Danila inicia caminhada ao mundial - O Diário - Mogi das Cruzes , Suzano e Região do Alto Tiete
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Danila inicia caminhada ao mundial

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A pugilista Danila Ramos, que conquistou dezenas de títulos em 12 anos de boxe / Foto: Arquivo

A pugilista Danila Ramos, que conquistou dezenas de títulos em 12 anos de boxe / Foto: Arquivo

Com 150 lutas de boxe amador, quatro vezes campeã brasileira em 10 decisões e com 12 anos de treinamentos e competições, a mogiana Danila Fernanda de Freitas Ramos não baixa a guarda e já tem como seu próximo desafio vencer um campeonato mundial entre lutadoras profissionais. A partir da próxima temporada, ela vai defender a equipe do Memorial, de Santos, para buscar mais um sonho na sua carreira. “Nada e impossível e eu penso se muitas chegaram eu também posso chegar. Foi uma decisão difícil e muito bem pensada. Me sinto preparada para esse novo desafio e vou em busca do meu sonho que é ser campeã mundial.”, afirmou a atleta.

Atual número um do ranking da Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe) na categoria pena (57 kg), ela começou a praticar o pugilismo com o técnico Jucelino Alves, o Juça, por causa de uma desilusão amorosa. Além de títulos nacionais, no período ela foi seis vezes campeã Paulista e obteve sete medalhas de ouro dos jogos Abertos do Interior. “Agradeço aos integrantes Secretaria de Esporte e Lazer de Mogi por me apoiar todos esses anos, meu treinador Juça por me ensinar o boxe”, revelou Danila, que reside na Argentina há mais de quatro anos, mas sempre lutou por Mogi nas principais competições.
Neste novo desafio, ela vai seguir seus treinamentos na Argentina com o marido e também técnico Marcos Martinez – que conheceu em 2007 no Campeonato Pan-Americano do Equador -, além de Juan Ledesma.
Aos 31 anos, mãe de Rafaela (quatro anos) e professora de Educação Física (Náutico Faculdade do Clube Mogiano), Danila parte para uma nova caminhada abrindo mão dos apoios da Smel e do Bolsa Atleta (programa de subsídio do Governo Federal). “Uma nova história e um novo recomeço. Vou trabalhar duro para levar o título para a minha Mogi querida”, ressaltou Danila. Veja na entrevista, que segue:

Hoje, qual a sua maior motivação no boxe?

A vontade de ser campeã mundial no boxe profissional e ter a satisfação pessoal de saber que eu consegui realizar esse sonho.

Por que você decidiu sair do boxe armador e partir para o boxe profissional?
Porque eu já ganhei todos os campeonatos na minha categoria e preciso de novos desafios e como sempre admirei o boxe profissional, quando surgiu a proposta do Memorial decidi aceitar.

Não foi dinheiro?
Não porque eu já queria mesmo, só precisava de um Empresário que me desse o suporte.

Como funciona, qual o caminho para lutar o campeonato mundial?
Funciona da seguinte maneira: eu preciso fazer um cartel de no mínimo dez lutas no profissional. Como eu tenho um excelente cartel de vitórias no amador e 150 lutas, em 2018 posso buscar o título, porque já tem algumas entidades de olho em mim.
Explica melhor o acordo com o Grupo Memorial?
O Memorial me dará todo o suporte para essa nova fase, mas ainda estamos em fase de negociação. Certo é que farei minha carreira aqui e fora do Brasil. Eles querem que eu seja a nova cara do boxe brasileiro, porque tem pouca mulher representando o esporte, querem que eu mostre a feminilidade e motive mais mulheres a praticar o boxe.



O Memorial é uma equipe de boxe em Santos?
Não, o Memorial é uma empresa funerária de Santos. Os empresários gostam do esporte e fazem eventos de boxe profissional, o único aqui no País. No Brasil eles que movem essa área. E pra mim foi uma honra fechar com o grupo, porque eles não dão muito espaço. Mas eles gostaram de mim e da minha história e vão me dar o suporte necessário para esta nova fase na minha carreira.

O acordo tem prazo?
Por enquanto não.

Seus treinamentos serão na Argentina, ou no Brasil?
Os empresários querem que eu continue na Argentina, porque lá treino com o Juan Ledesma técnico de campeãs mundiais, e o meu esposo Marcos Martinez, que é técnico da seleção Argentina de boxe. Então, tenho um bom suporte. Vou ao Brasil só para lutar mesmo.
Quantos treinos você faz por semana?
Treino duas vezes por dia de segunda a sábado. Dá um total de cinco horas por dia.

E como fica a questão de ser mãe, treinar e lutar?
Essa é a pergunta mais difícil, porque eu me desdobro. Algumas vezes levo minha filha comigo e às vezes tenho que deixá-la na Argentina. A Rafaela já está com quatro anos e me segue desde bebê nas competições e nos treinos. Mas em casa eu chego cansada, tenho que cuidar dela, cozinhar, lavar, passar, coisas de dona de casa e cuidar do marido. Parece pouco mais é esgotante eu termino o dia quebrada. Mas é compensador porque minha família me apoia em tudo, eles me incentivam e estão superfelizes com essa minha nova fase.

Quando começou no boxe?
Comecei há 12 anos com o técnico de Mogi, o Juça, na academia Kyokushin. Uma época que era muito raro ver mulheres praticando boxe.
Quem a incentivou?
Ninguém me incentivou. Eu vi pela TV e fui procurar onde tinha boxe em Mogi. Tudo porque naquela época eu tive uma desilusão amorosa e precisava tirar o estresse (sorrindo).

Qual a sua principal luta, a que tem maior significado para você?
Minha principal luta foi na final do Brasileiro, em 2011, quando eu fui campeã pela primeira vez depois de tentar seis anos seguidos e não conseguir. Imagina seis anos sendo vice e persistir tanto e, no final, conseguir. Depois disso eu não parei mais de ser campeã.

Tem algum conselho ou dica para quem vai começar no boxe?
O boxe é um dos esportes mais completos que tem. Trabalha todo o corpo. Serve não somente para o físico, mas também para o psicológico e autodefesa. Além de você perder quase 800 calorias em uma aula. Também dá autocontrole e melhora a autoestima. Recomendo.

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