ano, a Pasta manteve os investimentos em seis projetos musicais – Canarinhos do Itapeti, Orquestra Sinfônica Jovem de Mogi das Cruzes, Quarteto de Cordas e o Quinteto de Metais e a Banda Boigy. Houve a redução dos recursos destinados a esses grupos e a Santa Cecília não foi incluída nesse cronograma. A manutenção do grupo custaria cerca de R$ 200 mil por ano.

O argumento de Sartori é que a Corporação Musical é uma entidade própria, que deve seguir caminho independente do poder público.

“A Prefeitura tentou auxiliar a banda, que, sim, tem quase 90 anos e se perdeu por má gestão. É preciso entender que ela é uma entidade, com diretoria, etc., e que teria de buscar meios próprios se manter, independente do poder público. Nós reformamos a sede, mas a entidade não pertence à Prefeitura”, reforça.

Segundo ele ainda, apesar de ser um patrimônio histórico, a Santa Cecília não conseguiu mobilizar-se para manter as atividades. “Sim, ela tem um valor histórico, mas por que ninguém quer assumi-la?”, questiona. Ele ponderou sobre a necessidade dessa entidade, assim como outros grupos e bandas se prepararam para pleitear os recursos financeiros disponíveis em editais públicos. “Tem grupos que estão conseguindo recursos de até R$ 200 mil. Esse é um caminho para essas bandas”, disse.

O contrato firmado com os 20 músicos escolhidos para representar a banda terminou em dezembro passado. Sem a renovação, a mais antiga banda da Cidade silencia não se sabe por quanto tempo.



A crise administrativa e financeira começou há alguns anos, com o fim das apresentações, ensaios e do uso da sede, em frente ao Teatro Vasques. A entidade acumulou dívidas com contas de água e energia e pendências bancárias estimadas, até algum tempo atrás, em R$ 100 mil (veja retranca).

Em maio do ano passado, após ser pressionada, inclusive por um ato público, a Prefeitura assumiu a gestão do prédio e a administração do projeto musical da banda, com a anuência do então presidente da entidade, Manassés Maximiano dos Santos. A iniciativa não completou um ano.

A sede não está parada. Abriga projetos como a Roda de Choro do Seu Julinho ( quinta-feira) e o Entremeio Literário (terça-feira) enquanto acontecem as obras para reforma e revitalização do Casarão do Carmo, iniciadas em janeiro. Quando solicitam, grupos culturais podem ser autorizada a se reunir no local.

Maestro entrega direção e afirma que dívida foi paga
Em uma conversa por telefone, ontem, o maestro Manassés Maximiano da Silva afirmou que não responde mais pela Corporação Musical Santa Cecília desde novembro. Terminou naquele mês o exercício da diretoria que ele presidia. “A gestão agora é da Prefeitura e do Mateus (Sartori), que formou uma nova banda, contratou músicos”, disse.

Ao ser lembrado que o convênio firmado previa o repasse da gestão do prédio e do projeto musical, e que a entidade mantém-se por si, o maestro retrocedeu: “Eu não sei quem responde pela entidade agora, eu entreguei a presidência, em novembro, e a entidade está agora inativa. Eu quero descansar, não sei de nada sobre ela”.

Silva não quis opinar sobre o destino da Santa Cecília: “Não posso falar mais nada sobre ela”. O Diário insistiu e quis saber sobre as dívidas antigas. “Não há mais dívidas”, respondeu ele, acrescentando ter negociado as pendências bancárias. “As dívidas já foram pagas”, repetiu.

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